Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Informatica
|
O Sexto Continente?
É comum lermos ou ouvirmos especialistas no assunto afirmarem
que estamos vivendo a era do conhecimento. A revolução de Gutenberg Para termos uma noção mais exata da época em que vivemos, vamos retornar no tempo, até 1450. Foi neste período que Gutenberg iniciou a impressão tipográfica do primeiro livro. Estima-se que o grande descobridor terminou a impressão da Bíblia, com 1282 páginas, só cinco anos depois. Cinco anos para ter um livro impresso: um absurdo para nós, hoje, quando, num período destes, muitos livros perdem até sua validade científica! No entanto, a invenção de Gutenberg foi a base para uma das maiores revoluções que o mundo já viveu. Graças à "engenhoca" que Gutenberg criou, restam ainda 46 exemplares do primeiro livro impresso (um dos quais no Brasil). O mais importante é que a humanidade tinha diante de si uma ferramenta poderosíssima de registro, transmissão e partilha do conhecimento, responsável pela formação de uma cultura secular. Atualmente, estamos passando por uma época tão importante que pode ser comparada com a de Gutenberg. Temos diante de nós novas "engenhocas" que já estão transformando a vida da humanidade. A nova revolução Manuel Castells afirma: "No fim do segundo milênio da Era Cristã, vários acontecimentos de importância histórica têm transformado o cenário social da vida humana. Uma revolução concentrada nas tecnologias da informação está remodelando a base da sociedade em ritmo acelerado". Isto está transformando também a economia, as relações de trabalho e a própria identidade de empresas, organizações, culturas, pessoas..." E "esse processo é irreversível. É água morro abaixo!", afirma Augusto Pinto, presidente da SAP, empresa de software, no Brasil. Piere Léwy, em seu livro Inteligência Coletiva, afirma que "durante o período neolítico que terminou em meados do século XX, os camponeses, majoritários, trabalhavam a terra. Na era industrial, iniciada no final do século XVIIII e que termina agora, os operários transformavam as matérias-primas... Hoje, a riqueza das nações depende da capacidade de pesquisa, de inovação, de aprendizado rápido e de cooperação ética de suas populações. Os que promovem a inteligência dos homens se encontram hoje na origem de toda prosperidade". Toda esta nova realidade, que está se formando, foi "empurrada" pelas novas tecnologias. Quase que generalizado, e como base de tudo, está o uso da rede de computadores, a Internet. Mas qual é realmente o poder da Internet? Como ela está ajudando a formar esta nova sociedade? Internet: Sim ou não? Freqüentemente os internautas andam através dos oceanos de "redes" como náufragos sem bússola a procura de portos. Assim, freqüentemente, chegam a portos arriscados e a encontros perigosos com sujeitos pouco confiáveis. A Internet é a auto-estrada da informação. É ela que está dando vida à informação global, abrindo muitas possibilidades de desenvolvimento. Sua invenção e seu uso estão mudando a face do planeta: relacionamentos, trabalho, economia, política... De fato, já entramos na era "tecnotrônica" e devemos aprender a viver nela, queiramos ou não. Fazer ironia não convém. O desafio está nas novidades a serem compreendidas, na
potencialidade a ser valorizada e nas ambigüidades a serem superadas. A expansão de seu uso revolucionará os próprios métodos de aprendizagem e de acesso à informação; tornará mais democrática a cultura e fará escutar a voz de quem não tem grandes meios. O sexto continente Dessa forma, a globalização é o começo de uma nova época na história da humanidade. A vida é empurrada sempre mais para o virtual, o que pode fazer perder a concretude do real, com conseqüências catastróficas para a educação. A Internet fez nascer o sexto continente. Sim, porque se multiplicaram as zonas francas que não têm nada a ver com os estados nacionais, com as pertenças territoriais e tipo de fronteira. A Internet, com um simples clicar, elimina as barreiras geográficas, físicas, políticas..., oferece a possibilidade de se agregar e de aumentar a interação em nível universal. Essa é a nova sociedade da informação global. O Novo Continente poderá oferecer um futuro de humanismo universal. Mas quantos poderão entrar a fazer parte? Quantos ficarão excluídos? Humberto Eco escreve: "A sociedade acabará dividida
em três classes. Entrar ou sair Entrar na rede pode ser fascinante, mas pode ser difícil sair. É a "ciberdependência". Um estudo da Universidade de Chicago: "A intoxicação na Internet", analisa a dependência do uso do computador e evidencia que uma das características comuns a todos aqueles que procuraram relacionamentos na rede foi a perda de contatos com a cotidianidade da vida, provocando até carência afetiva. É indispensável uma estratégia preventiva também na Internet, para ajudar a valorizar suas enormes possibilidades e evitar os riscos, que não são nem pequenos e nem poucos. Encontros e seminários estão sendo realizados no mundo inteiro para desenvolver e aplicar a Internet à educação e ao mesmo tempo prevenir a educação dos riscos da rede no 3º milênio. Piere Léwy afirma: Estamos numa época em que é
necessário convocar as pessoas para um novo humanismo, que inclui
e amplia o "conhece-te a ti mesmo" para um "aprendamos
a nos conhecer para pensar juntos". Que generaliza o "penso,
logo existo" em um "formamos uma inteligência coletiva,
logo existimos como comunidade". Mauri Luiz Heerdt Para Refletir 1.º O que você pensa desse " sexto continente"? 2.º Por que a época atual pode ser comparada com a de Gutenberg? 3.º Você é um usuário(a) da Internet? Qual o uso que faz dela? A Toca Quando o dinheiro pesado invadiu a rede, outras noções de ressurreição, eternidade e infinito chutaram o sertão para escanteio. Sabemos que os arquitetos de shopping centers também criam o infinito, mas um infinito falso, degradado, "pequenificado". O Shopping center é fechado por todos os lados - é uma toca, uma caverna de Platão. De fora, ninguém vê o que acontece lá dentro, por trás das muralhas. Mas de dentro o consumidor tem a ilusão de percorrer caminhos infinitos. Mas é um infinito-prisão, totalmente controlado, que apenas quer gerar mais consumo, desenfreada e irresponsavelmente. É esse infinito pequeno que agora atocaia o grande infinito do sertão ciberespacial, ou seja, a Internet é um grande shopping-cilada: todo mundo está ali para ganhar um dinheiro fácil. A invasão da imbecilidade mercantilista foi avassaladora, sufocante, quase aniquiladora das fontes de energia que brotavam aqui e ali na rede. Para a maioria dos assuntos pesquisados na Internet, o resultado é o seguinte: 90% é lixo! E o que é pior: é cada vez mais difícil encontrar as boas informações no atoleiro virtual de porcaria e banalidade que as cercam. Hermano Vianna |
Visite as outras páginas
[P.I.M.E.] [MUNDO e MISSÃO] [MISSÃO JOVEM] [P.I.M.E. - Missio] [Noticias] [Seminários] [Animação] [Biblioteca] [Links]