Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Missão

uitas vezes escutamos dizer que a família dificulta a ida para a missão. A história de Aldo e Simona nos mostra que as dificuldades podem ser superadas.

O FIO CONDUTOR

A missão foi desde o início o fio condutor do nosso caminho a dois. Vivemos experiências missionárias pessoais na Bolívia e nos Camarões e sentíamos que a fé era um dom muito grande e ao mesmo tempo responsabilidade em relação à humanidade.

Após a necessária formação e ter deixado o trabalho e tantas seguranças, chegamos em Camarões, em uma vila ao extremo norte chamada Zouzoui, habitada pela etnia dos Guiziga.

Posteriormente, começamos a trabalhar em Mouda, num centro de acolhida para órfãos e meninos com deficiência mental e física. A deficiência (física e mental), em Camarões como em alguns casos também no Brasil, é motivo de vergonha e de muito sofrimento. Os deficientes na África são, por vezes, eliminados no nascimento. Outros são escondidos.

ARREGAÇANDO
AS MANGAS

Juntos com o Pe. Danilo Fenaroli, missionário do PIME, arregaçamos as mangas e nos colocamos à disposição naquilo que sabíamos fazer. Trabalhamos na ampliação de uma escola de formação em marcenaria, mecânica e artesanato para jovens e deficientes físicos das várias vilas.

Em seguida surgiu uma escola maternal para as crianças menores, que muitas vezes eram deixadas sozinhas em suas vilas, porque os pais ficavam ocupados nos campos.

A atenção com estes “últimos” da sociedade veio da constatação de que era necessário transmitir às crianças e aos pais a importância da escola. Infelizmente, no norte dos Camarões somente 50% dos meninos e 25% das meninas vão à escola, e sabemos que onde há analfabetismo há também mais injustiça e exploração.

SALVAR O MUNDO

Chegamos nos Camarões com o desejo de salvar o mundo. Mas, ao final, nos encontramos imersos em uma escola, uma grande escola de vida. E retornar a escola depois de uma certa idade não é fácil.

Conviver com as diferenças do outro não é uma coisa simples: a cultura era diferente, as tradições do povo muitas vezes eram contrárias ao nosso modo de agir, de tão ávidos pela eficiência e de tão frenéticos que somos.

FILHOS

Quando descobrimos que iríamos ter um filho, o primeiro, imediatamente nos veio o desejo de que nascesse, não obstante todas as dificuldades e riscos, naquela terra extraordinária.

Nasceu então Joel, que os moradores do lugar chamavam-o Zuzui, que significa “viver na paz, estar bem”. No ano seguinte nasceu Noemi, chamada por eles de Sise Bumbulevum, “Graças ao Senhor”.

Somente com o nascimento dos nossos filhos nos tornamos, aos olhos dos camaroneses, uma verdadeira família. Muitas vezes nós, pais de duas crianças, vimos morrer pequeninos de poucos meses, às vezes de diarréia, malária. Ver aqueles olhos se fecharem para sempre era como ver os olhos de nossos filhos. Foi difícil e doloroso viver estes momentos com aquele povo, mas a “escola da vida africana” continuava implacável em relação a nós.

SOLIDARIEDADE

As mulheres se mostraram muito solidárias com a Simona. Traziam uma bebida à base de milho para fazer aumentar o leite dela, nos ajudavam a lavar as fraldas, preocupavam-se com os nossos filhos, cuidavam deles quando ficavam doentes.

Partilhamos realmente as fadigas cotidianas do trabalho e as dificuldades em acompanhar o crescimento dos nossos filhos como com os filhos deles, principalmente quando a malária atacava-os.

As coisas que temos para contar são realmente muitíssimas e não é fácil resumi-las em poucas linhas.

O RETORNO

Retornamos para a Itália há alguns anos, principalmente pelos nossos filhos. Apesar de todos os benefícios que esta sociedade podia nos oferecer, oferecia também certos aspectos que preferimos não transmitir aos nossos filhos.

A Providência Divina foi generosa conosco, encontramos em breve tempo casa e trabalho. Agradecemos ao Senhor por nos ter dado a graça de viver estes quatro anos em missão, que nos abriram os olhos e os horizontes.

Pedimos a Deus que nos mantenha sempre abertos porque sabemos que os problemas dos outros povos são também nossos e não podemos ignorá-los.

Aldo, Simona, Joel e Noemi Parise
Família Missionária

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