Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Jovens

O agitado coração adolescente, como diz Pe. Zezinho, é motivo de reflexões, tratados, artigos, temas de novelas, livros e, porque não, de dor de cabeça para pais e educadores.

No dia 19 de setembro, comemoramos o dia desta galera pra lá de especial. Chegam a ser 15% da população brasileira. Fazem diferença na hora das decisões familiares, nas tendências da moda, dos contrastes culturais e do futuro da sociedade.

Nesta edição, não queremos falar para eles. Não queremos dizer o que eles devem fazer ou o que devem compreender nesta fase da vida. Queremos apenas que eles saibam porque falamos tanto deles e o que eles acham de tudo isso.

É A IDADE “DO JÁ E DO AINDA NÃO”

Quando usamos esta expressão, queremos mostrar o quanto é bonita esta fase do amadurecimento. Deixam a infância para serem adultos, autônomos, responsáveis... Só que ainda não são, pois estão nesta transição “barulhenta”.

É a fase do “já e do ainda não”. Já não são mais crianças, mas ainda não são adultos. Os educadores, contudo, não consideram a adolescência como puramente uma transição da infância para a juventude, mas uma fase específica que deve ser vivida intensamente como as outras.

NÃO SÃO ADOLESCENTES, SÃO ABORRESCENTES

A complexidade desta fase revela um conflito de gerações. O resultado é: de um lado adultos insatisfeitos com as atitudes dos adolescentes, e do outro, adolescentes aborrecidos com a falta de compreensão dos adultos. O adolescente parece nunca estar satisfeito com a liberdade que a escola, a família e até os amigos lhe dão. Este comportamento de insatisfação com o mundo que o rodeia se apresenta aos adultos como rebeldia, como desejo de sempre estar contrariando o que está estabelecido.

É uma pena que as escolas e as famílias não tenham aprendido ainda a aproveitar esta característica dos adolescentes para um crescimento mútuo. Esta insatisfação é a mola propulsora necessária para uma sociedade não ficar parada no tempo. Bem dosada e equilibrada, esta deveria ser uma característica de todas as pessoas, mesmo que fôssemos chamados de “adultos-aborrescentes”.

É A FASE MAIS DIFÍCIL

Quando nos fixamos nas dificuldades que os adolescentes encontram nesta fase, é quase impossível não afirmar que é a fase mais difícil. Mas não podemos prender nossa atenção numa ou noutra situação simplesmente, pois desta forma não haveria fase que não fosse difícil. Cada etapa da vida traz suas alegrias e tristezas, suas dificuldades e facilidades. A adolescência pode ser uma fase difícil, mas também é uma fase alegre, diferente, cheia de vida, de sentimentos e de coragem.

AS DROGAS SÃO UM PERIGO PARA OS ADOLESCENTES

Pais e educadores preocupam-se muito com a droga na vida destes desbravadores que começam a sair de casa e iniciam um novo círculo de amizades. A preocupação é válida, porém não podemos cair na ingenuidade e achar que esta é uma característica própria dos adolescentes. A juventude também corre sério risco. Se pensarmos assim, estaremos subestimando a maturidade, que, embora parcial, está presente em muitos dos adolescentes.

É UMA FASE VIOLENTA!

Longe de justificar comportamentos violentos por parte de alguns adolescentes, queremos amenizar o impacto desta afirmação. A adolescência é um período em que o ser humano é mais ativo, mais cheio de energia, topa tudo e, muitas vezes, sem ter a clareza das conseqüências disso.

Agora pensemos: uma criança que desde os 4 ou 5 anos já fica diariamente horas na frente do vídeo-game, brincando com jogos de lutas e guerras, assiste a filmes com conteúdos violentos, presencia programas jornalísticos que apelam para mostrar a realidade violenta nua e crua, em muitos casos presencia brigas dos pais, familiares e vizinhos.

O que queremos? Que eles passem por tudo isso sem serem influenciados por tamanha violência que parece ser “normal”?

Embora já existam iniciativas que refletem o conteúdo transmitido pela mídia, inclusive por parte dos próprios adolescentes, é preciso também que os pais, em casa, sejam os responsáveis pelo “controle remoto”.

VIVA OS ADOLESCENTES!

Precisamos resgatar a beleza de ser adolescente. É necessário que comecemos a mudar os discursos que colocam esta turma ligada ao vandalismo, às drogas, à rebeldia e a tudo aquilo que foge do nosso controle ético já estabelecido e estruturado pelos adultos. A adolescência é o momento em que mais se ama a vida. É preciso saber usar este potencial que eles têm, essa energia, esta vontade de viver para que usem tudo isso nos seus grupos de iguais, no esporte, na família, na escola.

A Equipe do MJ sempre gostou dos adolescentes: pela simplicidade, espontaneidade e generosidade. Ao mesmo tempo, criticamos esta sociedade que, infelizmente, não é capaz de oferecer-lhes testemunhas convincentes e líderes que saibam entendê-los e canalizar suas energias.

Se eles apresentam aspectos difíceis de se lidar, por isso mesmo a Igreja, a escola e outras entidades devem descobrir, preparar e destinar, para este trabalho, as melhores lideranças.

Seria uma pena, quase um crime, se em vista das dificuldades a serem encontradas, os adolescentes tivessem que vivenciar esta fase sem o acompanhamento indispensável.

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