Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Igreja no Mundo


alar da Oceania é falar de uma extensão imensa de água salgada, pontilhada por cerca de 10.000 ilhas de extraordinária beleza. Infelizmente, muitos destes atóis e ilhas de coral poderão desaparecer por causa do efeito estufa, contaminação por resíduos tóxicos e pelos mais de 300 testes nucleares realizados na região pelos Estados Unidos e França. É um grande problema ecológico. Neste continente, as distâncias não se medem em quilômetros, mas em horas de navegação.

Na Oceania, afirma um bispo, os barcos, as canoas e os aviões sempre foram mais importantes que os carros e os trens. Se as igrejas dos outros continentes têm em comum a terra firme e os povos alguma ligação racial, a Oceania, ao contrário, flutua no Oceano Pacífico e seus povos e tribos provêm de mundos desconhecidos e, quando migram,também encontram mundos completamente diferentes e desconhecidos.

PRESENÇA DA IGREJA

O primeiro europeu que descobriu as ilhas da Oceania foi o português Fernão de Magalhães, em 1529. Ele estava a serviço do reino da Espanha. No séc. XVII houve episódios esporádicos de ação missionária, mas com pouco êxito. No séc. XVIII, quando os ingleses chegaram a dominar a região, além de implantar sua cultura e língua, pregaram também a religião evangélica anglicana, proibindo a missão católica. Só em 1834 os missionários católicos tiveram a permissão de realizar suas missões. A ação da Igreja foi extremamente difícil, pois os indígenas consideravam os brancos como exploradores sem escrúpulos, a ponto de um grande número de missionários regarem, com o próprio sangue, as comunidades que estavam surgindo.

MIGRAÇÃO EUROPÉIA

Dos oito milhões e meio de católicos do continente, cerca de cinco milhões se encontram na Austrália e Nova Zelândia. Protagonistas desta evangelização foram, sobretudo, os missionários irlandeses. Contudo, o grande crescimento da Igreja Católica se deve à migração que aconteceu após a II Guerra Mundial, com os italianos, irlandeses, poloneses, entre outros europeus.

A Igreja da Oceania, atualmente, está estruturada em quatro Conferências Episcopais:

  • Austrália;
  • Nova Zelândia;
  • Papua Nova Guiné;
  • Ilha Salomão e vizinhas

Na Austrália, a Igreja é articulada em 31 dioceses e mais de 1000 paróquias. Infelizmente, como acontece nos cinco continentes, uma das maiores dificuldades é a multiplicação das denominações cristãs que, com seu jeito de ser, acentuam a divisão entre os cristãos.

POVOS ABORÍGINES

Antes da chegada dos colonizadores europeus, quem habitava a Oceania eram milhares de povos aborígines, distintos em três grupos étnicos:

  • Melanésios;
  • Micronésios;
  • Polinésios

Estes grupos reuniam mais de 10 milhões de habitantes, diferenciando-se por características físicas, tradições culturais, religiosas e estilos de vida próprios. Em 1788, quando aconteceu a colonização européia, se calculava que os aborígines que habitavam a Austrália, e pertencentes ao grupo melanésio, não passavam de 300.000. A população chegou a este número devido ao impacto causado por novas doenças, desapropriações e choques culturais. Nos últimos 20 anos, o número dos aborígines aumentou novamente atingindo a marca de 360.000 pessoas.

Ainda hoje algumas etnias são arredias e hostis a qualquer contato com outras civilizações. Embora o inglês seja a língua oficial, devido à colonização, os aborígines falam 1.300 línguas completamente diferentes, o que significa 19% das línguas faladas no mundo. Na Oceania, de acordo com as diversas crenças, existem humanos desde o início dos tempos. Para os primórdios, os espíritos ancestrais saíram da terra e desceram dos céus, passando a caminhar no solo. Estes seres formaram os rios, as montanhas, as florestas e os desertos. Deram origem a todas as tribos, animais, plantas e definiram os padrões que suas vidas deveriam seguir.

MISSIONÁRIOS DE DESTAQUE

Falar da Oceania é lembrar com admiração alguns missionários, verdadeiros heróis da fé e do amor para todos aqueles povos primitivos.

Entre eles, destacamos:

• Pe. Pedro Chanel, bem-aventurado, marista, ferozmente martirizado em 1841 nas Ilhas Salomão;

• Pe. João Mazzucconi, bem-aventurado, primeiro mártir do PIME, morto em 1855 numa embarcação encalhada perto da ilha de Woodlak.

Em sua primeira viagem missionária chegou a escrever:

“Feliz o dia em que for encontrado digno de derramar meu sangue por Cristo!”.

• Pe. Damião de Veuster, bem-aventurado, apóstolo dos leprosos na ilha de Molokai. Ele mesmo morreu de lepra aos 48 anos. Sua história comoveu muitas gerações e despertou vocações missionárias no mundo inteiro.

• Pe. José Panizzo, após diversos anos de missão nos Estados Unidos e na Amazônia, foi servir ao povo da diocese de Vanino, na Papua Nova Guiné. No dia 20 de abril de 1994, ao levar para casa quatro professoras, o mau tempo derrubou o avião e todos morreram. Alicerçada no exemplo destes e de muitos outros missionários, a Igreja, sobretudo da Austrália e Nova Zelândia, deu passos significativos a ponto de enviar centenas de missionários para as outras ilhas do continente. Esta atitude nos faz pensar que a missão de anunciar o Evangelho não pode recuar nem diante dos maiores obstáculos.

Pe. Paulo De Coppi
pe.paulo@missaojovem.com.br

PARA REFLETIR

1- O que mais lhe impressiona na Oceania?

2- Quais as maiores dificuldades que os missionários encontram neste continente?

3- Qual o apoio que podemos oferecer aos povos e aos missionários da Oceania?

Visite as outras páginas

[P.I.M.E.] [MUNDO e MISSÃO] [MISSÃO JOVEM] [P.I.M.E. - Missio] [Noticias] [Seminários] [Animação] [Biblioteca] [Links]

Voltar