Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Jovens

A vocês, pais e educadores, oferecemos esta reflex ão a respeito do moderno "culto ao corpo". Os padrões que a sociedade impõe, principalmente através da mídia, fazem com que cresça o número de garotas e garotos que, para buscarem um corpo perfeito, prejudicam seriamente a saúde.

Queremos elucidar alguns temas importantes relacionados a esta cultura: implantes de silicone, lipoaspiração, anabolizantes, dietas milagrosas, anorexia, bulimia e a ditadura das academias. Nossos jovens da era tecnológica sofrem com este novo tipo de escravidão, com esta cobrança incondicional para ter acesso a uma vida feliz e realizada entre os amigos.

A MODA!

A aparência física tem se tornado um fator cada vez mais prioritário na vida. Existe uma pressão social muito grande para que as pessoas sejam mais bonitas e mais fortes. É o exagero da vaidade para responderem às exigências da moda. Ter um corpo atlético, com músculos bem definidos, nariz empinado, seios fartos, enfim, um corpo à altura das modelos e dos modelos é o sonho de muitos adolescentes que ainda estão num processo de formação física e psicológica.

Isso tudo não pode ser para nós motivo de espanto, quando senhores e senhoras, nos seus quarenta e tantos anos, estão na mesma onda: silicone, academias, esportes radicais, cirurgias plásticas... O que nos preocupa é que essa garotada não tem conhecimento dos efeitos colaterais que, nesta busca incansável pelo corpo ideal, podem causar para a saúde e o amadurecimento deles.

O CORPO ESTÁ NA PRATELEIRA

O corpo está à venda. Basta ligarmos a TV, abrirmos as revistas e encontraremos ali corpos de modelos que passam a “água e pão” para não acrescentar dez gramas sequer de gordura nos corpos magérrimos.

Todo este incentivo da mídia com produtos direcionados a jovens sarados e a nossa própria cultura de um país tropical, criam pessoas preocupadas mais com o corpo do que com qualquer outra dimensão da vida: intelectual, profissional, social, espiritual e até familiar.

São jovens despreparados, em fase de amadurecimento, que ficam a mercê de cremes, anabolizantes, academias, cirurgias..., uma quantidade enorme de recursos propostos pelo mercado que estão gerando homens e mulheres insatisfeitos, pois descuidam dos valores essenciais que realmente geram a auto-estima.

GRAVES PROBLEMAS

Em uma sociedade em que homens e mulheres passaram a ser valorizados pelos centímetros a mais ou a menos, revelados pela fita métrica ou pela balança, ir contra tudo isso não deixa de ser um ato heróico.

Para a maioria que não consegue tirar os olhos do espelho nem para sentar à mesa e deliciar-se com um saboroso e necessário almoço ao lado da família, vão aqui alguns dos problemas que surgem a partir desta mentalidade:

• Bulimia

Esta doença psicológica é a que mais mata adolescentes. Muitas vezes a menina manifesta a bulimia, para depois desenvolver a anorexia. 90% dessas vítimas são mulheres. No auge da crise compulsiva, uma pessoa com bulimia chega a comer de 10 a 15 mil calorias em curtíssimo tempo. Em seguida, ela provoca o próprio vômito ou ingere laxativos.

• Anorexia

No auge da crise, a pessoa com anorexia perde todo o prazer em comer, ignorando até a necessidade de nutrir-se para sobreviver. Quem sofre de anorexia distorce a percepção de seu próprio corpo: ao olhar no espelho, sempre se vê muito mais gorda do que é na realidade. Essa doença pode até matar. Por isso a necessidade de, cedo, procurar um médico.

• Suicídios

Nesta busca desenfreada por corpos considerados perfeitos, muitos são os efeitos colaterais. Em casos extremos, temos um grande número de suicídios de adolescentes e jovens por estarem frustrados com seus corpos.

• Cirurgias estéticas

Em 1999, 30 mil intervenções cirúrgicas foram realizadas em adolescentes e jovens para corrigir pequenos detalhes estéticos. Em muitos destes casos, além da fortuna que se paga, eles carregam complicações pelo resto da vida, quando não, a trágica morte por causa de picaretas nesta área.

• Malhação e anabolizantes

O corpo do adolescente é muito mais vulnerável a exageros no levantamento de peso. Isso podem gerar seqüelas irrecuperáveis. Em hospitais e prontos socorros de todo o país vêm crescendo o número de atendimentos devidos à prática excessiva ou má orientação de esportes e musculação.

NOSSA AJUDA

Diante destes problemas apresentados, nos resta arregaçar as mangas e lutarmos juntos para que os nossos adolescentes não se deixem levar por esta moda da “corpolatria”. Podemos começar alertando essa galera para o fato de que pautar a vida apenas pelo espelho leva à frustração e à própria auto-rejeição: justamente o contrário do que eles sonhavam.

Dicas que podem lhe ajudar:

• Diálogo: converse com seu adolescente, ele precisa ouvir algo diferente do que é proposto pelas mídias e, se for preciso, procure orientação de profissionais.

• Elogios: seja delicado com ele. Elogie, faça bons comentários de seu corpo, ajude-o a encontrar um bom penteado, uma roupa, levante a auto-estima desta garotada.

• Compreensão: seja mais compreensivo com seu adolescente, pois não é um piercing ou algumas mechas coloridas no cabelo que irão levá-los à perdição. A compreensão ajudará a manter o diálogo.

• Limites: chegará a hora em que você terá que dizer não. E isso será necessário. Academias em detrimento do estudo, cirurgias em desacordo com a situação econômica... É preciso dizer não.

CORPO SAUDÁVEL

Quando falamos nos reflexos ruins que estão causando esta cultura do culto ao corpo, não queremos excluir a necessidade que todos temos, inclusive os adolescentes, de cuidar de nossa saúde corporal. Exercícios e boa alimentação colaboram muito para a realização física, social e psicológica dos adolescentes.

Nós mesmos, pais e educadores, podemos ajudar com nossos exemplos. Convidá-los para uma caminhada, um futebol, ir a praia e nadar..., atividades que, além de contribuir para uma maior aproximação, poderão educá-los no cultivo saudável do corpo e treinar o espírito na busca dos ideais que enriquecem a vida.

Redação
redacao@missaojovem.com.br

REFLITA

1 – Quais são as seqüelas na busca desenfreada pelo "corpo ideal"?
2 – Como podemos evitar que nossos adolescentes caiam neste modismo da "corpolatria"?
3 – Quais atitudes que, ao invés de "cultuar o corpo", trarão saúde e bem estar ao adolescente?

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