A profecia de Isaías se realiza na pessoa de João Batista, aquele que veio preparar os caminhos do Senhor. João nos estimula a viver a espera do Natal de modo ativo e eficaz.
É preciso pôr em prática a criatividade para tornar
espiritualmente fecundo esse tempo. É bem verdade
que não basta o esforço humano, já que a graça
divina é fundamental.
A preparação dos caminhos do Senhor se converte,
para o cristão, em compromisso urgente na construção
de um mundo melhor.
O Advento faz desejar ardentemente o retorno de Cristo, único capaz de transformar as estruturas injustas de ódio e discórdia num convívio de irmãos. Enquanto desejamos que o Senhor venha, tememos que o mundo não esteja preparado para recebê-lo.
Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Liturgia
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O JÁ E O AINDA NÃO
A liturgia celebra o mistério de Cristo, ao mesmo tempo presente e ausente; posse e herança; graça e promessa. Portanto, o Advento se situa entre o já e o ainda não da salvação de Cristo. Na verdade, Ele está presente entre nós; sua presença, porém, não é ainda total, definitiva. Bilhões de pessoas ainda não ouviram a mensagem do Evangelho, não reconheceram Cristo, não pertencem à sua Igreja. Constatamos também que o mundo ainda não foi ainda inteiramente reconciliado com o Pai e muito falta para que a Boa Nova atinja e transforme todas as esferas do mundo e da história. É preciso, portanto, continuar anunciando a vinda do Senhor e implorar: Venha a nós o vosso Reino! PLENITUDE E ESPERANÇA A partir da vinda histórica já realizada no Natal, celebramos, na esperança, a vinda definitiva do Senhor no final dos tempos. Portanto, o Natal é antecipação de sua vinda gloriosa. Nossa esperança não é vã e sem significado. Enquanto Cristo não for tudo em todos para a glória de Deus Pai, temos motivos para aguardar a plena realização do Reino de Deus. Dessa forma, a cada ano, nossa espera torna-se mais intensa, mais ardente, mais comprometida. São Bernardo abade, comentando o espírito que deve perpassar esse tempo, comenta: Guarda, pois, a palavra de Deus, porque são felizes os que a guardam; guarda-a de tal modo que ela entre no mais íntimo de tua alma e penetre em todos os teus sentimentos e costumes. Alimenta-te deste bem e tua alma se deleitará na fartura (Sermão V: in adventum Domini). PERSONAGENS DO ADVENTO Isaías Isaías é o profeta da esperança messiânica. Céus, deixai cair o orvalho, nuvens, chovei o justo, abra-se a terra e brote o Salvador (Is 45,8)! Dizei aos tímidos: coragem, não temais, eis que chega o nosso Deus, ele mesmo vai salvar-nos (Is 35,4)! Alegrem-se os céus e exulte a terra, porque o Senhor
nosso Deus virá e terá compaixão dos pequeninos O Messias, nos anúncios de Isaías, aparece como o fruto da jovem que concebeu e dará à luz um filho e por-lhe-á o nome de Emanuel (Is 7,14)...
Isaías lembra também que a salvação é obra de Deus e que supera o próprio Messias: O Senhor está sentado no trono (Is 6,1), como o Deus forte (Is 9,5), Fora de Jahweh não há nenhum outro salvador (43,11). Só Deus defende seu povo, porque está próximo (51,22), intervém no seu destino (46,4), conduz a história (55,8-11), resgata Israel gratuitamente (55,1), para o louvor de sua glória (42,8). Israel será para sempre exaltado (2,11). O Novo Testamento retoma a esperança messiânica,
finalmente realizada. A oração do 1.º domingo do Advento
implora: João Batista Lembrando o profeta Isaías, Marcos dá início ao
seu Evangelho anunciando: João Batista é o anjo que abrirá o caminho (Lc 1,14-17). Ele é o homem da penitência, rejeita o supérfluo, cultiva a simplicidade, prega a justiça e o direito. No entanto, ele não se achava digno nem de desatar as sandálias do Messias do qual ele preanuncia a vinda (Mt 3,11). Assim ele se diminui a fim de que o Senhor cresça (Jo 3,30). Pela sua extraordinária personalidade, até hoje, o espírito e a virtude de João precedem o Advento e iluminam o caminho dos cristãos dando testemunho da luz (Jo 1,6). Maria
Maria, a Bendita entre todas as mulheres, é a mãe do Filho do Altíssimo (Lc 1,32-33) e a bem-aventurada porque acreditou e percebeu a grandeza do mistério da Encarnação que, através dela, se realizava. Ela tornou-se mãe, em primeiro lugar por ter pronunciado seu SIM à vontade do Pai. São Bernardo, em uma de suas homilias em louvor da Virgem
Mãe, comenta:
Ela concebeu o Verbo em seu coração, gerou-o em seu ventre, deu-o à luz na manjedoura, apresentou-o a Jahweh no Templo, educou-o em Nazaré, acompanhou-o na vida pública, caminhou com ele até a cruz, se alegrou com sua Ressurreição, recebeu com os Apóstolos a plenitude do seu Espírito, adormeceu nos braços da Igreja e foi coroada rainha nos céus. Todas as gerações a chamarão bem-aventurada, porque o Senhor fez e faz maravilhas em e por sua serva. Pe. Valter M. Goedert |
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