Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Igreja no Brasil

Considerando que neste período do ano as forças vivas de nossas comunidades eclesiais estão realizando o planejamento de pastoral para 2005, propomos, nesta edição, uma reflexão sobre este momento de ação tão importante para a ação pastoral e evangelizadora de nossas comunidades que, cada vez mais, são chamadas a atender às necessidades de um mundo em rápida transformação. A reflexão será conduzida em dois momentos: nesta página, apresentaremos alguns aspectos - de caráter fundamental - que nos ajudam a refletir sobre a realidade do planejamento pastoral. Na página seguinte, trataremos de partilhar uma proposta de planejamento pastoral.

PLANEJAR

O futuro do ser humano, criatura dotada de liberdade e criatividade, é ligado à sua capacidade de planejar. A mesma dinâmica se dá na ação evangelizadora. Não deveríamos agir pastoralmente se não nos dispormos a um processo sério de planejamento. Alguém poderia nos questionar: será que é possível planejar a ação evangelizadora? Não é o Espírito Santo que conduz a ação pastoral da Igreja? Como planejar uma ação que é de Deus?

AÇÃO HUMANA E AÇÃO DIVINA

Para responder a estes questionamentos, é fundamental tomar consciência de que a ação pastoral deve ser 100% ação humana e 100% ação divina. O que nos dá a possibilidade de pensar assim é o Mistério da Encarnação. Deus não nos salva fora da história, mas partindo de dentro da nossa própria história. A ação de Deusnão cancela a nossa ação humana, pois a ação divina é uma ação fundamental (salvífica) que acontece na nossa ação humana, numa perfeita sintonia, sem jamais perder a diferença específica que caracteriza a nossa ação e a ação de Deus.

É na vida de Jesus Cristo que descobrimos o jeito de Deus agir e de se revelar a nós. Neste jeito, temos o modelo de uma verdadeira ação evangelizadora: fidelidade a Deus e fidelidade à nossa humanidade. O planejamento pastoral, portanto, não é só possível, mas necessário para que possamos realizar uma eficiente ação pastoral (mesmo que o planejamento não seja o único elemento a garantir essa eficiência).

COMO PLANEJAR

Uma vez admitida a importância e a necessidade do planejamento pastoral, cabe-nos pensar em comodeve se caracterizar este planejamento. Uma primeira característica já foi destacada: fidelidade à ação divina e fidelidade à ação humana. É importante, porém, destacarmos alguns outros elementos. Começamos lembrando que o planejamento pastoral não é um momento da vida de uma comunidade, de uma pastoral, de um movimento, mas um processo contínuo, permanente. O protagonismo cabe à Graça de Deus que age não através de nós, mas em nós.

Observemos, porém que, se o protagonismo é deDeus, o sujeito da ação pastoral somos nós, seus filhos e filhas reunidos em comunidade, como Igreja Povo de Deus. A comunidade eclesial, fundamentada na “comunhão e participação”, torna-se o verdadeiro sujeito do planejamento pastoral. Não se planeja a ação pastoral “para” os outros, mas “com” todos aqueles e aquelas que participam, como batizados, da vida da comunidade. Por exemplo, numa comunidade que assume seriamente o planejamento, não se concebe de um lado aqueles que coordenam e planejam a ação pastoral e, do outro, aqueles que recebem os serviços.

O correto é colocar em ação um processo em que todos se sintam sujeitos da ação evangelizadora. Somente uma “comunidade de sujeitos” é capaz de se tornar uma “comunidade sujeito”. Eis o nosso desafio!

PLANEJAMENTO UMA ATITUDE

O planejamento pastoral, mais que técnica, é questão de atitude, já que deve refletir, ao mesmo tempo, o estilo de Igreja que somos e constrói a Igreja que devemos ser. É por isso que, mais importante que os resultados que o planejamento nos faz alcançar, é o próprio colocar-se em estado de planejamento que já nos faz crescer e ser Igreja. Quando uma comunidade, uma pastoral, um movimento se coloca em processo de planejamento, já está evangelizando e se evangelizando.

É importante observar que o planejamento não aprisiona de modo algum a ação de Deus. Deus age antes do planejamento, durante o processo de planejamento, no planejamento realizado, mas, também, fora de qualquer planejamento.Da mesma forma, não se faz planejamento para unificar a ação da Igreja no sentido de vetar novas iniciativas, concentrar o comando de todas as atividades, etc. O planejamento deve ser sempre aberto, a fim de que possa acolher, na luz do Espírito de Deus, as novidades que cada momento e necessidade nos traz.

O processo de planejamento deve conduzir a comunidade a tornar concretos os valores da nossa fé. Portanto, o planejamento pastoral deve ser sempre caracterizado pela capacidade de ser operativo, realizável: no aqui e agora da vida de nossa comunidade. Através do planejamento, encontramos a melhor forma possível de tornar concreta a nossa fé e a salvação de Deus no aqui e agora de nossa história. Longe de nós um processo de planejamento que sonha uma Igreja impossível de se realizar na história.

A perfeição existe só na eternidade, mas, a caminhada rumo à essa perfeição deve acontecer desde agora. Entendendo o planejamento pastoral dessa maneira, o plano de pastoral será a melhor maneira de realizarmos aqui e agora a vontade de Deus. Não será perfeito para sempre... pois o amanhã exigirá de nós um novo planejamento. Mas será o caminho mais perfeito para “hoje” vivermos a nossa fé em Cristo. É por isso mesmo que o planejamento é um processo constante, que não suporta uma comunidade acomodada, parada no tempo e na história.

(Continua na página n.º 7)

DICAS DE UM PASTOR

Meus caros Líderes!
Vale a pena sonhar com tempos novos para o Brasil e o mundo. Isto requer, no entanto, a mudança de mentalidade, passando de uma visão egocêntrica e de busca de vantagens pessoais para a abertura de um horizonte mais amplo, em que nos comprometemos com a promoção do bem do próximo e o aprimoramento da sociedade. Jesus Cristo nos indica o ideal da fraternidade em que nos responsabilizamos em assegurar uns aos outros as condições dignas de vida.

Isto implica na compreensão de que Deus criou o mundo para todos e que é nosso dever administrá-lo de modo a promover a vida de cada pessoa humana, evitando a ambição e a acumulação doentia de bens e a exclusão social. O Evangelho nos ensina a identificar a perversidade da violência e a construir relações de respeito, estima para com todos, sabendo vencer o mal pelo bem. É o belo presente da Nova Lei. Há uma descoberta prévia a fazer. É a necessidade da união de forças, da capacidade de pensar e trabalhar juntos e de organizar melhor a nossa ação pastoral.

Eis aí uma proposta concreta para todos os líderes: conseguir ordenar a atuação pastoral, estabelecendo, com clareza, as metas, os meios e a capacitação dos agentes. O Planejamento pastoral é fruto do zelo missionário e nasce do empenho com que cada um assume por amor a missão de discípulos de Cristo nesse mundo.

Caros líderes, a ação evangelizadora depende da boa vontade de cada um que se fortalece na oração confiante e no auxílio divino, mas requer, também, a capacidade de reunir-se com os demais para colocar em comum as luzes de Deus e os passos concretos a dar na realização do projeto divino.

Invocamos Nossa Senhora, Mãe da Igreja, a fim de que nos ensine a permanecer unidos em oração e a agir com alegria, sob a inspiração do Espírito Santo a serviço do Reino de Deus.

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