Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Missão

Os areópagos modernos

Mauri Luiz Heerdt


A COMUNICAÇÃO E A INFORMAÇÃO


A comunicação, segundo Pe. Benedito Spinosa, faz parte da vida de todas as pessoas e, a cada dia, as novas tecnologias têm feito com que esse processo se torne muito mais abrangente. Constata-se facilmente que o progresso rápido dos meios de comunicação social está dando uma nova dinâmica às relações humanas, chegando a interferir no próprio modo de agir e de pensar das pessoas. Por isso, esse fenômeno desperta a atenção, a reflexão e a preocupação de indivíduos, grupos e entidades.

Em apenas um dia, hoje, podemos ter acesso a mais informações do que receberia, em toda a sua vida, uma pessoa do século passado. Ao ligar a televisão ou o rádio, ou ao ler um jornal, encontramos notícias do mundo inteiro e sempre atualizadas.

Isso chegou ao ponto de tornar-se uma necessidade para que indivíduos e entidades possam tomar decisões para seus negócios e para o convívio social. E não há dúvida, se forem bem usados, os meios de comunicação social podem ajudar muito na construção de uma sociedade mais justa e fraterna.

Naturalmente, se as pessoas têm o direito à informação, têm também o direito e o dever de questionar as fontes de informação, exigindo qualidade e verdade.

MCS E GLOBALIZAÇÃO

Nos últimos tempos, os meios de comunicação social forjaram uma humanidade conectada pela palavra, pela imagem e... pelos negócios, separando, ao mesmo tempo, por um fosso social, ganhadores e perdedores. É o advento da chamada globalização que, ao mesmo tempo, aproxima e distancia as pessoas.

O advento da sociedade da informação, segundo João Paulo II, é uma revolução cultural, que fez dos meios de comunicação o “primeiro areópago da idade moderna” (RMi, 37). Nele, fatos, idéias e valores estão constantemente mudando. Através dos meios de comunicação as pessoas entram constantemente em contato com outras pessoas e acontecimentos, formam as suas opiniões sobre o mundo em que vivem e constroem sua compreensão sobre o significado da vida.

Aparentemente, a globalização facilita a atividade missionária: viagens, comunicação etc. Mas o poder da mídia significa também uma nova colonização. Tudo vale para transformar o próximo em cliente e as relações humanas em relações de mercado. O mercado disfarça o preço, destaca o prazer imediato. Esta é a posição de Paulo Suess.

Em contrapartida, a caridade, a solidariedade e a justiça exigem luta e austeridade. A mística tem pouca visibilidade.

A globalização, com sua visibilidade e rapidez, colocou a missão em desvantagem frente aos consumidores da cultura televisiva do mercado. Diante disso, como afirmar que o Evangelho e a missão são essencialmente diferentes do marketing? Qual é a força do Evangelho junto aos que vivem à margem do sociedade sem vez e sem voz? Tudo isso desafia a prática e a reflexão missionária.

O LUGAR DOS MCS NO CRISTIANISMO

A Igreja, em sua preocupação evangelizadora, também quer e precisa estabelecer contatos para comunicar a mensagem de Cristo a todos, ao mundo inteiro.

Mas, para que isso aconteça de verdade, a mensagem precisa do comprometimento de quem a recebe. Nem o próprio Jesus obrigava as pessoas a acreditar no que Ele dizia. Quando curava, dizia “tua fé te salvou”, mostrando o quanto a adesão pessoal é importante para que a evangelização se concretize de fato.

Segundo o Pe. Libânio, os meios de comunicação são excelentes na rapidez e na quantidade de informações que divulgam. Eles multiplicam a ação dos missionários, trazem para dentro das casas uma avalanche de notícias vindas de todos os rincões do mundo. Tudo isso serve e muito, desde que as pessoas sejam movidas a seguir Jesus e introduzam as mesmas em comunidades, pastorais, grupos, movimentos... Mas parece que isso pouco acontece. Então, qual é o alcance e a função dos meios de comunicação? Sem dúvida, criar impacto, sacudir..., para que, em seguida, a pessoa se oriente a uma comunidade de fé, onde de fato pode viver o cristianismo.

Eles podem também proporcionar conteúdos às pessoas que estão em busca de informação e aprofundamento, como também abrem espaços para semear valores evangélicos de justiça, fraternidade e solidariedade. Isso é suficiente para justificar a preocupação da Igreja em aumentar sua presença no universo dos meios de comunicação, embora ela esteja convencida de que eles nunca possam suprir a importância do relacionamento individual e da vivência comunitária: lugar onde realmente se aprende a seguir Jesus.

DESAFIOS E OPORTUNIDADES

A evolução dos meios de comunicação, como já constatamos, é uma realidade. Isso apresenta para a Igreja muitos desafios mas também preciosas oportunidades. Entre os desafios podemos destacar três:

1. Como tirar proveito dessas modernas tecnologias para ampliar o anúncio da Boa Nova?

2. Como formar as pessoas e as comunidades para que saibam se relacionar com os meios de comunicação sem deixar-se dominar por eles?

3. Como usar adequadamente e com competência estes meios?

Se a Igreja souber responder a esses desafios, o Grande Jubileu dos 2000 anos do nascimento de Jesus poderá ser, para os discípulos de Cristo, uma extraordinária oportunidade de comunicarem mais amplamente a Boa Nova da salvação.

Os meios de comunicação, na aurora de um novo Milênio, podem ser uma voz poderosa e jubilosa a serviço da missão evangelizadora da Igreja. Pessoas para isso não faltam, é só a Igreja saber descobrir os talentos espalhados em suas pastorais e movimentos, animá-los, investir em sua capacitação e comprometê-los.

Para Refletir

1. Por que é importante termos acesso aos meios de comunicação?

2. Por que o Papa chama os meios de comunicação de areópagos modernos?

3. O que devemos fazer ao recebermos as informações dos meios de comunicação?

4. A Igreja pode estar mais presente nos meios de comunicação? Como?

REDE VIDA: A IGREJA INVESTINDO EM MEIOS DE COMUNICAÇÃO

“ A Rede Vida é a quinta rede de televisão comercial do Brasil e a segunda mais presente nas capitais estaduais. Com apenas cinco anos de história, ela se consolida e se caracteriza como o maior canal de evangelização do Brasil”. Esta é a afirmação de seu criador e diretor, João Monteiro de Barros Filho.

Das 27 capitais estaduais, a Redevida tem retransmissoras em 22. O canal tem 420 retransmissoras próprias, instaladas em mais 1500 localidades com retransmissoras secundárias.

Dos 163 milhões e 470 mil brasileiros, a Redevida cobre 61,60% da população: 100 milhões e 700 mil pessoas. Dos 38 milhões de domicílios com TV no Brasil, a Redevida chega a 72,15%.

Pela filiação à Brasilsat, pode ser captada por 6 milhões de antenas parabólicas que cobrem 22 milhões e 800 mil habitantes. Pelo sistema a cabo, NET E TVA, está em 3 milhões de residências, com 10 milhões e 200 mil pessoas.

Outros canais católicos estão surgindo e querendo se afirmar. É um sinal dos tempos!

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