Igrejas Irmãs
O projeto Igrejas-irmãs é um projeto corajoso que desafia
a todos à vivência da vocação missionária
e à prática da caridade, a maior virtude ensinada por Jesus.
Após o Concílio Ecumênico Vaticano II, a Igreja do
Brasil sentiu
forte o dever e a urgência de assumir
a sua vocação evangelizadora e se perguntou: Por que não
verificar a nossa paixão missionária em regiões
mais carentes do nosso país?
Foi então que, em 1972 surgiu
o projeto “Igrejas-irmãs”, com o objetivo claro de
despertar a solidariedade
entre as Dioceses e os Regionais. Disseram os bispos, dirigindo-se às
Igrejas do Brasil: “Aquelas que têm maiores recursos, colaborem
com as menos favorecidas.
Todas as dioceses, ainda que pobres, sempre podem contribuir em favor
de outras mais pobres”. Engana-se quem pensa que ajudar é
uma via de mão única, pois “há mais alegria
em oferecer do que em receber”.
A missão me deu
novo entusiasmo!
Conversamos com Domingos Francisco Pereira, “seu” Domingos,
como carinhosamente o chamamos,
para trazer a vocês a sua experiência missionária.
Na simplicidade de suas palavras, poderemos ver o entusiasmo que a missão
gera no coração não só dos religiosos e padres,
mas também no coração dos leigos.
“Seu” Domingos, conte-nos um pouco da sua experiência
missionária!
Olha, eu participei de cinco missões organizadas pelo projeto
“Igrejas-irmãs” que há entre
a Diocese de Florianópolis e a Diocese de Barra(Bahia). E, além
dessas experiências, fui por minha própria conta outras seis
vezes.
Para mim, poder participar
de uma missão é como um prêmio! As missões
nos ensinam
muito. A gente vai lá para doar e acabamos por receber muito mais,
acabamos aprendendo.
Nós vamos lá para evangelizar
e saímos evangelizados.
Ser missionário é ter disponibilidade
e prazer em fazer a missão.
Tem que estar disposto a enfrentar qualquer coisa, qualquer situação,
qualquer realidade.
Uma situação me deixou muito comovido e de mãos atadas:
numa palestra quando estava falando de esperança para a comunidade,
soube que entre os que estavam presentes havia uma família
que há 60 dias não tinha R$ 1,00 no bolso. O que dizer?
O que fazer? A gente se sente incapaz.
Fazer caminho é construir alternativas com e para
a comunidade.
Numa outra visita, instalamos um engenho de farinha de mandioca. Esse
feito deu-se graças à ajuda financeira de minha comunidade,
especialmente de alguns amigos para a compra de equipamentos.
Então fui para lá para construir e instalar o engenho. Orientamos
de que esta era uma alternativa viável.
Hoje eles plantam mais mandioca, já tem um maior interesse pelo
que eles são capazes de produzir. O engenho tem capacidade para
fazer 20 sacos de farinha por dia.
Uma das minhas maiores alegrias ocorreu no dia em que estava visitando
uma família e tive a felicidade
de assistir a troca da farinha, por eles fabricada, por outros alimentos.
Ver que o pouco que fiz está ajudando
muitas pessoas é imensamente gratificante.
Nessas minhas andanças percebi que com vontade e um pouco de dinheiro
se consegue fazer muito por essas comunidades.
Todas as vezes em que fui, sempre levei algo que pudesse suprir algumas
necessidades da comunidade. Sempre
arrecado muita coisa. As pessoas vêem que o meu trabalho é
sério e me ajudam bastante. Também faço economias,
todo mês reservo uma parte do meu orçamento para as missões.
Na última missão levamos 3.520 peças de roupa e 800
brinquedos.
Para a próxima missão, o meu objetivo é levar computadores.
A comunidade
sentiu a necessidade
e me pediu. Eu já estou correndo atrás!
Algo que jamais esquecerei
foi o que presenciei
na véspera do dia 12 de outubro: vi mães mais alegres que
as próprias crianças pelos presentes que seus filhos receberam,
pois nunca tiveram a oportunidade de dar um presente assim para seus filhos.
A missão fascinante!
Outro fato que me chamou
a atenção foi ver que a própria comunidade
começou a exigir
da prefeitura um maior incentivo. Esse trabalho é um exemplo para
a prefeitura e outros organismos públicos de que é possível
fazer algo para a comunidade
crescer e se desenvolver. O que falta é incentivo!
Em questão de fé, o povo é tão crente quanto
nós, ou até mais! A dificuldade está em celebrar
a Eucaristia. As celebrações com a presença do padre
são escassas, às vezes eles ficam um ano sem a celebração
da Eucaristia.
O que a missão me acrescentou? A missão é fascinante.
Preenche qualquer vazio. Enriquece muito, dá sentido à vida,
dá um novo vigor,
realiza a pessoa por completo. Eu não faço missão
para aparecer, é um trabalho que é feito com muito carinho
e amor pelas pessoas, sem alarde, mas que produz muitos frutos.
Os missionários devem ter alegria
de evangelizar e mostrar isso no sorriso! E também fazer esse trabalho
de ajuda humanitária.
Espero que esta minha experiência
missionária tenha animado muitos leigos e leigas a se engajar pela
causa do Reino. A levar não só a mensagem de Jesus, a Boa
Nova, mas também comungar de outras realidades sociais, levando
aos nossos irmãos uma mão amiga e solidária. Falo
a você com o coração repleto de felicidade: vale a
pena!
Recebemos também a carta de Terezinha Nair da Rosa que fala de
sua experiência. Ei-la:
“Ao deparar-me com a situação, me senti muito pequena
e muito pobre
de espírito. Pedi luzes ao Espírito Santo e a proteção
de Santa Teresinha
para continuar a missão. Implorei a Deus para me transformar em
uma chama para iluminar o meu redor enquanto
lá ficasse.
A experiência foi sensacional! Convivi com pessoas muito simples
e humildes que sobrevivem abaixo da linha de pobreza. No entanto, pessoas
acolhedoras, alegres e prontas para servir. Aprendi muito com elas. O
coração delas tem o tamanho do mundo e vivem
a fé e a esperança de um novo dia. Era comum ouvir o refrão:
“Eu confio em nosso Senhor com fé, esperança e amor.”
Visitei 73 famílias da comunidade durante a semana em que lá
fiquei. Aprendi muito com elas e estou vivenciando o que lá experimentei:
amor, muita fé e doação”.
Terezinha Nair da Rosa
Paróquia São João Batista
e Santa Luzia - São José - SC
Para Refletir e Agir
1. Que aspectos lhe chamou mais atenção do testemunho de
“seu” Domingos?
2. Mande-nos uma mensagem de incentivo para “seu” Domingos.
Nós a entregaremos a ele. |