Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Liturgia
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MISSA É MISSA! No Brasil, a maioria do povo católico não tem a possibilidade de participar da Missa dominical. Embora a celebração eucarística seja a celebração mais plena e mais apropriada para se comemorar o Dia do Senhor, 70% das celebrações dominicais não contam com a presença do presbítero. O Povo, nestas celebrações de Deus, se alimenta da Palavra, na qual Cristo está verdadeiramente presente (SC, 7), porém, estas celebrações não podem ser confundidas com a Missa. Missa é Missa, dizem os bispos. A celebração da Palavra, mesmo com a distribuição da comunhão, não deve levar o povo a pensar que se trata do Sacrifício da Missa. CELEBRAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS No documento n.º 52, Orientações para a celebração da Palavra de Deus, a CNBB oferece elementos mais detalhados. Na primeira parte, o texto desenvolve o sentido litúrgico da celebração da Palavra: Através da Palavra de Deus, as comunidades celebram o mistério de Cristo em sua vida (6); a Palavra de Deus é um acontecimento através do qual o próprio Deus entra no mundo, age, cria e intervém na história do seu povo para orientar sua caminhada (10); contudo, as celebrações da Palavra de Deus atuam e frutificam à medida que há uma resposta de vida de fé, de esperança e de caridade da parte dos que escutam (24). Na segunda parte, o documento analisa os elementos que fazem parte da celebração. MISTÉRIO DA PALAVRA DE DEUS A Palavra de Deus é a primeira e a fundamental realidade à qual se liga todo o desenrolar do mistério cristão. A Palavra não representa apenas certo aspecto secundário da ação de Deus, mas, ao contrário, abrange toda a revelação. Com a Palavra, Deus cria o céu e a terra; por meio da Palavra, ele se revela aos homens; pela proclamação da Palavra, nossa Salvação se torna ato, se realiza. Deus, falando, cria e opera toda a obra da Salvação. A ALIANÇA COMO PALAVRA Nos sacramentos, a palavra opera aquilo que anuncia: é eficaz, operante, para santificar aquele que a acolhe como dom de Deus. Aí se realiza o pacto da Aliança e tudo deve convergir para a realização plena e diária desta Aliança. O INTINERÁRIO DA PALAVRA Pela Palavra, que se fez carne (Jo 1,14), toda a carne é chamada a se tornar palavra de louvor a Deus (Hb 13,15). A Palavra de Deus, que fez e faz a história, já está presente na consciência de cada homem, ainda que, por vezes, de modo implícito. Está presente na obra da criação, onde deixou seus vestígios (sementes do Verbo); esta mesma Palavra é levada às pessoas e aos povos pela evangelização, aprofundada pela catequese, celebrada pelos sacramentos e concretizada na vida diária. O DIÁLOGO DE DEUS COM SEU POVO A Palavra lembrada e realizada no sacramento deve transformar a existência do ouvinte. A liturgia realiza, pois, o contínuo diálogo de Deus com seu povo reunido.
CRISTO ESTÁ PRESENTE NA PALAVRA A Palavra é viva quando o interlocutor está presente e ela soa atualmente de sua boca. Somente a presença de Cristo impede que a Palavra se transforme em mero documento histórico. A Igreja tem o privilégio dessa presença, porque ela se identifica com o Cristo: ela é a sua continuação. Onde, pois, está a Igreja, aí está sua Palavra viva. CRISTO, PLENITUDE DA PALAVRA DE DEUS Cristo, sendo o Deus que revela, é, ao mesmo tempo, o Deus revelado. O Deus verdadeiro que Ele ensina é o Deus por Ele anunciado e nele reconhecido, assim como ao confessarmos o Filho confessamos também o Pai. Cristo é a verdade que nos liberta da mentira, o Amor que nos livra da solidão de nosso egoísmo. Ele é a Verdade e a Vida (Jo 14,6), a Verdade que nos ensina (Tt 2,12), ouvi-O, diz-nos o Pai (Mt 7,5). O Cristo não pode ser comparado, sob este ponto de vista, com Buda, Maomé, Confúcio ou qualquer outro fundador de religião. Nas outras religiões, a doutrina e seu objeto distinguem-se do fundador. Aqui, pelo contrário, a doutrina do Cristo tem o Cristo como objeto. Nossa fé é a fé no Cristo como Deus. A salvação é uma opção a favor ou contra Cristo. O Cristo é, pois, a plenitude da revelação. A PALAVRA DE DEUS É ATUAL HODIE (hoje): quantas vezes esta sugestiva palavra volta na liturgia. É impressionante como a Igreja faz uso constante desta palavra, no decorrer do ano litúrgico, tanto na proclamação da palavra como na celebração do mistério. Santo Irineu diz que o Espírito Santo, enquanto anima a Igreja, também rejuvenesce nela a palavra. Quando, no início da quaresma, soa novamente o convite: Eis agora o dia favorável, eis o dia da salvação, ninguém terá a tentação de regredir 20 séculos. Ele soa como um convite atual à conversão. A PALAVRA E O ESPÍRITO A doutrina da fé contida nas Escrituras é dom de Deus, é sopro de vida, contém o Espírito Santo. De fato, onde está a Igreja, está o espírito de verdade, e onde está o Espírito de verdade está a Igreja. O autêntico anúncio da palavra de Deus somente pode acontecer no poder do Espírito (1Cor 16,10). O Evangelista João, falando da ação do Espírito, afirma: Quanto a vós, a unção que recebestes dele permanece em vós, e não tendes necessidade de alguém que vos ensine; mas como sua unção vos ensina sobre tudo, e ela é verdadeira e não mentirosa, assim como ela vos ensinou, permanecei nele (1Jo 2,27). Santo Agostinho, comentando este texto, afirma sabiamente: Eis um grande mistério sobre o qual é preciso refletir, irmãos. O som de nossas palavras atinge os ouvidos, mas o verdadeiro mestre está lá dentro. Não acrediteis poder aprender alguma coisa de um som se dentro não está aquele que ensina. Inútil se torna o nosso ruído. Quereis uma prova disso? Não é verdade que todos vós ouvis esta minha homilia? Quantos sairão daqui sem nada terem aprendido? De minha parte, falei a todos; mas aqueles que o Espírito Santo não instrui interiormente, vão embora sem nada terem aprendido. O ensinamento externo é tão somente uma admoestação, uma ajuda. Quem ensina os corações tem sua cátedra no céu (Comentários sobre a Carta de São João - 3, 13) Pe. Valter Goedert REFLEXÃO EM GRUPO:
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