Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Jovens

ste mês, de 18 a 25, celebra-se a Semana do Trânsito. Faz-se importante e necessário termos um tempo especial para refletirmos e nos conscientizarmos de que o trânsito, tão presente e necessário no dia a dia de todas as pessoas, ceifa, por ano, milhares de vidas. Podemos afirmar que as vítimas do trânsito são antes vítimas do desrespeito às regras básicas e da irresponsabilidade. A reflexão de Maria Lúcia Junqueira de Arantes, gerente de campanhas educativas de trânsito, nos questiona e nos leva a termos uma postura mais crítica e consciente sobre esta temática.

Por que todo mundo acha que acidentes só acontecem com os outros? Por que é que todo jovem é um super-herói até que uma tíbia quebrada prove o contrário? Por que é que tanta gente, não apenas os jovens, dirige como se estivesse brincando num simulador, onde os choques, capotamentos, explosões e incêndios são virtuais e que não produzem dores nem luto em família?

A julgar pelo comportamento de muitos motoristas, pedestres, ciclistas e motociclistas, todo mundo está sujeito a acidentes. Os riscos a que os coadjuvantes do teatro do trânsito se submetem, na maioria das vezes, é desnecessária e até abusiva, fazem crer que eles se julgam imunes aos acidentes que podem os levar a danos irreparáveis ao seu corpo a até mesmo à morte.

Levantando algumas questões

O que levaria o ser humano a colocar sua integridade física em risco? Irresponsabilidade ou desconhecimento? Insensibilidade ou inconsciência? Inocência ou burrice?

Por que um garoto insiste em empinar sua bicicleta bem no meio do asfalto de uma rodovia, confrontando o tráfego em contrário, que passa a centímetros dele? Não lhe passa pela cabeça que um simples tombo sob as rodas de um caminhão pode causar danos irreparáveis?

Por que um pedestre insiste em driblar os veículos para atravessar a rua com o sinal desfavorável? Falta-lhe consciência de que, apesar de ser uma área de proteção, a faixa de segurança não é suficiente?

A consciência da finitude humana começa a chegar, nas mentes equilibradas, a partir de uma certa maturidade. Algumas décadas de vida são suficientes para que as pessoas passem a ter medo de altura, a pensar duas vezes antes de mergulhar numa água escura e desconhecida, a precaver-se e desligar o disjuntor antes de aventurar-se numa tomada elétrica com defeito.

Mas nem mesmo a maturidade traz a consciência de que um choque elétrico ou o mergulho em águas traiçoeiras podem ser menos danosos do que um acidente de trânsito. Alguém que tem medo de altura, mas dirige feito um doido, sabe por acaso que bater o carro a sessenta por hora equivale a cair do sétimo andar de um prédio? Não podemos condenar o otimismo, mas esse sentimento não é um dos mais adequados quando a vida humana está em jogo.

Não é aconselhável pensar sempre que tudo vai dar certo, quando, se algum pequeno desvio desmentir esse pensamento positivo, uma juventude inteira pode ser ceifada:

- um piscar de olhos pode ser suficiente para que toda uma vida de otimismo seja transformada no amargor de um futuro destruído – isso quando ainda resta futuro para ser lamentado.

A conscientização é indispensável

Conscientização deve ser a palavra de ordem, mas o medo da água fria só vem, infelizmente, quando o gato já está escaldado. Embora a situação original seja irremediável, uma vítima de atropelamento vai certamente pensar mais de uma vez antes de atravessar novamente a via – desde, é claro, que tenha sobrevivido ao atropelamento.

Um motorista embriagado, que condenou o resto da vida na semi-mobilidade de uma cadeira de rodas, vai amargar a ressaca da vida duas vezes:

- por saber que as coisas poderiam ter sido diferentes e por experimentar que agora não dá mais para escolher.

Mas não é o caso de privilegiar a desesperança. As pessoas conscientes de que a vida pode acabar por causa da demora de uma fração de segundo para pisar no freio, estão aí para garimpar soluções, não para levar flores ou bombons aos convalescentes – ou, em muitos casos, abraços de condolências à família. O trabalho dessas pessoas parte do conceito inarredável de que o ser humano tem solução, sim. A lapidação é possível até nas pedras mais toscas...

Para essa preservação da vida no trânsito, existem entidades que buscam encontrar caminhos que revertam a tendência suicida de grande parte dos atores do trânsito. Seu objetivo é conscientizar a sociedade, como um todo, de que o ser humano é a parte mais frágil, inconseqüente e insubstituível do cenário do trânsito. Isso é importante e urgente, pois a vida, a única que temos, não é restituível.

Para dialogar e agir:

1.º A seu ver, a que se deve a violência no trânsito?

2.º Quais as maiores imprudências no trânsito?

3.º É possível diminuir as tragédias nas estradas? O que você sugeriria?

Estatísticas Nacionais - Rodovias Federais

Cerca de 40.000 pessoas perdem a vida anualmente em acidentes de transito.
Em todo o mundo o trânsito ceifa vidas, mas os números brasileiros disparam na frente de qualquer país.

Principais causas: O erro humano é responsável por mais de 90 % dos acidentes registrados.

Eis as principais imprudências que causam os acidentes fatais no Brasil (por ordem de incidência):

• Velocidade excessiva;
• Dirigir sob efeito de álcool;
• Distância insuficiente entre veículos;
• Desrespeito à sinalização;
• Dirigir sob efeito de drogas.

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