Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Missão
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O papa João Paulo II nomeou padre Pedro Carlos Zilli para bispo da nova diocese de Bafatá, Guiné Bissau, África Ocidental. Ele será o primeiro brasileiro a ser bispo fora do Brasil.
SUA FAMÍLIA Dom Pedro Carlos Zilli, filho de José Zilli e Terezinha de Jesus Zilli, é o primeiro de cinco irmãos. Ele nasceu em Santa Cruz do Rio Pardo (SP) no dia 07 de outubro de 1954, mas, em 1971, transferiu-se com a família para Ibiporã (PR). Em 1976 entrou no Seminário do P.I.M.E. em Assis (SP). No Instituto Paulo VI, em Londrina (PR), fez o curso filosófico e cursou teologia em Florianópolis(SC), no Instituto Teológico de Santa Catarina (ITESC). No dia 05 de janeiro de 1985, foi ordenado sacerdote na Paróquia de Ibiporã (PR) e, em julho do mesmo ano, foi destinado à Guiné Bissau, onde permaneceu até fevereiro de 1998. MISSÃO Durante os 13 anos de missão, Pe. Pedro exerceu a função de vigário paroquial em Bafatá e Suzana, foi superior regional do P.I.M.E. e presidente da comissão de assistência aos seminaristas maiores da diocese de Bissau. Em fevereiro de 1998, depois de um período de estudos em Roma e nos Estados Unidos, Pe. Pedro veio para Brusque (SC), onde assumiu a formação dos seminaristas de filosofia do P.I.M.E. No dia 30 de março, em Roma, foi anunciada a sua nomeação a primeiro bispo da recém criada diocese de Bafatá, na Guiné Bissau.
1. Missão Jovem - Dom Pedro, fale-nos um pouco de sua família e de sua vocação. Dom Pedro - Venho de uma família muito simples, que sempre viveu dos trabalhos do campo. Atualmente, meus pais e irmãos vivem na cidade de Ibiporã (PR), com muita simplicidade e com aquela serenidade que vem de Deus e de escolhas fundadas na fé. Eu sou o mais velho de cinco irmãos. Os meus quatro irmãos são casados, têm filhos e vivem felizes. Meus pais vivem rodeados pelos filhos e netos e, quando vou visitá-los, sinto-me perfeitamente em casa. É importante termos uma família: o padre, o bispo, todos nós temos necessidade do aconchego de uma família, na qual nos sentimos acolhidos e amados. 2. MJ - Por que o senhor escolheu o P.I.M.E. para realizar a sua vocação missionária? Dom Pedro - A paróquia de Ibiporã, onde morava, é confiada ao P.I.M.E. Este Instituto Missionário, fundado em Milão, na Itália, já havia trazido centenas de missionários para o Brasil. Era impossível conviver com eles sem ficar impressionado com seu forte espírito e entusiasmo missionário. Neste ambiente, era habitual ouvir falar das missões, da necessidade e do dever de anunciar o Evangelho àqueles povos que ainda não ouviram falar de Jesus e, como conseqüência, não tiveram a chance de um encontro vivo com Ele. Pois bem, o P.I.M.E. faz exatamente isto: envia pessoas às missões para serem a presença de Cristo e da Igreja naqueles ambientes amados por Deus, mas ainda não evangelizados. Percebi também que, indo às missões, estaria retribuindo com minha vida o que muitos missionários fizeram para mim, para o Brasil. 3. MJ - O senhor já trabalhou 13 anos na missão da Guiné Bissau. Conte-nos algo dessa extraordinária experiência. Dom Pedro - Quero externar, sobretudo, um sentimento profundo que nasceu dentro de mim. Depois de 13 anos de experiência missionária, percebi que, geralmente, nós temos uma mentalidade muito estática sobre o conceito de pátria. Falamos do missionário como alguém que deixa sua pátria, sua terra e vai para uma outra pátria, outra terra. No entanto, quando saí da Guiné Bissau para vir ao Brasil, tive a nítida impressão que estava deixando a minha pátria, a terra, o povo que Deus colocou na minha vida e que eu havia aprendido a amar. Em todos os momentos, em especial nos mais difíceis, senti forte a presença de Deus na minha vida, como também senti que o povo da Guiné Bissau me amava, que amava os missionários. Isto