Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Liturgia


“Jamais a Igreja é mais digna deste nome do que quando está reunida na assembléia litúrgica” (Henri de Lubac)

Reunido em celebração, o povo de Deus se manifesta como Igreja, isto é, assembléia dos convocados pelo Pai em cristo na força do Espírito Santo. A diversidade dos dons e carismas, a variedade das experiências e vivências, a multiplicidade dos ministérios e serviços, toda a riqueza que constitui uma comunidade eclesial converge para o momento da celebração.

A IGREJA IDENTIFICA-SE

Se na escuta da Palavra a comunidade cristã recebe seu conteúdo, se na vida de comunhão e participação adquire sua estrutura própria, se no compromisso transformador encontra a orientação de sua ação, na liturgia descobre sua identidade. Celebrar é identificar-se, assuassumir-se, reconhecer-se, configurar-se.

Se celebrar o próprio aniversário é identificar-se nesta atual etapa da vida; se celebrar a formatura de alguém é reconhecer o novo papel que esta pessoa assume na sociedade, da mesma forma, quando um grupo de cristãos reúne-se para celebrar, ele identifica-se e configura-se como Igreja, isto é, entra em sintonia com a proposta e o projeto de Deus, que constitui a razão do seu ser e agir.

LITURGIA: MEMORIAL

Mas de que forma a liturgia cumpre esta função de dar identidade à comunidade cristã? Em primeiro lugar, ao trazer para a comunidade aquilo que é seu ponto de partida: as ações, as palavras, o projeto do Senhor Jesus. Liturgia é retomada de tudo o que Jesus Cristo fez enquanto esteve acampado no meio de nós, é tornar presente sua prática, na qual revela sua fidelidade ao Pai e sua solidariedade com o povo sofrido e marginalizado. Liturgia é sempre memorial, é sempre um "fazei isto em memória de mim". (1 Cor 11, 25).

Realizando esta memória, a liturgia faz com que a comunidade não seja qualquer grupo ou associação, mas comunidade cristã, Igreja de Jesus. Em segundo lugar, a liturgia cumpre sua função de dar identidade à comunidade dos cristãos na medida em que ajuda a compreender que aquela prática de Jesus não aconteceu apenas para um grupo restrito de pessoas, em determinado lugar e momento da história, mas é profundamente atual. Liturgia é reconhecer que a salvação, inaugurada por Jesus na Palestina, há dois mil anos atrás, acontece hoje.

É anúncio da “morte do Senhor até que ele venha” (1 Cor 11,26). É proclamação de que o Reino não é algo de um passado distante ou de um futuro longínquo, mas está no meio de nós. Realizando esta proclamação, a liturgia faz com que a comunidade sinta-se próxima e relacionada a Jesus Cristo. Em terceiro lugar, a liturgia constrói a identidade eclesial ao criar condições para que a comunidade assuma sua missão.

A memória das maravilhas de Deus não é uma simples lembrança, a proclamação da atualidade da salvação não é mero discurso, mas devem suscitar uma disposição:

“Que farei, Senhor?” (At 22,10). Liturgia é abertura ao futuro, comprometimento com aquilo que se celebra. Criando estas motivações, a liturgia faz com que a comunidade assuma seu compromisso batismal, tornando-se seguidora de Jesus Cristo.

Pe. Marcelo R. Guimarães
escritor
pemarcel@terra.com.br

Queridas Lideranças, Nossa força é a oração. Nos momentos difíceis recorremos a Deus, de modo mais intenso, a fim de encontrar nele luz e força para enfrentar os acontecimentos da vida. Nossa oração, no entanto, não é apenas uma experiência de comunhão com o Pai no plano individual: ela se abre para aqueles que aprendemos a amar e, assim, torna-se bem dos outros. Ainda mais valor tem a oração em que muitos colocam sua fé em Deus, recorrendo a ele em favor das necessidades de todos.

MARIA INTERCESSORA

Nestes dias, em que o povo passa por situações difíceis de desemprego e desequilíbrio econômico, de aumento no custo de vida, de provações e incertezas, percebemos que já se manifestam desânimos e falta de esperança. Temos, então, de voltar mais o nosso coração em prece a Deus. Ele, na sua bondade, ajuda nossa confiança e nos aponta Maria, como poderosa intercessão, a quem devemos nos dirigir. Como Mãe de todos e Padroeira do Brasil, sob o título de Nossa Senhora Aparecida, Maria nos ama e continua manifestando-se em favor de seu povo. É chegado o momento de pedirmos que ela nos ensine a rezar e a construir uma nação solidária e fraterna.

MODELO DE FÉ

Maria é modelo de fé em meio às provações. Seu coração nunca duvidou do amor de Deus e soube sempre nele confiar. Meditava, à luz da Palavra, nos acontecimentos de seu povo para aí descobrir a presença e a ação providente do Pai. Ela nos ensina que Deus tem solicitude constante pelos seus filhos e há de nos dar graça para superar o medo, a desesperança e encontrar força para buscar caminhos de justiça e paz. É para nós a mãe que nos revela o rosto amoroso de Deus. Ela nos comunica o amor que vence o egoísmo, a ganância e a acumulação de bens.

MÃE DOS POBRES

Precisamos redescobrir, pelo exemplo de Maria, que somos irmãos e temos de reaprender o respeito, o amor e a solidariedade entre nós. Sem amor não há superação do ódio, não há reconciliação e partilha fraterna. Como alcançar a justa redistribuição das terras e relações mais humanas no trabalho, se não houver a descoberta do direito de que cada irmão tem de que promovamos sua vida? Maria, como o Evangelho nos ensina, viveu vida simples, compreendeu e experimentou o sofrimento da vida humana e o drama dos pobres.

Invocando Maria, cada um vai aprender a respeitar a dignidade humana. Os empobrecidos vão assumir a própria dignidade, somar esforços, desenvolver os valores profundos da solidariedade e coragem diante das dificuldades. Também os mais favorecidos hão de entender que devem se empenhar para que os empobrecidos tenham condições humanas de vida.

UNIR AS FORÇAS

A solicitude materna de Maria deverá nos levar a encontrar, num clima de verdadeira concórdia social, soluções adequadas para o problema da terra, moradia, saúde e educação. Unamos nossa fé numa oração de filhos que invocam a Mãe comum, pedindo-lhe que nos eduque e oriente, que nos abra ao ensinamento de Jesus, aquele que veio anunciar o reino de justiça e fraternidade.

Dom Luciano
Mendes de Almeida
Arcebispo de Mariana - MG
dluciano@feop.com.br

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