Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Jovens
SITUAÇÃO DIFÍCIL A juventude é o público alvo da indústria cultural. As músicas, a moda e o entretenimento têm seu alvo certo: atrair a energia revolucionária da juventude para consumir. A lógica é distrair a juventude com ilusões que não ajudem na mudança de pensamento e de ação. A situação, no que se refere ao jovem da roça, é preocupante, pois no projeto de agricultura do capitalismo, não há espaço para o camponês e, menos ainda, para o jovem do campo. Muitas vezes eles são expulsos do meio rural pelos projetos de grandes construções de usinas hidrelétricas, pelos grandes latifundiários que vão adquirindo mais terras, ou atraídos por uma vida mais digna através de empregos e facilidades na cidade. Há uma compreensão errônea muito forte: ser do interior é ser atrasado. Então, muitos dos que têm um pouco mais de condições estabelecem a sua moradia na cidade e continuam cultivando a terra. E quando lhes é perguntado onde moram, logo se identificam como moradores urbanos e desprezam a sua identidade rural. Um modelo de jovem da roça “adiantado” que nos é apresentado é o peão de boiadeiro, aquele que possui máquinas de alto valor, o grande produtor e assim por diante. UMA IGREJA PRESENTE Conhecendo essa realidade, a Igreja dá ênfase e apoio aos jovens para que eles possam desenvolver novas atividades produtivas, para a sua permanência e defesa de seu espaço, de seu habitat. Fornece-lhes recursos financeiros do Fundo Diocesano de Solidariedade para o desenvolvimento de hortas comunitárias, cooperativas e para incentivar a formação de grupos de jovens, fortalecer sua identidade rural e buscar alternativas de vivência comunitária e resistência. Em muitas comunidades rurais, o número de famílias, como também dos filhos, reduziram-se muito. Eis o porquê do escasso número de jovens.
Isso acaba influenciando também a educação deles, pois são levados a estudas no meio urbano, acabando por assumir as características dos jovens da cidade e entrando em atrito com os pais que já têm dificuldade para compreender seus filhos. Essas barreiras aos poucos vão se quebrando e dando lugar aos pequenos grupos de vivência cristã. Outra aposta da nossa Igreja é a formação de grupos de Pós-crisma, constituídos por adolescentes e jovens. A eles são oferecidas oportunidades de se envolverem numa atividade comunitária, o que os ajuda a sustentar sua fé, sua espiritualidade e os fortifica no seguimento de Jesus Cristo. Graças a Deus, aos poucos, um novo rosto juvenil vai se constituindo nas pequenas comunidades rurais. Apesar de todas as dificuldades, os jovens rurais sempre encontraram maneiras de se reunir, através das associações de jovens rurais ou dos grupos de jovens nas comunidades, para conviver e discutir os problemas concretos de sua vida, de seu grupo e da sociedade. É objetivo da Igreja capacitar o jovem da roça, através de uma formação integral e específica que vá de encontro às suas angústias e dificuldades, tornando-o sujeito da caminhada da Pastoral da Juventude Rural e de seu próprio crescimento. Procura-se também proporcionar ao jovem uma educação na fé do Deus histórico e libertador, oferecendo princípios cristãos e científicos que o ajudem no processo de análise da situação em que vive. Desta forma, motiva-se jovem para que se engaje na Igreja e na sociedade. MISSÕES JOVENS Uma outra forma usada pela Igreja para atingir os jovens rurais são as Missões Jovens, que têm como objetivo: - evangelizar, conscientizar,organizar e mobilizar os jovens rurais, transformando-os em sujeitos desse processo. As Missões Jovens significam a retomada da cultura religiosa popular. Elas têm uma dinâmica baseada na diversidade, no comunitário, nas necessidades e sonhos, nas experiências já existentes, nos desafios de organização, mobilização e formação. Uma metodologia adequada à realidade de cada paróquia, região e comunidade a ser atingida. A mística é algo que move para a ação. A compreensão de uma fé encarnada na realidade faz com que os jovens assumam mais a mãe terra como fonte de vida e a fé em Jesus que joga para o testemunho comunitário.
A mística é fundamentalmente Cristológica e tem em Jesus Cristo o modelo para a juventude e, no seu projeto, algo a ser seguido e construído. Um projeto cuja opção pelos empobrecidos é muito clara. Sua principal fonte é a Bíblia. Sua leitura é feita a partir da realidade, como também a fé é expressa em ações concretas e práticas. Assim, a educação na fé encarnada resgata a religiosidade popular, renova a vida comunitária e eclesial e leva o jovem rural ao compromisso para uma ação transformadora. Os sonhos, as idéias, os desejos, as lutas dos grupos são construídos com a contribuição do saber e da vivência do trabalho que nasce e se concretiza na caminhada de ação e sistematização. A vivência dos grupos é uma obra que vai se modelando conforme a realidade dos jovens rurais, conforme os anseios e alegrias de cada momento histórico vivido. Alguns dados: • Segundo o IBGE, censo 2000, 650 mil jovens trocaram o campo pela cidade. • Atualmente 5,9 milhões de jovens entre 15 e 24 anos vivem no campo, sendo 1,8 milhões em situação de extrema pobreza. • O Censo Escolar 2002, do Ministério da Educação e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), aponta que 94% dos estudantes do ensino médio residentes no campo freqüentam escolas urbanas. • Dados do IBGE alertam que o ponto máximo de migração do meio rural para o urbano está entre 15 e 19 anos para as mulheres e 20 e 24 anos para os homens. Um dos problemas decorrentes desta situação é o envelhecimento do meio rural. Cerca de 24% dos agricultores têm mais de 60 anos. • 22,8% dos adolescentes do campo estão fora da escola. • Adolescentes da área rural têm quase quatro vezes mais possibilidade de ser analfabetos do que os da área urbana. • 65,1 % dos estudantes rurais encontram-se em situação de defasagem idade/série, de acordo com os dados do MEC/INEP. • Dados do INEP alertam para a baixa escolaridade dos professores do campo (apenas 9% são formados em universidades) e a baixa remuneração (o salário é quase metade em relação àqueles que trabalham em áreas urbanas). • Segundo o Censo 2000 – IBGE, apenas 1,56% dos universitários do País eram jovens do campo, com idade entre 15 e 24 anos. Fonte: ANDI (Agência Nacional dos Direitos da Infância) Para dialogar e agir: 2.º O que o poder público e a Igreja devem fazer para segurar os jovens em seu ambiente rural? 3.º E o Missão Jovem, como poderia ajudar o jovem rural? Envienos sua sugestão. |
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