Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Jovens
SITUAÇÕES DA VIDA REAL Para ilustrar melhor o assunto que estamos enfocando, vamos apresentar duas situações do cotidiano de nossas vidas. O CASAL-CRIANÇA Rose tem 15 anos e está “ficando” com Marcos, 16 anos. Faz dois meses que eles se conheceram numa danceteria. Entre idas e vindas, beijos, amassos e por aí afora, Rose engravidou. Bom, resolveram que iriam morar juntos na casa da mãe de Rose. Vários problemas, no entanto, apareceram: os dois estudavam e não trabalhavam. Por sua vez, os pais deles não tinham condições de cuidarem do futuro neto, pois também trabalhavam. Conclusão: Rose teve que largar os estudos para cuidar do filho e Marcos teve que parar de estudar para prover o sustento da nova família. Nasceu o filho, mas os problemas de relacionamento e as brigas entre o casal apareceram em grande escala. Decidiram então que Rose ficaria cuidando do filho e Marcos voltaria para a casa dos pais dele. Aos sábados, Marcos visita o filho. O CASAL-MADURO João e Lúcia estavam casados há 27 anos. Fizeram tudo como manda o figurino: namoraram, noivaram, casaram na Igreja, tiveram filhos, que também já casaram, e viveram mais ou menos tranqüilos até há dois anos.
IMPORTÂNCIA DA PREPARAÇÃO As duas situações apresentadas demonstram bem a diversidade da nossa sociedade: temos problemas de relacionamento conjugal desde casais muito jovens até casais já bem maduros. Causas? Se enumerássemos todas as causas, com certeza seria muito mais fácil trabalharmos os problemas de relacionamento conjugal. Mas este é um assunto que tem muitas explicações. Uma das causas, não restam dúvidas, é a falta de preparação dos casais para o casamento. Mas seria um erro afirmar que é a única causa. A própria história de João e Lúcia mostra que precisamos de algo mais. Esse algo mais alguns chamam de “liga”, ou seja, a motivação que mantém o casal unido e feliz. Cada casal dá o nome mais apropriado para esta motivação: cumplicidade, companheirismo, espiritualidade, amor, reciprocidade, doação, fidelidade etc. Isso tudo não é fruto do acaso. Exige preparação. UNIVERSIDADE DO CASAMENTO Você faria uma cirurgia com alguém que não tivesse estudado Medicina? Você deixaria um açougueiro construir sua casa? Veja bem: nem todas as profissões exigem um curso superior, mas todas exigem preparação. O objetivo é muito claro: preparar-se bem para o exercício da profissão. Então, o que pensar do casamento que deveria durar a vida inteira e para o qual não existe aposentadoria? É, esta é a grande questão! Não se improvisa o bem viver. A necessidade de se buscar pensamentos e atitudes que tragam maior equilíbrio interior e serenidade, a arte de amar, de compartilhar, etc, são frutos também da preparação para tal. O próprio verbo “preparar” quer dizer “pôr em condições de atingir um objetivo”, isto é, a felicidade. Afinal, este é o desejo de qualquer ser humano. Casamento não é como um bom músico, que improvisa uma boa música. A música é um momento, o casamento é para a vida. Por isso, vamos abrir a universidade do casamento, oferecendo um “curso superior” que nos prepare para este desafio tão difícil, mas tão essencial para a nossa vida. O diploma não deverá ser um pedaço de papel, e sim a convicção de que estamos mais preparados para a vida a dois e à vida em família. A formatura não deve ter dia marcado, deverá ser marcada a cada momento, a cada dia, tecendo a arte de amar e de ser amado. UM LONGO TREINO Mas para chegar à formatura, precisamos exercitar a atitude da humildade: “Só cresce quem sabe descer!” Somente colocando-nos nesta predisposição vamos oferecer espaço para a preparação, para o crescimento. Almir Ribeiro Guimarães diz: “Casamento se prepara ao longo do tempo. Casar-se é realizar um projeto de amor, mas não de qualquer amor ou de qualquer paixão. O homem e a mulher se conhecem, vivem o tempo das revelações, das surpresas, do namoro. Exercitam-se na capacidade do dom. Um e outro se treinam na arte do bem-querer, do perdão, da ternura, da atenção. E os que se casam precisam saber que serão pais, educadores de seus filhos e seus primeiros e fundamentais educadores. Sim, casamento se prepara, e muito. Pena que muitos simplesmente passam a viver juntos...”. O sonho de entrar na igreja toda enfeitada com as mais lindas flores pode cair por terra por falta de preparação. Pensemos bem sobre isso. Casamento: os jovens acreditam nele? Você já refletiu o suficiente para entender que casamento não é a mesma coisa do que contrato religioso ou civil. Envolve isto, mas é muito mais do que isto. Se você por acaso nutre o ideal de unir sua vida para sempre com alguém que você ama, se você por acaso sonha casar-se e ser feliz para sempre com a pessoa amada, se você ainda tem muito de romântico em si a ponto de acreditar no casamento, é bom que saiba que o casamento tem seus dissabores. Não vai dar tudo certinho para vocês dois, não vai ser tudo um mar de rosas, os desencontros desafiarão muitas vezes o encontro de vocês dois, o ciúme voltará mil vezes disfarçado em zelo, a indiferença machucará algumas vezes o seu coração de homem ou de mulher, o silêncio magoará o encontro de vocês, um choro de filho o fará nervoso, uma teimosia do marido a fará perder o ânimo, alguma discussão não desejada causará silêncio entre vocês, o sexo não entendido ou feito em hora inoportuna trará insatisfação.
Mas o casamento continua valendo a pena quando tudo o que você acabou de ler, embora negativo, acontece com gente positiva que sabe que o amor é infinito. Seu casamento poderá não dar certo, mas, se você souber namorar direito e vocês dois se casarem para fazer o outro feliz, é bem possível que daqui a vinte e cinco anos ainda estejam namorando... e bem casados! Pe. Zezinho |
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