Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Jovens

E assim caminha esta nossa humanidade, amigos adolescentes. Foi estabelecido até um dia para se enganar as outras pessoas, embora na brincadeira. Conta a história que, por volta do séc. XVI, a França resolveu usar o calendário Gregoriano.

Com isso, mudou a data do ano novo, passando de primeiro de abril para primeiro de janeiro. Mas muitos não gostaram e continuaram comemorando a virada do ano em abril. Para tirar sarro com a cara dessas pessoas, outros franceses mandavam-lhes presentes estranhos e convites para festas que não existiam.

Desde então, esta data ficou conhecida como o Dia da Mentira. Embora seja um tema para todas as idades, preferimos refleti-lo com vocês adolescentes. Mas como lidar com a mentira quando ela pode ser prejudicial nas relações que estabelecem na sociedade e, acima de tudo, na formação da personalidade?

Liberdade ou libertinagem? Freqüentemente confundida com libertinagem, a liberdade comporta direitos e deveres que devemos seguir a rigor para mantermos ou conquistarmos a confiança de nossos pais, amigos, professores..., enfim, dos que nos rodeiam.

Quando se usufrui apenas dos direitos, esquecendo-nos dos deve-res, caímos na libertinagem, isto é, numa vida sem regras. Um exemplo: Quando vocês dizem algo para seus pais, o normal é que eles acreditem. Mas se descobrirem que vocês estavam mentindo, da próxima vez que vocês disserem algo, certamente eles ficarão desconfiados. E tenham certeza, a cada mentira, a desconfiança aumenta. Anotem: recuperar a confiança de alguém é bem mais difícil do que perdê-la.

Quem não é fã do famoso Pinocchio, boneco feito pelas mãos do bom velhinho Gepetto e que recebeu a vida pela vara de uma fada? Com vida, o boneco de pau pôde fazer opções e tomar decisões. E é aí que este conto de fada alça vôo. Para ser um menino de verdade, teria que mostrar um coração bom, livre de toda mentira. Mas a parada não foi fácil para Pinocchio e, a cada mentira, seu nariz ia aumentando, aumentando!

Certas situações, não restam dúvidas, podem colocá-los em apuros. Quebrar algo, esquecer de fazer isso ou aquilo, precipitar-se em algumas decisões. Mas isso não pode ser resolvido com uma “falsa verdade”. Seus narizes não crescerão, mas, com certeza, seus sentimentos de culpa sim. Vocês não serão adolescentes para sempre, e tudo o que viverem nesta fase da vida terá seus reflexos no futuro. Daí a importância de aprender a conviver, desde já, com regras, direitos e deveres.

Caso isso não aconteça, as conseqüências podem ser desastrosas. Saibam, portanto, usar bem de sua liberdade, sem usar de mentiras. Lembram do velho ditado que diz: “mentira tem perna curta”. Confesso que jamais encontrei ditado tão verdadeiro! Mentira e verdade são relativas? Sem querer ser pessimista, penso não ser fácil encontrar na sociedade pessoas que tenham a verdade como princípio de vida.

Martinho Lutero bem disse:

“A paz, se possível, mas a verdade a qualquer preço.” Que bom se assim fosse. Contudo, diariamente constatamos como a verdade é traída nas propagandas, campanhas políticas, promessas de pais para filhos, promoções e tantas outras situações que apresentam a mentira como se fosse verdade. Um exemplo: Na televisão surge a propaganda de uma pomada que vai acabar com as “espinhas e cravos”, tormento dos adolescentes.

É MENTIRA! Quem não sabe que nesta fase de transformação da vida vocês estão sujeitos a tudo isso? Mas a propaganda garantia o resultado! VERDADE?!

Outro exemplo: Quando vocês procuram encontrar seu grupo, aqueles com quem vocês mais se identificam, muitas vezes esta “tribo” não é a que seus pais pensaram para vocês. E daí surge o problema. Como lidar com tal fato? Talvez sonharam para vocês a faculdade de medicina, mas o que mais vocês querem é fazer teatro. Todos os seus amigos escolheram isso. Então, vamos lá: diálogo. Sem mentiras! Quando surge o confronto entre sua forma de viver com os amigos e aquilo que seus pais sonham para vocês, é importante que vocês tenham um propósito: jamais mentir.

Mais um exemplo que eu gostaria de apresentar e que ilustro com uma reportagem que assisti no programa Fantástico. O tema era “vaidade adolescente”, tratando das cirurgias plásticas em adolescentes. Os dados apresentados eram impressionantes: das 100 mil operações feitas no Brasil em 1994, 5 mil foram realizadas em adolescentes, o que representa 5% deste total. Quase uma década depois, em 2003, o número de cirurgias em adolescentes deu um salto enorme: subiu para 60 mil, ou seja, 15% das 400 mil plásticas registradas no país.

Sem generalizar, vejam quantos adolescentes vivem passando uma imagem que não é a deles. Descontentamento? Mentira? A reportagem dizia que a maioria das cirurgias servia para aumentar os seios ou diminuir a barriga. Não seria melhor agradecer a Deus por aquilo que somos, por respirarmos, por estarmos vivos, enfim, aceitar-nos como somos e admirar mais as qualidades que temos? Mas pelo instinto competitivo que temos, é comum que vocês queiram ser iguais a este ou aquele, ou querer ter algo que aquela pessoa tem ou faz.

Porém, cuidado com a imagem que vocês querem apresentar de vocês, pois a mentira pode não vir apenas por palavras, mas também por uma falsa imagem com que vocês querem se apresentar. Meus amigos e amigas, fiquem atentos e vivam suas vidas, acima de tudo, com a verdade. É o que faz a pessoa ser autêntica!

Cristian Góes
cristian@missaojovem.com.br

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