Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Jovens


Pe. José Negri

Continuando as reflexões sobre a caminhada vocacional dos jovens, neste artigo falaremos sobre o “guia espiritual”.

O primeiro confronto que um jovem encontra quando sente dentro de si algo que pode assemelhar-se à idéia de consagrar-se a Deus ocorre consigo mesmo.

É lógico que, inicialmente, ele se pergunte o que isso pode significar: Será que se trata de uma fantasia, de um erro, ou é algo real?

No decorrer das temáticas abordadas nas edições passadas, já refletimos sobre a capacidade de avaliarmos nossos desejos e aspirações. São João exorta: “Amados, não acrediteis em qualquer inspiração, mas examinai-as para ver se vem de Deus” (1Jo 4,1).

Nesta avaliação é fácil perder-se. Para muitos, este exame se torna cansativo, cheio de contrastes e argumentações a favor ou contra. Facilmente aquela inspiração e desejo inicial acabam sendo enterrados pelos nossos “porém..., mas..., e se depois..., vamos ver..., vou esperar mais um pouco..., me parece que..., não sinto mais nada..., talvez...”.

A CORAGEM DO CONFRONTO

Numa situação assim, precisa-se de muita coragem para se abrir com alguém e contar-lhe o que se passa em sua vida. Existe o risco de alguém levar a sério a aspiração, e aí você não é o único a ter o controle absoluto da situação. No entanto, uma vez que você falou com alguém e o seu desejo ou inspiração saiu de você e foi colocado nas mãos de outra pessoa, você sentirá um grande alívio pela clara impressão de ter superado um obstáculo e que algo começa a se movimentar.

Você passa a acreditar que não pode mais se esconder atrás de um anonimato, e que a companhia de alguém que entende o que está acontecendo com você lhe oferece possibilidades e maneiras mais concretas para uma verificação. Portanto, nessa situação, você deve evitar a tentação de se fechar na solidão.

E ELI COMPREENDEU QUE DEUS CHAMAVA SAMUEL

Já conhecemos a história bonita de Samuel, o jovem chamado por Deus a ser profeta. Nesse momento tão importante de sua vida foi muito importante a presença de Eli (1Sam 3,1-19). No relato bíblico, facilmente podemos perceber a importância da presença de Eli, um intermediário que, aos poucos, o orientou e lhe deu um rumo.

Embora não entendendo imediatamente do que se tratava, no fim conseguiu orientar Samuel. Sublinhemos outro fato: geralmente o chamado de Samuel acontece num templo, num lugar de oração, de recolhimento e de silêncio. Isso indica que, geralmente, o chamado de Deus se manifesta no contexto de uma comunidade cristã, onde se procura vivenciar o Evangelho.

É importante também se convencer de que uma vocação autêntica nunca é uma escolha própria, um cálculo ou um desejo pessoal, mas ela sempre vem de fora. O vocacionado deve se tornar disponível ao chamado e às indicações da Igreja.

MAS, COM QUEM FALAR ?

A resposta mais fácil e mais certa é que você fale com um “guia espiritual”, com o seu confessor, com aquele padre, religiosa ou pessoa que o conhece há tempo. Deve ser uma pessoa na qual você depositou a sua confiança, com a qual você já conversou e se sentiu compreendido.

Se for uma “pessoa de Deus”, ela conhece os caminhos da vocação e já aprendeu a discernir os desejos e as turbulências da alma. Esta é a pessoa que poderá lhe ajudar a colocar ordem dentro de sua vida e de seus pensamentos. Com segurança, ela lhe ajudará a peneirar as ilusões, a desativar os medos, abrindo-lhe um percurso de discernimento e de verificação.

Se for uma pessoa de um certo calibre espiritual, o guia conhecerá as ferramentas, os lugares e as experiências mais úteis para clarear mais e, em certos casos, aconselhará até de continuar a caminhada com outros guias.

De uma coisa se tem certeza: a Igreja não conhece “especialistas na vocação” ou “equipes” de laboratório especializados no estudo do fenômeno vocacional. Há, sim, pessoas mais preparadas, há mulheres e homens de Deus que exerceram e afinaram, ao longo da vida, o dom e a responsabilidade do discernimento espiritual.

UM CAMINHO DE CONFIANÇA

Se de um lado a vocação é uma realidade que deve ser guardada com carinho no próprio coração, por outro lado, como não é um merecimento próprio, mas um dom de Deus, deve ser compartilhado.

Com o guia espiritual deve-se ter a máxima abertura. No relato da vocação de Samuel, Eli lhe falou “Não me ocultes nada”, e Samuel “contou tudo, sem lhe ocultar coisa alguma”. No caso, vê-se claramente como Samuel teve confiança em Eli, homem que o Senhor lhe tinha posto ao seu lado como guia.

No caminho da direção espiritual, a coisa mais importante é a obediência no espírito. É um colocar-se nas mãos de alguém que me indica e me ajuda a fazer a vontade de Deus, que só quer o meu bem.

Dado que o caminho com o guia espiritual supõe uma relação a dois, é importante que ambos procurem o bem sem perderem sua originalidade e a própria identidade. É verdade que a um certo ponto da relação pode surgir uma dependência ou uma confiança quase infantil, mas o rumo que se quer perseguir é uma relação na qual se pode até chegar a ser amigos, mas com a presença de uma terceira pessoa: o Espírito que envolve os dois numa comunhão que vai além e que recorda as palavras de Jesus: “Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles” (Mt 18,20).

1.ª SEMANA
Estudo do Tema
(Convidar um guia espiritual)
Grupos:

  1. O que entendemos por “guia espiritual”?
  2. Geralmente você prefere resolver sozinho(a) seus problemas ou pede ajuda de alguém?
  3. Em quem você confia para resolver seus problemas ou para decidir sobre questões importantes de sua vida?
  4. Quais os motivos dessa escolha?

O(a) secretário(a) prepara suas anotações para o plenário a ser realizado no próximo encontro.

2.ª SEMANA
Espiritualidade
Plenário do debate realizado no encontro interior.
Reflexão pessoal (escrita, sem colocar o nome - 20 minutos)

  • Que repercussão teve na minha vida tudo o que foi dito no plenário?
  • Os depoimentos escritos são entregues e reunidos.
  • Cada um pega um depoimento e lê (sem saber de quem é).
  • Após cada bloco de depoimentos, cantar a estrofe de um canto apropriado.

Orações espontâneas.
Durante a semana - Procurar um sacerdote ou outra pessoa para uma conversa amiga e profunda.
No próximo encontro relatar como ocorreu.

3.ª SEMANA
Compromisso
Relato das Conversas Realizadas.
Atividade - Em duplas, realizar uma entrevista baseando-se nas perguntas realizadas no 1.° encontro.
(Trazer as respostas no próximo encontro por escrito ou através de uma encenação).
Convidar os pais para o próximo encontro.

4.ª SEMANA
Vida de Grupo
Relato da entrevista da semana.
Avaliação do Mês - Aprendizagem - dinâmica usada - empenho do grupo...
Confraternização

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