Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Informatica

omeçaremos o ano com um dos temas que gerou muita polêmica em uma das edições do ano passado: o uso da Internet. Aproveitamos para convidar você a enviar sua dúvida para:

Esclarecendo Dúvidas - Caixa Postal 3211 - Florianópolis/SC - 88010-970, ou para o e-mail: redacao@missaojovem.com.br

Alexandre, um jovem de 20 anos, um dia se apresenta ao meu consultório pedindo ajuda. Quando ainda jovem, ele havia sofrido muito pela morte do pai e isso o levou a uma tremenda depressão. Neste momento de sua vida ele aprendeu a entrar no assim chamado chat ou sala de bate papo onde lhe foi possível estreitar amizades virtuais e, aos poucos, foi percebendo que algo estava mudando: sentia-se “procurado” pelos outros da rede como alguém importante.

Bastava que uma noite não entrasse na internet e noutro dia sua caixa postal estava inundada de e-mails de “amigos” que lhe perguntavam se havia acontecido algo. “Finalmente se dão conta de mim”, pensava ele. E assim começou a passar ainda mais tempoon-line. Finalmente havia encontrado a maneira de satisfazer quase todas as suas necessidades físicas e patológicas, expressando tudo aquilo que não podia na vida real. Ilusão: aos poucos, isso o levou a se dissociar do mundo circunstante, do mundo real.

NO REAL

A amizade e a relação com os outros, nem sempre pode obter os resultados desejados quando são vividos num nível virtual. Um critério, muito presente nas pessoas conectadas a Internet por muito tempo, é o de uma modificação progressiva dos próprios costumes, dos próprios hábitos relacionais na vida real. Com a Internet a pessoa tende a substituir a própria capacidade de relação num contexto de apoio recíproco com um prazer momentâneo que, aparentemente, parece satisfazer a própria necessidade de relação, mas que depois se transforma em profunda insatisfação e frustração.

NA VERDADE

De fato, muitas vezes as pessoas “dependentes” usam os instrumentos oferecidos pelaInternet para se encontrar e socializar virtualmente, mas ainda mais para favorecer as próprias necessidades de relacionamento, frustradas em sua vida real. Por exemplo, um dos problemas hoje presente entre os jovens é a convivência familiar. Eles percebem que os pais nem sempre lhes proporcionam aquele carinho que se traduz em afeto, escuta e compreensão que eles gostariam de partilhar.

Do outro lado, também entre amigos, muitas vezes surgem dificuldades pelo fato de não se sentirem bem acolhidos pelo próprio grupo. A internet então se apresenta como uma “fuga”, onde a amizade é “assegurada” enquanto que as diferenças de caráter ou as dificuldades interpessoais são “obscurecidas” pelo anonimato e pela cumplicidade recíproca. É preciso repensar nossos relacionamentos e, aos poucos, voltar a ir ao cinema, ir a praça com os amigos, viajar... Dê uma trégua ao seu computador!

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