Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Missão

aços históricos, pastorais e simbólicos aproximam o cristianismo e o universo das migrações. A travessia de Abrão (cf. Gn 12), o Êxodo (cf. Ex 13ss), o exílio (cf. 2Rs 24, 14-16; Jr 52,30 ) e até o próprio Jesus de Nazaré, que nasceu longe de sua morada e teve de fugir para o Egito, são histórias bíblicas que nos apresentam casos de migrações.

Embora exista esta relação antiga entre cristianismo e migrações, sabemos que uma pastoral migratória estruturada e planejada vai se iniciar apenas no século XIX com a preocupação em garantir aos migrantes o acesso aos sacramentos, ajudá-los a preservar a fé e aliviar os sofrimentos do processo migratório devidos à exploração e ao abandono a que eram submetidos os migrantes.

Nas últimas décadas, vários fatores provocaram o nascer da dimensão sócio-transformadora na ação pastoral, resultando, no caso da pastoral migratória, numa articulação necessária entre as igrejas de chegada e as de partida, seja para o devido atendimento às pessoas em mobilidade, seja para o envio de missionários e a organização do acompanhamento e assistência às comunidades.

ORIGEM E FINALIDADE

A Pastoral dos Brasileiros no Exterior teve início em 1996, quando o então arcebispo de Newark, Mons. Theodore Mac Carrick, visitou a CNBB e apresentou a sugestão da Conferência Episcopal Americana de estabelecer uma cooperação para melhor atender os numerosos emigrados brasileiros que chegavam nos EUA.

D. Raymundo Damasceno Assis, então Secretário Geral da CNBB, entregou a D. Laurindo Guizzardi, então bispo de Bagé, a tarefa de coordenar o acompanhamento e assistência religiosa junto aos brasileiros emigrados. Aceita a tarefa, D. Laurindo entrou em contato com a Ir. Rosita Milesi e juntos procuraram dar vida à PBE, com a ajuda também de outros padres e irmãs scalabrinianas.

A PBE surgiu com o objetivo de “contribuir com as Igrejas locais, em articulação com as conferências episcopais dos diferentes países, para proporcionar aos brasileiros, residentes no exterior, a vivência inculturada do Evangelho, preservando na proporção adequada, as tradições religiosas e culturais da pátria de origem”.

A PBE tenta preservar o migrante de dois grandes perigos: ser obrigado a renunciar completamente à própria identidade ou, então, criar guetos saudosos, recusando de entrar em diálogo com a sociedade acolhedora.

PREPARAÇÃO E ENVIO DE MISSIONÁRIOS

O envio de missionários brasileiros é um aspecto central da PBE. Para isto, desde o início, sentiu-se a necessidade de providenciar uma preparação missionária, voltada à especificidade desta missão. Valendo-nos da experiência e estrutura existentes na Igreja do Brasil, organizou-se esta preparação em parceria com o Centro Cultural Missionário e a Dimensão Missionária da CNBB.

Estabeleceu-se como condição para o envio, a participação no Curso “ad Gentes”, com duração de 4 semanas, no qual foi introduzido um módulo especial voltado para a realidade migratória e seus desafios no acompanhamento e assistência aos emigrados.

Até o presente, a PBE manteve contatos com dezenas de sacerdotes, dos quais 23 já foram enviados em missão, nos diferentes países onde se concentram as presenças mais numerosas de brasileiros e brasileiras:

Estados Unidos, Japão, Canadá, Inglaterra, Itália, Portugal. Alguns desses sacerdotes já regressaram ao Brasil, outros continuam seu apostolado em terras além-fronteiras.

CONTATOS E VISITAS

Cabe lembrar aqui, as visitas realizadas por responsáveis ou colaboradores da PBE, objetivando conhecer a realidade dos conterrâneos no exterior, detectar suas necessidades e desejos sócio-pastorais, manifestar a solidariedade e a proximidade da Igreja de origem e assessorar encontros ou congressos promovidos pelas próprias comunidades nos diferentes países.

Sublinhamos um aspecto da programação da PBE, que é a visita do Bispo responsável por esta área, pelo menos em duas comunidades por ano. São freqüentes também as visitas de outros missionários que, em articulação com a PBE, respondem a solicitações para missões temporárias.

PARCERIAS E ATIVIDADES CONJUNTAS

Além do envio de missionários junto às comunidades mais numerosas, a Igreja do Brasil se propõe a colaborar também no suporte às necessidades sócio-pastorais na sociedade de chegada.

Isto se estende ainda a um trabalho de cooperação e participação para contribuir na causa em favor dos brasileiros e brasileiras emigrados, de forma mais ampla, incluindo vários atores: eclesiais, governamentais e da sociedade civil.

Destacamos, neste âmbito, o “I Encontro Ibérico da Comunidade de Brasileiros no Exterior”, realizado em maio de 2002, em Lisboa, numa promoção conjunta entre Brasil e Portugal. Tal encontro representa um claro exemplo de articulação entre Igreja católica, organismos governamentais e não-governamentais.

Sempre no aspecto da articulação e parcerias, cabe assinalar ainda o serviço que se presta para documentação e regularização da residência dos emigrantes, serviço este desenvolvido entre as instituições de diferentes países.

REFLEXÕES E DESAFIOS

Atualmente, são mais de três milhões os brasileiros emigrados. A cada dia, os meios de comunicação anunciam novos e graves dramas, problemas, detenções, exploração que, de forma velada ou revelada, identificam a problemática e as situações humilhantes e exploratórias a que são submetidos os que partem.

Desafios como a questão do combate às políticas restritivas, o tráfico de seres humanos, a migração clandestina, a criminalização dos migrantes, o diálogo ecumênico e inter-religioso e a interculturalidade, são todos temas aos quais uma pastoral sócio-transformadora não pode ficar alheia.

E, no campo específico, sem descuidar da promoção dos direitos humanos, o compromisso de priorizar a dimensão religiosa, a manutenção da fé e a assistência espiritual aos emigrantes brasileiros. Segundo escreve Dom Laurindo Guizzardi, o trabalho da PBE é “eminentemente religioso. Mas temos certeza de que, atendendo às necessidades espirituais dos emigrados, estamos colaborando também para sua realização política e social”.

Apesar das dificuldades e das limitações, o trabalho da PBE apresenta-se cada dia mais urgente e necessário e é chamado a fortalecer e a intensificar suas atividades nos próximos anos, considerando o forte aumento da comunidade brasileira no exterior.

REFLITA

Há em sua comunidade algum brasileiro que tenha migrado clandestinamente para outro país? Qual foi o resultado? E o que podemos fazer por estes irmãos?

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