é lindo demais: o povo ama os missionários e tem certeza que eles estão lá sacrificando suas vidas para que a Igreja possa crescer e as pessoas possam ser felizes, sofram menos, possam sonhar com uma vida melhor e tenham mais paz. 4. MJ - O que a África mais lhe ensinou? Dom Pedro - O africano sofre muito: as dificuldades são muitas e graves, inclusive guerras entre as diferentes tribos. Contudo, aqueles povos vivem a esperança de modo forte, intenso, inesperado. Eles não cansam de esperar, sonhando e lutando pela sua realização. O africano é muito ligado à mãe África. Aqueles que estão fora de seus países, por motivos de trabalho ou estudos, ficam sonhando com o dia em que retornarão à sua terra, aos familiares. É algo que impressiona! Aprendi também a alegria. O sorriso está constantemente estampado em seus rostos, mostrando claramente que, para eles, a última palavra não é a tristeza, a morte, a desesperança, mas, sim, a alegria, a vida, a esperança. E esta alegria, esta vida, esta esperança se traduzem na solidariedade entre eles, na hospitalidade, num filho que nasce, etc. 5. MJ - Ser Bispo, o primeiro Bispo missionário brasileiro, enviado para fundar uma nova diocese! Quais os sentimentos que tudo isso desperta no senhor?
Dom Pedro - Num primeiro momento, senti forte a sensação do meu limite, da minha pequenez, e me pergunto: Será que vou conseguir realizar esta grande e difícil missão? Será que serei um digno representante da Igreja do Brasil naquele Continente? Isto tudo, porém, acontece de modo muito tranqüilo. Sinto dentro de mim uma serenidade muito grande, uma força que vem de Deus. Sei que vou encontrar dificuldades por lá. E o que vou encontrar está muito bem expresso numa frase que o Núncio Apostólico de Dakar - Senegal -, Jean Paul Gobel, me disse quando telefonou para cumprimentar-me: Nós te demos uma cruz. É isto mesmo o que me espera: uma cruz. Mas Ele já foi à minha frente e estou certo de que Ele será a minha força em todos os momentos e dificuldades. Nestes dias, estou pensando na estrofe de um canto que diz: Quando de joelhos te olho, ó Jesus, vejo tua grandeza e minha pequenez. Que posso dar-te eu? Só meu ser. Sou teu, sou teu. É isto mesmo, sou pequeno, mas o Senhor me fará grande! Por outro lado, sinto-me honrado em poder representar a Igreja do Brasil lá nas missões. A Igreja do Brasil, que tanto recebeu e continua recebendo, vai se abrindo às missões. E que bom seria se eu pudesse contar com outros brasileiros por lá: padres, irmãs, leigos, jovens que querem viver a fé na linha de frente da Igreja Missionária. 6. MJ - Gostaríamos que o Senhor deixasse uma mensagem para os leitores do Missão Jovem. Dom Pedro - O Missão Jovem, nos seus 15 anos de existência, tem feito um grande serviço à Igreja do Brasil, às suas lideranças e aos jovens. E é especialmente aos jovens que dirijo esta mensagem. Estou certo de que o Senhor está chamando vocês para uma missão nobre neste país e no mundo. Todos esperam muito dos jovens, inclusive a Igreja. Sim, porque vocês, pela idade e pelos ideais que os animam, são muito generosos e capazes de grandes doações, de coisas lindas...! Mas, a muitos de vocês, o Senhor Deus está pedindo uma doação total e para toda a vida: na vida religiosa, sacerdotal e missionária. É claro que pode aparecer o medo de dar um passo tão decisivo e comprometedor, mas Deus não abandona ninguém, dando-lhes uma alegria tão grande que nunca o mundo poderá lhes proporcionar. Digo-lhes isso por experiência, depois de ter completado 16 anos de padre. Posso dizer-lhes que foram anos muito felizes, alegres e cheios de tantas recompensas. Deus é bom e não se deixa vencer em generosidade. O cêntuplo que ele prometeu aos seus apóstolos é uma realidade. E não esqueçam de rezar para a diocese e para o bispo de Bafatá. Lá, tudo está ainda por fazer! |
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