Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Jovens

A comunicação do casal

Caro jovem, nesta edição continuamos nosso diálogo sobre a preparação para o casamento. Com certeza, a decisão de casar ou não casar está presente na vida de todas as pessoas. Exatamente por isso a preparação para uma decisão tão importante merece um destaque especial. Não importa quem seja você, ou quem quer que seja seu parceiro, a questão é a mesma: amar exige um certo aprendizado. Este é o objetivo desta página.

A COMUNICAÇÃO

A pergunta que vou fazer vale tanto para aqueles que estão se preparando para o casamento, quanto para os que são casados: como nos comunicamos? Para muitos casais, talvez seja importante radicalizar esta pergunta: existe comunicação entre nós? A comunicação entre duas pessoas é muito difícil, pode até não existir ou acontecer de forma pouco honesta.

Comunicar-se não é somente falar um com o outro, mas, e sobretudo, as formas de nos relacionamos com a outra pessoa, em que entram como componentes importantes: o olhar, o toque, o tom de voz, o respeito, o diálogo, os gestos, a atenção, o perdão, o agradecimento.

A INTIMIDADE

Em outras palavras, poderíamos dizer que a comunicação está diretamente relacionada com a intimidade entre duas pessoas. Maria H. Matarazzo, no livro Amar é preciso, propõe vários níveis de intimidade:

  1. Intimidade intelectual: Quanto você é capaz de trocar idéias com o outro? Vocês lêem coisas juntos? Quanto você é capaz de compartilhar com o outro suas experiências intelectuais?
  2. Intimidade emocional: Se você está triste, cansado, com medo, o outro sabe disso? Quanto você é capaz (e se sente à vontade) de compartilhar suas vivências emocionais?
  3. Intimidade interior: Quanto eu gosto de ficar sozinho, quieto? Quanto eu gosto de ficar sozinho, quieto, a dois?
  4. Intimidade estética, ambiental: Quanto você é capaz de compartilhar suas vivências estéticas (contemplar um pôr-do-sol, andar a pé em silêncio)?
  5. Intimidade vocacional: Quanto você é capaz de compartilhar de seu trabalho com o outro? Quanto ele é capaz de compartilhar de sua vida profissional com você?
  6. Intimidade social: Quando somos capazes de compartilhar em nossos momentos de lazer a dois e junto com os amigos?
  7. Intimidade sexual, sensual: As pessoas tendem a se concentrar demais na intimidade genital e se esquecem do toque amoroso, do abraço que envolve. Braço serve para abraçar.

A qualidade de um vínculo se mede pelo nível de trocas que o casal é capaz de fazer. Meus laços com meu companheiro dependem de como e de quantas maneiras estamos conseguindo nos comunicar e estabelecer trocas. Já pensou sobre o seu nível de intimidade e comunicação?

OS QUATRO “Cs” DA COMUNICAÇÃO DO CASAL

Steve e Shaaron Biddulph, no livro Porque escolhi você, enumeram quatro excelentes maneiras de estabelecer comunicação entre um casal.

São elas:

• Cuidado;
• Co-valorização;
• Cooperação;
• Contigüidade.

CUIDADO: Todos precisam ser dependentes, receber carinho e cuidados. Não há nada melhor do que saber que há alguém que deseja a sua felicidade. Casais novos fazem isso a todo instante: com palavras, gestos carinhosos e sendo atenciosos. Quando nos apaixonamos, essas atitudes são facilmente ofertadas, e aceitas de bom grado. Algumas vezes, no afã do dia-adia, os parceiros se tornam menos dedicados e quase nem percebem ou apreciam o que lhes é oferecido rotineiramente, achando que não precisam agradar, pois o outro estará sempre ali.

CO-VALORIZAÇÃO: Sempre que tiver chance, converse sobre seus valores, crenças, aspirações, ideais, filhos... Esse é o departamento dos sonhos e da visão geral. Ao fazer isso, você e seu parceiro desenvolvem uma base comum sobre a direção para a qual suas vidas estão caminhando e sobre o que consideram valioso. Não é preciso lutar por concordância. O simples fato de expor seus pensamentos e explorar idéias, leva a uma vasta possibilidade de caminhos.

COOPERAÇÃO: Muito da vida diária é apenas uma questão de natureza prática, como: Transporte, dinheiro, compras, educação, pequenas tarefas e quem irá fazer o quê e quando. É fundamental manter essa discussão num nível objetivo e não emocional.

Preste atenção aos detalhes para que tudo seja mais fácil e tranqüilo, a longo prazo. Seja confiável em relação a cumprir o que disse que iria fazer. Faça listas, especifique necessidades, explore opções, negocie compromissos etc. Algumas pessoas levam a vida diária permitindo que um certo (des)tempero emocional esteja sempre interferindo no caminho. Elas complicam o que poderia ser muito simples.

CONTIGÜIDADE: É necessário brincar juntos. Alguns casais formam uma maravilhosa equipe de trabalho: conseguem redecorar meia dúzia de casas, educam meia dúzia de filhos, gerenciam empresas, mas jamais param visando apenas “estar”.

A contigüidade inclui todo o divertimento e recreação juntos, todas as trocas de afeição. Proximidade e afeto são as duas maneiras pelas quais sua energia é renovada. É isso o que significa recreação - ela re-cria você.

Não há nada como um abraço gostoso, rolar no sofá, ou dançar com a música bem alta, jogar almofadas um no outro, ou ainda passar um tempo agradável lendo histórias e se lembrando de momentos felizes.

Muitas pessoas, por diversos motivos, não aprenderam a brincar. Brincar significa estar disposto a “se fazer de bobo”. É algo que você pode aprender.

EQUILIBRANDO OS QUATRO “Cs”

Cuidado, co-valorização, cooperação e contigüidade fluem suavemente para uma comunicação saudável do casal.

Qualquer um deles em exagero pode tornar-se um problema. Por exemplo: brincar é muito bom, trabalhar também; mas seria muito ruim se o parceiro vivesse o tempo todo brincando ou pensando no trabalho. Equilíbrio é a palavrachave.

A vida em família pode ser um trabalho enfadonho, mas também pode ser o que vai fazer de você um maravilhoso ser humano. Dependerá de sua atitude para estabelecer uma bela comunicação. O casamento é uma arte extrema. Por isso, é preciso algum tempo para aperfeiçoá-lo. Aceite o fato de que você é um aprendiz, como qualquer outra pessoa sobre a Terra.

Mauri Luiz Heerdt
edital@missaojovem.com.br

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