Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Jovens

Como já evidenciamos em edições anteriores, os adolescentes, frente a uma sociedade tradicional e preocupada acima de tudo com o lucro, muitas vezes podem firmar sua personalidade em Grupos de Iguais. Assim como uma criança prefere brincar com crianças e o jovem com alguém de sua idade, o adolescente não foge à regra e se identifica com os adolescentes. Segundo a psicologia, o grupo de iguais tem sobre o adolescente muito mais influência que seus professores, irmãos e pais. Esse grupo, determinante nesta fase da vida, é o que poderíamos chamar de TRIBOS URBANAS.

CONQUISTA DO ESPAÇO

Eles não são mais crianças, mas ainda faltam algumas características e comportamentos para serem considerados adultos e depositários da confiança de seus superiores.

Nesse relacionamento delicado com o mundo que o circunda, o adolescente busca, através do agrupamento, o seu lugar na sociedade. O aparecimento das espinhas, dos pêlos, dos seios, dos músculos..., afastam o adolescente daqueles que os conheciam como crianças e os aproximam dos que estão na mesma situação. Procuram se sentir normais.

Nesta fase, a educação familiar e a escolar podem dar referências, porém, mais significativo será o meio em que o adolescente se encontra à vontade: na tribo. Lá todos falam a mesma língua e se vestem a rigor.

AS TRIBOS URBANAS

Nos anos 60 os jovens incorporaram a cultura beat (“beatniks”, movimento dos jovens insatisfeitos com o papel que a sociedade impunha a eles), o rock, acrescentaram a droga, trocaram o preto dos beatniks pelas cores do arco-íris, a cultura pela contra-cultura, o ateísmo pela religião oriental e inventaram o movimento hippie. Foi uma tentativa de satisfazer seus ideais juvenis em contrapartida ao modelo pronto da sociedade adulta. Isso foi nos anos de 50 a 90.

O fenômeno foi se acentuando. Hoje, multiplicam-se as tribos urbanas, assumindo os nomes mais variados: Metaleiros, Góticos, Punks, Clubbers, Patricinhas, Skatistas.... E a liberdade de expressão que todos eles pregam, dá margem a negarem qualquer elemento que não seja do seu agrado. São livres para gozar a vida! E entre o diferente e o modelo tradicional cresce o preconceito e a discriminação.

“Afinal, devo ou não aceitar que meu filho faça parte de uma tribo?” Um dilema para os pais!

HÁ TRIBOS E TRIBOS

Uma dúvida, às vezes atroz, para aqueles que querem o melhor para seus filhos. Contudo, as tribos não são só os grupos que adotam roupas pretas, correntes, cabelos coloridos e espetados, piercings por todo o corpo, tatuagens e tantos outros apetrechos que ornam o visual daquele que quer seu espaço.

Existem tribos não tão contrastantes com o modelo tradicional, como:

os Pagodeiros, os Mauricinhos e Patricinhas, os Forrozeiros... Podemos também dar nome a tantas outras tribos que encontramos todos os dias, como: a tribo dos ‘bonés’, dos ‘esportes radicais’, dos ‘leitores’, dos ‘jogadores de futebol’ e assim vai. Há tribos e tribos!

SÃO NOSSOS ADOLESCENTES

Divididos em tribos ou não, nossos adolescentes estão ao mesmo tempo próximos e distantes de nós. Próximos, pois ainda dependem dos pais e estão cursando o ensino médio, mas distantes na forma de pensar e agir, sobretudo quando se trata dos mais ‘rebeldes’que já tomam bebidas alcoólicas e dançam freneticamente, noites afora, músicas eletrônicas, ou evitam apanhar sol para que a pele seja cada vez mais branca, contrastando com o vestuário preto das tribos dos Góticos.

Isso não necessariamente significa o fim dos nossos amigos adolescentes. Significa, sim, uma fase marcada por rebeldia e busca de espaço. Esta fase funciona como um rito para que se chegue à vida adulta, descobrindo, muitas vezes através da desilusão, o caminho para uma personalidade responsável e mais segura.

Nesta fase, a presença dos educadores e da família é a grande alavanca para uma experiência sadia e sem traumas. Evitem-se, porém, o preconceito e a discriminação que só os afastariam e acerbariam sua rebeldia. É preciso diálogo, compreensão, paciência e informação.

Apoiados numa reflexão do texto “Feios, sujos e malvados”, de Aldaíza Sposatti, concluímos: “A sociedade constrói e transmite valores, mas nem sempre é capaz de fundamentá-los na democracia, na justiça e na igualdade. Muitas vezes são valores em defesa de uma certa forma de viver, de um certo modo de vida nem sempre alcançáveis ou desejados por todos”.

