Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Missão
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Em meados de Outono de 1982, pus o pé nesta terra. Um vento suave e quente veio ao meu encontro. Cabras procuravam algo para comerem e uma palmeira era toda a vegetação que os meus olhos enxergavam. Como e de que vive esta gente? Foi esta pergunta que fiz a mim mesmo ao chegar em Cabo Verde, vendo a terra árida e a vegetação morrendo de sede. Recordei-me logo das palavras dos descobridores ao chegarem à Ilha de Santiago.
Passados alguns dias, estava já em Tarrafal. A pequena vila e as pessoas não me desencantaram. Comecei a amar o povo de Cabo Verde e a adaptar-me aos costumes daquela terra. Comecei a conhe-cer as características do terreno, a aspereza do solo requeimado e a amabilidade das pessoas, a morabeza, como eles dizem. Depois da Páscoa, percorri metade das povoações, algumas delas acessíveis percorrendo o caminho a pé. Via moças, elegantes como juncos agitados pela brisa, subindo e descendo pelos córregos, carregando pesadas latas de água na cabeça.
Poucos anos se passaram e o governo teve que enfrentar o problema do abastecimento de água. Com a ajuda do Banco Árabe de Desenvolvimento, pesquisou a existência de água no subsolo, fez reservatórios e conseguiu bombeá-la para as povoações dos montes. Dessa forma, suavizou a vida de muita gente. Também as picadas foram se transformando em caminhos e estradas empedradas. Multiplicaram-se os postos de saúde e as crianças tiveram escola. Mas os professores, por alguns anos, eram um tanto improvisados.
Em 10 anos, percorri praticamente todos os recantos dessa escarpada zona da terra. Como era bom ver a criançada, os adolescentes e os jovens a caminho da escola! Havia alunos que andavam por cinco horas na ida e o mesmo na volta. Sendo que a escola oferecia-lhes uma refeição, havia alunos que faziam esse percurso mais por causa da comida do que para estudar e aprender.
Aconteceu também que as populações que viviam nas montanhas foram progressivamente descendo para os lugares mais planos e se implantaram ao longo das estradas. Elas perceberam que era mais sensato deslocar-se alguns dias para cultivar a terra lá no alto do que descer e subir todos os dias por causa da água ou da escola.
Começam a ser implantadas indústrias de mão-de-obra intensiva, a começar pelas confecções. O próprio turismo apresenta-se atualmente como forte gerador de emprego. Cabo Verde está agora numa encruzilhada. O arquipélago tem que escolher: Dar prioridade à infra-estruturação? Combater a pobreza? Abrir a economia ao capital estrangeiro? Caboverdianizar as empresas? Contudo, é grave o problema da migração, como bem retrata o poeta João Rodrigues, Ai!, a dor pungente das nossas ilhas querendo e não podendo deter seus filhos. Ai, a dor que nos sufoca, de querermos e não podermos ficar. José Carreira Júnior |
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Colônia portuguesa durante cinco séculos, tornou-se independente em 1975. A República de Cabo Verde é composta pelas dez ilhas e cinco ilhotas do arquipélago que se encontra a 620 km da costa do Senegal e cuja superfície é de 4.033 km2.
O traço dominante da população de Cabo Verde é a mestiçagem, variável nas diversas ilhas. Cerca de dois terços dos habitantes são mulatos; o restante é composto por negros e, em menor escala, europeus. O arquipélago caracteriza-se pelo predomínio dos jovens e por um elevado índice de crescimento. Esse fator, unido à escassez de recursos, obriga a uma intensa emigração para países africanos e outros lugares como: Brasil, Estados Unidos e Europa. Para isso contribuíram também as desastrosas secas que se sucederam ao longo do século XX.
Cabo Verde, atualmente, produz somente dez por cento dos alimentos que consome. Cultivam-se legumes, milho, hortaliças, batatas e mandioca para o consumo e fomenta-se a produção de bananas, cana-de-açúcar, coco e outros produtos tropicais para exportação.
A abundância de pesca nessa região do Atlântico atrai frotas de muitos países, mas os habitantes de Cabo Verde começaram muito tarde a se beneficiar de sua exploração, devido à pouca eficácia dos métodos tradicionais. Diga-se também que o setor industrial é absolutamente inexpressivo. Com isso, a balança comercial apresenta déficit permanente e Cabo Verde aparece como um dos países mais pobres do mundo, com uma estrutura sanitária deficiente e um elevado índice de desnutrição que provoca um alto índice de doenças infecciosas e parasitárias. Muito espera-se na educação. O ensino é obrigatório e gratuito dos 7 a 14 anos. No entanto, a formação superior é obtida só no estrangeiro por meio de bolsas de estudo.
Os primeiros donos da terra eram praticamente todos cristãos e os missionários que serviam as comunidades foram lentamente cristianizando também os escravos africanos que receberam o Batismo, mas, muitas vezes, sem se deixarem penetrar pelos valores cristãos. Isto poderá explicar porque uma Igreja constituída desde 1533 não tem ainda hoje os sacerdotes suficientes para o serviço de suas comunidades e a religião é vivida de uma maneira superficial. Com falta de formação cristã, as seitas se multiplicam. Hoje, aposta-se numa nova evangelização, estimulada
também pela visita do Papa João Paulo II. Apesar do desgaste provocado pelo regime marxista, que fez um trabalho de desmobilização da juventude e da família, hoje vão surgindo cristãos conscientes e comprometidos com os valores morais para renovar a família e orientar a juventude. No dizer de D. Paulino, esta Igreja sonha poder partilhar com outras Igrejas a sua pobreza. |
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