Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Jovens

Depois de tanto conversarmo sobre esta garotada, acredito que já está mais fácil entendermos suas interrogações, alegrias, medos, tristezas, mau humor, frustrações e os seus ideais. É sobre este último sentimento que gostaria de conversar com vocês pais e educadores.

Ao falarmos de “grandes ideais”, estamos indo além daqueles ideais referentes a mim, a minha família, ao meu vizinho, a aquisição de algum bem e por aí em diante. Os “grandes ideais”, numa reflexão mais humanitária, é o sonho dos idealistas em fazer um mundo melhor para as pessoas, independente se eu as conheço ou não, se os beneficiados serão de minha época ou não, se eles me agradecerão ou não, se são de minha raça, cor, língua, nação ou não. Estes ideais que moveram pessoas em toda a história, sempre estiveram ligados à liberdade, felicidade, vida digna, fraternidade, paz, em outras palavras, à Caridade, como bem nos explicou o missionário Paulo de Tarso (cf. I Cor 13, 1-13 ).

ELES PENSAM NO OUTROS?

Agora, quando refletimos sobre “os grandes ideais” pensando nos adolescentes, muitas pessoas poderão nos questionar afirmando que eles não enxergam um palmo a frente do nariz, o que na realidade não é verdade.

Quando crianças sim, eles são pequenos “piões” girando em torno de si mesmos, tudo fazendo em vista de satisfazerem suas necessidades. Eles são egocêntricos, mas por natureza.

Ao chegarem à adolescência, os que eram meninos e meninas descobrem-se num contexto de um mundo maior de relacionamentos, de afinidades e, por aí, começam a abrir-se aos outros. Neste período, embora em alguns casos possa não aparecer, eles já externam seus sentimentos de empatia: consolar a amiga que foi repreendida; uma palavra de coragem ao amigo que é excluído do grupo; ajudar a professora a fechar a sala, entre outras.

DA EMPATIA AOS GRANDES IDEAIS

A verdadeira felicidade está em ser útil ao próximo, ao grupo, no fazer o bem a alguém, embora isso não seja compartilhado por todos.

O adolescente já experimenta esta alegria quando sente o que o outro está sentindo e o ajuda. Contudo, trata-se de um sentimento que vai crescendo aos poucos e varia de pessoa para pessoa. Resta a nós, pais e educadores, despertar e incentivar este sentimento, pois é com exemplos que os convencemos se determinada atitude é boa ou não. Se falo e não faço é porque não vale a pena.

Devemos ter em conta também que essa nossa galera, nesta etapa da vida, sofre muitas mudanças físicas e psicológicas, que se forem experiências ruins, poderão se fechar e viver um processo amargo de solidão.

Pelo contrário, um adolescente que vive a empatia na família, na escola e em seu grupo, sem dúvida é um forte candidato a buscar e viver os “grandes ideais”. Experimentará a alegria de participar, de ser protagonista e de contribuir assim para um mundo melhor para todos.

UTOPIA

Neste contexto de esperança, de um mundo melhor..., podemos esbarrar com discursos que nos leva a refletir: “Um mundo melhor é possível?”. Às vezes isso parece até impossível mesmo. Contudo, mesmo se chegássemos a pensar desta forma, haveria sempre razões para educarmos nossos filhos e alunos para a solidariedade.

Os jovens e adolescentes precisam, mais do que nunca, ver em nós a convicção de que um mundo mais justo é possível. Precisam ver em nós idealistas convictos de que só haverá igualdade e paz se cada um assumir sua missão neste processo.

Se é utopia sonhar com crianças bem alimentadas ao lado dos seus pais, jovens divertindo-se com saúde, famílias vivendo com dignidade, nações em paz..., então Teresa de Calcutá, Betinho, Gandhi, Martin Luther King, os catequistas, os educadores, os voluntários... Teriam lutado e lutariam em vão!

VOLUNTÁRIOS

Muitas pessoas encontraram a felicidade no momento que começaram a estender a mão ao próximo. Segundo o site voluntarios.com.br, atualmente 54% dos jovens brasileiros querem ser voluntários, mas não sabem por onde começar. Esta estatística nos revela que esse pessoal, seja adolescente ou jovem, estão mais interessados pelo próximo. A nós, resta regar estas plantas.

Para que não desanimem por não saber onde atuar, apresentamos algumas formas de tornar concretos alguns dos “grandes ideais”:

EDUCAÇÃO: Nesta área, o adolescente e o jovem podem:

  • ajudar alunos com dificuldade de aprendizado nas tarefas escolares;
  • fazer mutirões de reforma e pequenos consertos em escolas;
  • organizar atividades extra-curriculares, como oficinas de artesanato, iniciação à informática, culinária, horticultura, fotografia, vídeo, etc;
  • organizar atividades que envolvam esportes ou passeios, como excursões, jogos e piqueniques;
  • arrecadar material escolar usado e distribui-lo entre alunos que têm menos condições, etc.

MEIO AMBIENTE: Neste setor, o adolescente ou jovem podem:

  • defender campanhas de preservação da fauna e flora, despertando a consciência ecológica em crianças, jovens e adultos;
  • fazer o replantio de árvores, criar canteiros de flores etc;
  • realizar monitoramento e denúnciade ameaças de poluição ambiental;
  • ensinar que é importante para as pessoas aprenderem a separar o lixo reciclável.

CIDADANIA: Nesta área há muito a ser feito, como:

  • reunir amigos para arrecadar alimentos e agasalhos para quem precisa;
  • criar um jornalzinho comunitário para dar informações sobre cidadania, direitos e outros assuntos úteis;
  • escutar simplesmente o que as pessoas têm a dizer. Pequenos gestos como esse significam muito para quem precisa.

E em cada uma dessas áreas, podem ser incluídos os asilos, creches, hospitais, famílias, orfanatos... É bom que realizem tudo isso acompanhados por responsáveis. Nossa galera possui muita energia e criatividade a ser aproveitadas, mas o proveito será bem maior se houver o apoio de adultos.

CONCLUINDO

E para encerrar, gostaria de enfatizar algo que, a meu ver, é de grande importância: Se quisermos ter filhos e cidadãos generosos, precisamos primeiro ser generosos com eles. O nosso testemunho os sustentará quando encontrarem outros afirmando que tudo isso não adianta, ou que “uma andorinha só não faz verão”. Contando com nosso apoio, eles poderão responder, na prática, que até “pode não fazer verão”, mas que fará a diferença para aqueles e aquelas que estão sendo ajudados.

VAMOS REFLETIR

1- Estamos de acordo que, devido às suas potencialidades, vale a pena investir mais nos adolescentes e jovens?

2- Sua comunidade está fazendo isso?

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