Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Missão

AMÉRICA


Missionários catarinenses em Ipupiara - Bahia

sonho acalentado pelos grandes libertadores, a Pátria Grande, ainda está longe. O fosso entre o norte e o sul continua enorme. A pobreza e a exclusão social persistem e até aumentaram nos últimos anos. A violência urbana e rural são fatos cada vez mais comuns. Basta pensar na Colômbia, na Bolívia, na Venezuela e em alguns países da América Central e do Caribe.

Do ponto de vista cultural e religioso, os desafios constatados, de norte a sul da América, são muito semelhantes: crescem as seitas e aumentam os que se professam sem religião; ao mesmo tempo diminui o número dos que se dizem católicos. Governos, parlamentos e grupos de militantes movimentam-se para aprovar a legalização do aborto, da eutanásia, etc.

Os bispos latino-americanos (CELAM), que se reuniram no Peru em maio deste ano, em sua mensagem final declararam: “Na Igreja da América deve despertar a ânsia de levar o Evangelho a outros países e continentes”. Conscientes de que precisarão navegar “muitas vezes contra a corrente”, os prelados pedem que “sejam asseguradas as condições legislativas que permitam a todos, sobretudo aos mais aflitos, pobres e marginalizados levar uma vida digna”.

Em Cuba merece atenção a recente realização da 1.ª Assembléia Missionária Nacional. Dom Juan García Rodríguez afirmou: “Façamos da Igreja peregrina em Cuba uma Igreja missionária”.

O Papa Bento XVI, em sua mensagem aos participantes, dizia: “Os trabalhos deste encontro sejam um novo impulso para a incansável ação missionária no país, diante dos desafios da sociedade atual. Agradeço a Deus pelo passado e presente da vida desta amada Igreja em Cuba”.

EUROPA

Igreja da Europa, que ao longo dos séculos espalhou a Boa Nova pelo mundo inteiro, hoje se encontra diante de um grande desafio: como proporcionar um novo impulso à ação evangelizadora, principalmente para as gerações mais jovens?

A Europa, que conquistou um dos maiores índices de qualidade de vida do mundo, cada vez mais se recusa a receber pessoas de outros países, o outro, o diferente, os chamados extra-comunitários. Dá a impressão de que se esqueceu de seu passado, quando seus filhos e filhas mais necessitados foram recebidos em todos os outros continentes.

Na França, alunos e professores chegaram a ser proibidos de apresentar-se nos edifícios escolares com qualquer sinal religioso.

Na Espanha, o parlamento aprovou o matrimônio homossexual e a possibilidade de este casal adotar filhos. Por outro lado, em 18 de junho, em Madri, chamou a atenção do mundo a grande manifestação que reuniu um milhão e meio de pessoas em defesa do matrimônio, da família e da infância.

Na Itália, a Igreja posicionou-se contra o referendo sobre a reprodução assistida. A população atendeu ao pedido boicotando o referendo. Sobre este continente, vale lembrar a grande lição de João Paulo II: “A Europa não pode renegar suas raízes cristãs, sobre as quais surgiu”.

OCEANIA


Igreja no interior da Oceania

Oceania, com o menor espaço geográfico e a população mais reduzida entre os continentes, apresenta uma grande divisão: de um lado, a Austrália e a Nova Zelândia com suas indústrias, turismo etc., do outro, os indígenas, vivendo na miséria e correndo o risco de serem esquecidos. Os bispos da Oceania assim descrevem sua Igreja:

Ela é jovem, cheia de novidades, onde as culturas são ricas do senso do sagrado, mas torna-se urgente sua inculturação para que possa exprimir o Evangelho na mentalidade indígena. Devemos reconhecer que já houve um grande avanço neste campo, sobretudo nas liturgias nas línguas locais, nos edifícios de culto construídos em harmonia com a tradição, emprego do simbolismo indígena nos casamentos e nos funerais, tradução da Bíblia nas línguas locais, etc.

A Igreja da Oceania sente a urgência de trabalhar em profundidade a indiferença religiosa, sobretudo entre os jovens, a desagregação familiar, a falta de vocações sacerdotais e religiosas e o problema da dispersão das comunidades cristãs.

O ARDOR MISSIONÁRIO

Para Jesus Cristo, a missão nasce do amor. Quando, após a Ressurreição, o Divino Salvador envia os discípulos para anunciar a Boa Nova da Paz, manifesta a sua vontade de que todos conheçam e coloquem em prática os seus ensinamentos.

Sua intenção é de dar ao mundo condições de uma Vida nova, que prepare a plenitude da vida eterna e feliz. Diante de um mundo mergulhado na desigualdade social, na violência, na rivalidade e na desordem de valores, Jesus traz a todos sua mensagem de perdão dos pecados, de reconciliação e partilha fraterna.

A proclamação do Evangelho é para Deus o caminho de uma conversão nas atitudes pessoais e no relacionamento entre grupos, povos, nações. A ação de Deus é pedagógica. Educa-nos para o respeito, estima e amor gratuito e introduz, assim, no coração humano, um dinamismo de reconciliação, concórdia e paz.

Cabe aos discípulos de Jesus discernir os “sinais dos tempos” e perceber onde são chamados a atuar pelo testemunho e pela palavra. Na atual conjuntura torna-se necessário iluminar com o Evangelho o valor da vida humana, desde o primeiro momento de sua concepção até seu termo natural. A dignidade de cada pessoa, à luz do amor a Deus, precisa ser cada vez mais defendida e promovida numa sociedade que continua gerando milhões de excluídos sociais.

