
 e
novo é Natal! Quais as imagens que lhe vêm à mente
ao escutar esta palavra? E os sentimentos que estão associados
a essa data, são de alegria ou melancolia? Quais as mensagens que
os meios de comunicação divulgam através das imagens
que se relacionam ao Natal? Será que refletem a grandeza do acontecimento,
ou seus reais objetivos são totalmente diferentes e distorcidos?
Se para nós adultos a época natalina já trouxe um
certo desconforto, pelos diversos motivos que veremos a seguir, imaginem
para os adolescen
tes que são alvos da mídia, cuja principal preocupação
é servir aos interesses do capitalismo!
O NATAL DO PAPAI NOEL
Belas
roupas, se possível novas; muitos presentes, se possível
caros; e boa comida. Essa é a receita conhecida das noites de Natal!
Um mês antes do dia 25 de dezembro, já
é possível observar a movimentação mercadológica:
- ruas iluminadas, casas enfeitadas e lojas com decorações
exuberantes apelam para o consumismo exagerado. Nada mais lembra a simplicidade
do primeiro Natal, dia em que nasceu o menino Jesus. Como então
vivenciar aquilo que queremos celebrar? O menino Jesus
foi trocado por um homem que veste roupas de inverno, quando, ironicamente,
aqui no Brasil faz muito calor.
Papai-Noel está em todos os lugares, permite que
as crianças sentem no seu colo aconchegante e lhe peçam
o que querem ganhar. Paz, amor, saúde, felicidade... irão
ocupar o primeiro lugar entre os presentes desejados? Não! O que
todos querem é o que o dinheiro pode comprar. Mas, devido ao triste
panorama econômico em que se encontra a maioria das famílias
brasileiras, frustração e dívidas acabam sendo o
resultado de tantos pedidos.
FRUSTRAÇÕES
Além disso, o Natal marca também o fim
de mais um ano, durante o qual muitos sonhos e projetos pessoais não
chegaram a ser realizados. Imersos em uma rotina alienante, talvez nem
mesmo demos o valor merecido àqueles que mais amamos: em primeiro
lugar a nossa família. Se nesta noite maravilhosa todos estaremos
sentados em torno de uma mesa farta, saboreando bons alimentos e distribuindo
os presentes “trazidos” pelo Papai-Noel, estranhamente, durante
o ano inteiro, dificilmente conseguimos encontrar o tempo indispensável
para fortificar a união familiar. Assim, os desentendimentos e
outros problemas familiares ou comunitários que vinham surgindo
não foram discutidos e, menos ainda, resolvidos.
Sentir-se só e cheio de tristeza,
ainda que rodeado de pessoas, ainda que a televisão e o rádio
nos digam que esta é uma noite feliz, hoje não é
algo difícil de acontecer. E um profundo vazio existencial toma
conta de nossos corações ao percebermos que, neste acontecimento,
entre os mais importantes de nosso cristianismo, não estamos celebrando
rituais de fé, mas o culto ao “deus” consumismo. É
uma constatação que dói muito, pois, dessa
maneira, foi-se embora a singela alegria da mais comovente e familiar
festa do ano. Será que não teria chegado o momento de revermos
em quais valores estamos fundamentando a nossa espiritualidade e a nossa
vida?
A ESSÊNCIA
Como então resgatar o verdadeiro sentido do Natal?
Não se trata de uma tarefa fácil, já que este resgate
deve começar agora, e a partir dos nossos corações.
É indispensável uma reflexão mais profunda sobre
os valores do Natal e sobre os personagens presentes na história
maravilhosa do nascimento de Jesus Cristo, o Filho de Deus que decidiu
plantar sua tenda entre nós. Voltemos à família
de Maria, de seu esposo José e do menino Jesus.
Foi o próprio anjo Gabriel, o mensageiro
de Deus, que um dia se dirigiu à jovem Maria dizendo-lhe: -
“Alegrese, cheia de graça! O Senhor está
com você”! Maria ficou espantada: o que isso
significaria? Mas o anjo a conforta: “Não
temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus!” (Lc
1, 30). “Você ficará grávida, terá um
filho e dará a Ele o nome de Jesus. Ele será grande e será
chamado Filho do Altíssimo... e o seu reino não terá
fim”.(Lc 1, 32-33).
Com coragem e muita fé, Maria respondeu-lhe:
“Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua
palavra!” (Lucas 1, 38). A disponibilidade de Maria nos comove!
O nascimento de Jesus poderia ter acontecido com tudo que a sua dignidade
merecia. Nada disso, Ele escolheu nascer na simplicidade de uma estrebaria,
cercado de animais, mas ao seu lado estavam José e Maria, os pais
que Deus havia escolhido para esta sublime missão. Esta maravilhosa
história de Deus feito homem para a salvação de uma
humanidade sem rumo, deve ser vivenciada profundamente pelos pais e pelos
educadores de hoje, para que possam transmitir aos filhos e aos alunos
o verdadeiro sentido do Natal.
BONS PRESENTES
Deus foi o maior presente para a humanidade. É
por isso que também hoje, no dia de Natal, costumase oferecer presentes.
No entanto, é justo e conveniente nos perguntamos:
o que deveria nos nortear na escolha dos presentes de Natal? Os
nossos presentes poderão ser os mais variados, contudo não
deve faltar o testemunho de tudo que falamos: fé, simplicidade
e, sobretudo, muito amor. Esses são os componentes mais preciosos
dospresentes que, mais uma vez, ofertaremos àqueles que amamos.
Mas, vejam bem, para obtê-los é necessário não
nos deixarmos iludir pelas imagens e mensagens divulgadas pelo Natal consumista,
e sim escutar a voz do nosso coração e dos mais sinceros
e profundos sentimentos.
E
para simplificar esta reflexão, diria: Seus filhos, seus
alunos, não precisam de um livro, de uma bicicleta ou de mais uma
jóia para viver, precisam, sim, e muito, do seu testemunho, do
seu olhar atento, do seu abraço, do seu beijo... Acredite, esses
são os presentes valiosos que você pode dar, embora não
sejam os mais fáceis, pois devem se tornar presentes diários.
Na noite de Natal, não pode faltar a oração: uma
oração espontânea, sincera, agradecida! Também
os adolescentes, embora possam parecer rebeldes, sentem a necessidade
desta oração. Ensiná-los a agradecer por suas vitórias
e por suas derrotas é uma oportunidade para a renovação
e o crescimento neste
processo de formação da personalidade.
FELIZ NATAL!
O Natal é a festa da vida! Pode ser sem
dúvida uma festa alegre, mas não de uma alegria que depende
de determinados presentes como: roupas, alimentos, etc. Não
de uma alegria falsa, de uma alegria comprada, mas da alegria vivida na
intimidade e no aconchego de um Deus que se fez um de nós. Fortalecidos
pela fé, deixemo-nos conduzir pelo brilho e pela beleza da vida
que, em suas diversas fases, inclusive na adolescência, nos aponta
o Menino Jesus.
Feliz Natal!
VAMOS REFLETIR
1.º
Como você se sente com a aproximação do clima natalino?
2.º Em que consiste a verdadeira alegria
do Natal? |