Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Jovens

Tudo começou há cerca de 15 anos, quando a Congregação do Verbo Divino iniciou um trabalho sistemático junto à população pobre que vivia abandonada nas ruas de São Paulo. Os missionários, encarregados do projeto, passaram a viver no bairro Brás, onde a população mais pobre mendigos) tende a concentrar-se.

O trabalho tem várias frentes, uma delas se volta com exclusividade para as crianças e adolescentes de rua. Esta frente se chama “Projeto Cheiro de Capim”. O projeto elevado a frente exclusivamente por voluntários.

O PROJETO

O “Cheiro de Capim”, através de diversas equipes bem treinada e formadas inclusive espiritualmente, ajuda semanalmente cerca de 300 a 400 crianças de rua. Elas trabalham com atividades lúdicas, dentro de uma proposta pedagógica alternativa, pois as crianças de rua estão totalmente fora da educação estruturada.

Muitas dessas crianças cheiram cola e usam diversas drogas. O projeto Cheiro de Capim oferece-lhes a oportunidade de cheirar e experimentar uma vida diferente, criando nelas um forte desejo de sair da vida de rua.

Desta maneira, através do trabalho realizados na própria rua, de passeios e acampamentos, o projeto proporciona perspectivas de vida para que as crianças que vivem na rua passem a querer viver uma vida diferente. Importante é também a participação das crianças nos fóruns que discutem a triste situação e as problemáticas relacionados à sua situação, e aos encontros com a polícia comunitária para evitar encaminhamentos e intervenções desnecessárias.

NOITE: TEMPO DO ENCONTRO

Muitos outros projetos, na cidade de São Paulo, trabalham com crianças e adolescentes de rua, mas, quase todos, atuam durante o dia, quando eles se movimentam pelas ruas, cometendo alguns delitos, utilizando drogas, etc.

Chegando a noite, geralmente se reúnem para dormirem juntos. Dessa forma, mais facilmente, evitam os maus-tratos, violência de policiais, de traficantes, etc.

Já que muitos de nós somos ocupados durante o dia, as equipes do “Cheiro de Capim” decidiram atuar durante a noite, embora tendo em vista os riscos que podemos correr nestas horas.

POR QUE NA RUA?

As várias situações que se relacionam com a ruptura ou interrupção dos vínculos familiares e a passagem ou permanência na rua são:

  • a violência doméstica, incluindo abuso sexual, descaso, falta de estrutura familiar etc;
  • falta de recursos financeiros;
  • os atrativos que a rua oferece. Muitas vezes, primos, irmãos, ou outros familiares já estão nas ruas, atraindo a criança e o adolescente a ir também, já que em casa não possuem outras alternativas;
  • os problemas e tensões sociais que apresenta a situação de nosso país;
  • um sistema educacional inadequado;
  • falta de opções de jazer e atividades culturais etc.

Enfim, são cidadãos que tiveram sua trajetória a partir da periferia das cidades, em sua maioria filhos de famílias de baixa renda, com problemas de moradia, saúde, educação, previdência social, etc.

Desesperados, caíram na rua, ficando completamente vulneráveis a circunstâncias cruéis e diariamente mutilados. Fora da família e soltos pela cidade, esses filhos de Deus, humilhados em sua dignidade, são considerados, tristemente, uns “não-cidadãos”.

O QUE A RUA OFERECE

Quando chegam as ruas, para pertencerem aos grupos já formados, absorvem os mesmos hábitos, maneiras de ser e a eles se unem para obter carinho e proteção.

A rua atrai, pois lá pode-se obter coisas que o mundo de casa não permite ter. Trata-se de um mundo muito rápido, ágil, fugaz, que tem um outro tempo: o de zoar, o de “dançar” ou não “dançar” , o de viajar ou de ficar horas sentado, deitado em um banco com um cobertor e um saquinho de cola, conversando bobagens, dormindo, viajando de olhos fechados ou juntando-se de repente para dar um giro, para apanhar alguma coisa, conseguir algum “bagulho”, algum trocado ou...planejar mais uma aventura.

Enfim, a rua e a “turma” oferecem e representam o que a família e o bairro deixaram de oferecer e de representar.

AS DROGAS

A cola e o crack são as drogas de maior consumo entre as crianças e os adolescentes em situação de rua. A cola tem efeito muito rápido, possibilitando inicialmente excitação, mas, com o decorrer do uso, propicia confusão, desorientação, visão embaçada, dor de cabeça, início de processo alucinatório, inconsciência, convulsões, coma... até chegar à morte.

O crack é uma droga estimulante. É barata e o efeito é mais rápido: 10 a 20 segundos.
São inúmeras as dificuldades para nos aproximarmos das crianças e adolescentes que utilizam crack.

O próprio efeito que a droga causa, a preocupação da presença da polícia e o tráfico dificultam a criação de um relacionamento.

A APROXIMAÇÃO

Acreditamos que o nosso atuar nas ruas propicia o princípio de uma mudança. Ao criarmos o relacionamento, damos um dos maiores passos: o de adquirir a confiança. A partir daí a criança e o adolescente se envolvem e começam a acreditar e a se deixar amar.

Quando realizamos algum passeio, colocando-os em uma condição diferente daquela que estão vivendo nas ruas e criando um clima de família, inicia-se um processo de reflexão, passando e se questionarem sobre o porquê de estarem e ficarem naquela situação e sobre a possibilidade de mudança de vida.

A partir disso, podemos atende-los em suas primeiras necessidades que podem ser desde uma dor de dente, a ida ao médico e o encaminhamento a entidades que podem acolhê-los e encaminhá-los para uma nova trajetória.

HUMANIDADE

Acreditamos que o trabalho que estamos realizando no projeto Cheiro de Capim é um chamado sério ao amor, certamente não baseado em sentimentos gostosos e passageiros. Estamos convictos de que nossas crianças de rua levam consigo estigmas de algo errado que está acontecendo. O cardeal Martini disse: “Os marg1nalizados não são a parte doente da sociedade, mas aqueles que levam as marcas de uma sociedade doente”. Essas crianças foram traídas por quem deveria dar-lhe amor.

Este trabalho que nós, voluntários(as) do Cheiro de Capim estamos fazendo, faz parte de um grande chamado e de um apelo de nossa humanidade. Na terça-feira passada Helder e eu ficamos um tempinho brincando na boca do lixo. Também Alexandra, que antes da nossa chegada estava bem fechada no seu pequeno mundo do cachimbo e da pedra, foi convidada a pular a corda e, pulando, pulando... o seu rosto se iluminou e começou a sorrir.

E assim apareceu nela todo aquele jeito que é próprio de uma menina de catorze anos. Eis a nossa missão nas ruas: despertarmos humanidade em todas estas nossas crianças - Alexandra, Renato, André, Camila... e, como conseqüência, quanta. auto estima, afeição, amor... despertamos nesses filhos não amados? Nosso dever é semear e pacientemente esperar. Vale mais acender um fósforo do que amaldiçoar a escuridão.

Ir. Lucio Beninati - PIME

As aventuras do ÊME JOTA

Você deseja ser voluntário neste projeto?

"CHEIRO DE CAPIM"

Av. Rangel Pestana n.º 1421 - Brás - São Paulo - S.P. - cep.: 03002-000
Fone: 0XX-11-227-5228 ou 9622-8184
e-mail: cheirodecapim@ig.com.br

Ao entardecer, no centro de São Paulo, jovens voluntários do projeto Cheiro de Capim ... Vamos lá pessoal, todos de volta para o ônibus que o passeio vai continuar! Na manhã seguinte ... Que Saudade da minha antiga família ... Naquela noite ...

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