Todos os cristãos, mas especialmente os líderes, são chamados a refletir sobre a especial missão que lhes compete. Quando a vida humana é colocada em constante risco por agressões, seqüestros, ações exorbitantes de poderio militar, atos covardes de terrorismo contra inocentes, aumento da miséria e pesquisas científicas sem critério ético, temos o dever de reafirmar a dignidade e inviolabilidade da vida humana, dom de Deus.

Em nosso País há algo de característico em relação à missão evangelizadora. Somos uma nação iluminada pela revelação cristã e com séculos de vivência católica. Temos, assim, a sedimentação histórica dos valores evangélicos da família, da convivência fraterna, do respeito ao pluralismo, da integração da etnia e nacionalidade, da capacidade de perdão e outras marcas da mensagem de Cristo. Frente às demais nações, somos chamados a manifestar nossa fé e anunciar a outros grupos sociais a beleza e a força transformadora do Evangelho.

A missão de evangelizar é, assim, fruto do zelo em oferecer a outros os ensinamentos de Jesus. O zelo missionário é a expressão de nossa vontade de fazer o bem aos que ainda não conhecem a beleza insuperável da misericórdia e do perdão de Jesus Cristo.

É a hora de muitos jovens assumirem a alegria da missão nos ambientes em que vivem, difundindo a Boa Nova de justiça e de concórdia. Unamos nossas preces para que Deus abençoe ainda mais a generosidade de nossos jovens. Nossa Mãe e Senhora os anime e ajude. Possam, com entusiasmo, alegria e coragem levar a muitos outros povos a beleza incomparável do Evangelho.

Dom Luciano Mendes de Almeida

ÁFRICA


Missionários na África

África é a grande esperança da Igreja. Segundo constata a edição do Anuário Estatístico da Igreja, nos últimos 25 anos os católicos quase triplicaram! Persiste, no entanto, o grande drama social africano.

O Papa Bento XVI apelou à comunidade internacional para que se empenhe cada vez mais na resolução dos problemas da África:

“Faço um pedido às nossas instituições católicas e à comunidade internacional para que se sintam cada vez mais interessadas pelos problemas do continente africano”.

Hoje vários países estão condicionando sua ajuda à eliminação da corrupção que impera nos governos de vários países africanos. A decisão é justa, pois não adianta enviar ajuda para alimentar a corrupção.

O papa Bento XVI confirmou também a intenção, já anunciada pelo saudoso papa João Paulo II, de convocar um sínodo especial dos bispos africanos. “Tenho uma grande esperança que esta reunião dê um novo impulso à evangelização do continente africano, ao crescimento da Igreja, bem como à promoção da reconciliação e da paz”.

O anúncio alegrou a Igreja da África, que é conhecida pela sua juventude e pujança, mas que, ao mesmo tempo, se debate com gravíssimos problemas, como os conflitos, a pobreza, a fome, as doenças, em especial o problema da Aids, que está ceifando a vida de milhões de africanos. A esperança é que um novo sínodo africano contribua para arrancar o continente do esquecimento, aproxime seus povos e estimule a solidariedade e a justiça.

A expansão do Islamismo, principalmente nos países em que há uma concentração de correntes mais radicais, éoutro grande desafio para o Cristianismo no continente africano. Felizmente isso não é unânime, pois estão aparecendo alguns sinais positivos.

No Marrocos, por exemplo, aconteceu a reforma do direito da família, estabelecendo uma maior igualdade no respeito às mulheres.

O Egito introduziu no calendário a festa de Natal e autorizou nas escolas uma hora de cultura cristã. Isto significa que, ainda que se registrem atos de violência, é reconhecida a presença dos cristãos no contexto da nação. Dos quase 2000 missionários brasileiros além fronteiras, o contingente maior desenvolve sua missão na África, principalmente nos países de língua portuguesa: Angola, Moçambique e Guiné Bissau.

ÁSIA

ste continente, onde mora mais da metade da população mundial, é portador de culturas e religiões muito arraigadas na vida cotidiana.

O Cristianismo, com exceção nas Filipinas, é pouco difundido. Em outros vive praticamente na clandestinidade. É o caso da China, onde bispos, sacerdotes e leigos são encarcerados devido à sua fidelidade ao papa. Para reatar relações, a China impõe condições: que o Papa não interfira na situação religiosa do país, que não nomeie bispos e renuncie a suas relações com Taiwan.


Missionário no Camboja

Diante destas condições, Bento XVI afirmou: “Esperamos que o diálogo avance”.

Na Índia, diante da crescente tendência de identificar a pertença religiosa com o Estado, quem não é hindu é considerado um corpo estranho na nação indiana. Mas em alguns países estão aparecendo sinais muito positivos.

Na Coréia do Sul, a Comissão Justiça e Paz da Conferência Episcopal Sul Coreana propõe a defesa dos direitos dos agricultores, convidando os católicos a recuperar a simplicidade em suas vidas e o contato com a natureza que ajuda a busca espiritual do ser humano e sua relação com Deus. Ainda na Coréia do Sul, católicos, protestantes e budistas deram início a uma “Aliança civil” para defender a vida desde o nascimento até a morte, proteger a família e promover um aumento da natalidade.

O Qatar, país do Oriente Médio e quase totalmente muçulmano, estabeleceu relações diplomáticas com a Santa Sé e permitiu a construção de uma igreja católica.

PARA REFLETIR:

  1. Que outros aspectos sociais e religiosos dos cinco continentes poderíamos acrescentar a esta reflexão?
  2. Será que cada um de nós e nossas comunidades cristãs poderiam atuar missionariamente nessas realidades? Como?
  3. Qual o nosso empenho para suscitar vocações missionárias?

Mauri Luiz Heerdt / Redator do Missão Jovem

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