Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Jovens

ace à necessidade crescente e urgente de evangelizar a juventude que está passando por uma fase histórica difícil e se afastando da Igreja, queremos enfrentar esta problemática. Para isso aproveitamos partes de uma análise, sobre o assunto, realizada pelo professor Renold J. Blank - Professor na PUC de SP. No texto, Blank apresenta situações concretas e, a partir dessas constatações, apresenta sugestões e alternativas para uma ação evangelizadora mais eficaz no meio da juventude

ONDE ESTÃO OS JOVENS?

“A Igreja só será Jovem quando os jovens forem Igreja”
(Papa João Paulo II)

Recentemente proferi uma palestra num curso de teologia para leigos. Tratava-se de um curso muito procurado. De fato, havia em torno de 200 pessoas e todas muito interessadas e comprometidas nas atividades da Igreja. Estranhei o fato de que a absoluta maioria dos participantes tinha idade acima de 40 anos. Passei então a verificar o índice de participação dos jovens em outros contextos. Constatei que eles eram minoria também nas missas. Na última preparação para a confissão, somente três entre mais de 50 pessoas.

Na paróquia que freqüento, com oito mil fiéis, o grupo de jovens não passa de 10 integrantes. Conclusão, a grande massa da juventude não participa dos nossos grupos de jovens e poucos também se envolvem nas atividades da paróquia.Numa viagem à Europa, encontrei igrejas vazias e missas dominicais freqüentadas, em sua grande maioria, por fiéis acima de 60 anos! Estas e outras situações me deixaram cada vez mais ansioso.

É urgente que nos perguntemos:

  • Afinal, de que o mundo juvenil precisa?
  • Quais os caminhos para responder aos seus apelos?

AGIR LOGO

Parece-me urgente agir, para evitar que, em dez anos, se chegue à situação que constatei na Europa. Os jovens são por demais importantes para a Igreja! Perdendo-os hoje, teremos as igrejas vazias amanhã. Não basta ficarmos satisfeitos por termos grupos de jovens com algumas dezenas de integrantes e nem conta o argumento de que, nas cidades do interior, a juventude ainda freqüenta as missas. Tampouco interessa o argumento de que, em shows religiosos, se apresentam massas de jovens cantando, pulando e batendo palmas.

Essas experiências são esporádicas, e seus organizadores estão sujeitos a sucumbir à segunda tentação feita a Jesus e relatada por Mateus 4,5-6. O projeto de Jesus não se realiza por meio das massas emocionadas, seduzidas por um espetáculo de conforto espiritual. Este tipo de religiosidade não ajuda a construir uma forte personalidade cristã, mas só ajuda a aliviar as frustrações que o próprio sistema produz.

Temos que voltar ao verdadeiro desafio:

- formar uma nova geração de cristãos que se encaixem no mundo de maneira positiva e transformadora, levando a sério a vocação de ser fermento para a transformação deste mundo.

JUVENTUDE

É bom, portanto, nos perguntar com muito realismo:

• Que percentual da juventude da paróquia conseguimos motivar para que se sinta parte viva da comunidade e se engaje num trabalho sério para construir o Reino de Deus?

CRIAR ALTERNATIVAS

Os grupos de jovens existentes, em geral, são grupos de reflexão e oração. Sem dúvida eles têm valor. Mas muitos jovens nem de longe pensam em fazer parte desses grupos. No entanto, buscam desesperadamente companhia. Se realmente queremos estar a serviço dos jovens, temos a obrigação de apresentar-lhes alternativas que respondam às suas necessidades.

Dai a importância de criarmos grupos que ofereçam aos jovens espaços de convivência social séria e sadia. Os jovens de hoje, de fato, buscam desesperadamente contatos sociais, espaços para encontrar outros jovens e discutir temas que lhe interessam. Locais em que possam dançar, jogar futebol e namorar. Se nós não lhes oferecermos tais espaços, eles os buscarão em outros lugares, freqüentando as baladas, os bares e os shoppings.

COMO AGIR?

Nos grupos alternativos, não se apresente logo, e como objetivo principal, a oração, o dever de participar da missa etc., mas debates sobre assuntos como:

- sexo, drogas, filmes, desemprego, estudo, namoro, problemas sociais, música, esporte e até religião.

"A pastoral da
juventude deve
estar entre as
primeiras
preocupações
dos pastores e
das comunidades"

(Eclesia in América n.º 47)

Ofereça-se a possibilidade de ouvir testemunhos de políticos, empresários, artistas, como também de um padre ou leigo engajado na Igreja, que falem de suas experiências e abram sua visão para novos horizontes. Organizem-se excursões para conhecer outras realidades. Promova-se também o engajamento em trabalhos sociais e promoções em favor dos povos mais pobres do mundo. É importante que, nesses grupos, cada um se sinta aceito e valorizado. Dessa forma, o ambiente ajudará o jovem a descobrir o melhor para a sua vida.

UMA “NOVA JUVENTUDE”

Essa alternativa poderia chamar-se “Nova Juventude”. Fazer parte da NJ poderia tornar-se o distintivo de uma juventude moderna, aberta, interessada aos problemas do mundo de hoje, aberta ao catolicismo, embora não goste de orações tradicionais, das missas tediosas e de muitas de suas normas que consideram antiquadas ou fora da moda. É de tais grupos alternativos que precisamos em nossas paróquias para dar resposta adequada aos jovens que, atualmente, estão à procura de espaços fora da Igreja, uma vez que dentro dela não conseguem se encontrar.

Podemos concluir com a frase de João Paulo II:

“A igreja de hoje tem que saber responder aos questionamentos e expectativas dos jovens, sabendo falar aos anseios presentes em seus corações, aquecê-los, consolá-los e acolhê-los”.

PARA REFLETIR

1.º Qual sua opinião sobre esta linha de pastoral da juventude proposta por Renold J. Blank?

2.º O que oferecemos a esses jovens dos quais o autor se refere?

Redação Missão Jovem
redacao@missaojovem.com.br

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