ENCONTROS do MÊS

1.ª SEMANA - Estudo do tema.
Momento de oração.
Apresentação do tema do mês por um psicólogo ou um educador (30 min.)
Grupos (máximo de 5) para debater as perguntas: (30 minutos)
A) O que significa esta preocupação de sermos diferentes para conseguirmos nosso espaço junto aos mais jovens e adultos?
B) Alguém de nós participa de alguma tribo? Fale um pouco dela.
C) Por que muitos ficam surpresos ao verem adolescentes e jovens usando cabelos coloridos, peircings pelo corpo ou qualquer coisa do gênero?
D) E vocês, qual a opinião sobre as tribos de adolescentes e jovens?
Plenário dos grupos
Tarefa: Conversar com os pais sobre o que eles sentiriam se você fizesse parte de uma tribo como, por exemplo, a dos Góticos.

2.ª SEMANA - Espiritualidade missionária
Momento de espiritualidade (preparada antecipadamente).
Testemunho dos pais. Cada um relata seu papo com seus pais sobre as tribos.
Grupos: (Máximo de 5 cada) Que tipo de tribo é o nosso grupo? Identifique esta tribo: finalidade, ideal que o sustenta, características. (apresentar o resultado num cartaz)
Plenário: usando os cartazes.
Tarefa: Buscar ilustrações de adolescentes em suas diversas expressões. (Trazê-las no próximo encontro)

3.ª SEMANA - Empenho Missionário
Oração: Colocar as ilustrações no centro da sala.
A partir delas, cada qual reflete e reza pelos adolescentes.
Atividade missionária: Em grupos de três, os adolescentes sairão pela cidade e observarão as atitudes e interesses dos adolescentes encontrados. Poderão também conversar com eles sobre o que pensam das tribos, o que sonham de sua vida.(Tempo: uma hora)
Volta e plenário - Pergunta para o grupo: Nossa tribo está conquistando mais adeptos?
Tarefa: Dividir o grupo em duas equipes. Cada uma prepare, ao longo da semana, uma encenação interpretando uma ou mais tribos, com suas roupas, caracterizando-as e evidenciando seus lados positivos e negativos.
Convidar os pais para o próximo encontro.

4.ª SEMANA – Vida de Grupo
Oração - Ler Lc 2, 41-52. Jesus adolescente. O que Jesus nos ensina neste episódio de sua vida? Reflexões e orações espontâneas.
Encenações - As duas equipes apresentam sua encenação. Avaliação dos presentes.
E nós? O grupo apresenta aos pais sua tribo de adolescentes missionários e seu ideal de vida.
Confraternização.

ALGUMAS DAS TRIBOS MAIS CONHECIDAS

CLUBBERS
Filosofia: Surgiram com o intuito de explicitar o direito à diferença. Encaram a vida com ‘liberdade’ e muita música eletrônica.
Vestuário: Cada acessório significa uma reivindicação. All Star nos pés, roupas coloridas, peircings...

PAGODEIROS
Filosofia: Curtir a vida com muita roda de pagode, valorizando a cervejinha e sempre arrumando um batuque nos bares.
Vestuário: Antigamente o chapéu era marcante, hoje o traje é normal.

PUNKS
Filosofia: Buscam a liberdade de sentimentos e pensamentos com a utopia de um mundo de igualdade e paz, misturada a uma rebeldia que, em regra geral, não é destrutiva.
Vestuário: Jaquetas de couro, óculos escuros, jeans rasgado, cabelo estilo moicano e muitos peircings pelo corpo.

METALEIRO
Filosofia: Não pretendem difundir nenhuma ideologia específica.
Apenas curtem muita música Heavy Metal.
Vestuário: Camisas pretas com suas bandas favoritas, cabelos compridos, correntes no pescoço.

GÓTICOS
Filosofia: Posicionam-se contra o modelo de jovem que a sociedade aprecia.
Curtem letras melancólicas. Não pegam sol para serem cada vez mais alvos.
Vestuário: Cabelos longos, roupa preta, correntes, tatuagens...

PATRICINHAS E MAURICINHOS
Filosofia: Aproveitar a vida ao máximo com tudo que o dinheiro pode comprar. Gostam de mostrar posição, viagens, propriedades e influência.
Vestuário: Adoram roupas de griffe, perfumes caros, cabelo alinhado e falar no celular, nos shoppings é claro!

Ême Jota A expressão "programa de índio" é geralmente usada para indicar desprezo e ridicularização ... Pois é, pessoal, há cada vez menos diferenças: Trocamos seis por meia dúzia!

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