Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Missão

“Venham ver. Lá fora está um pastor que acabou de morrer”. Foi assim que, um dia destes, três catequistas muito alarmados chegaram à nossa missão de Mapinhane, no Moçambique.

Será um pastor de cabras? - Perguntávamos nós, enquanto nos aproximávamos da porta que dá para a rua. Ou será um pastor de uma igreja protestante ou de uma das seitas locais? Afinal, acontecimentos desses não eram mais novidade: a missão é sempre o lugar, o pouso seguro para quem está em dificuldade ou mesmo esperando a morte.

Mal nos aproximamos do carro e vimos um catequista católico de Mavanza que, mal refeito da triste notícia, dizia:

- O Jaime Taela morreu, há poucos instantes, aqui no centro de saúde.

E apontava para o carro onde outro catequista segurava o Jaime nos braços, acarinhando-o como quem ainda queria reanimá-lo.

Jaime Taela era um dos melhores e dos mais competentes catequistas de nossa paróquia. Ele pertencia à turma daqueles que, depois de um período de formação cristã com os primeiros missionários, abraçaram a fé com grande entusiasmo.

Fazia 30 anos que Jaime dava assistência às comunidades do interior, mais próximas de sua aldeia. Ele visitava as comunidades com um zelo extraordinário!

Nesse fim de semana, como era seu hábito, saiu de casa para fazer a celebração dominical. Jaime percorreu cerca de 20 quilômetros para chegar a Machanissa onde, semanalmente, se reunia a comunidade cristã.

Aconteceu que, nesse dia, Jaime não voltou para casa. Lá ele cumpriu seu trabalho de pastor até ao fim, morrendo, como Cristo, pelo povo que tanto amava.

E a missão perdeu um dos pilares desta comunidade cristã ainda jovem que cada vez mais se funda na participação dos leigos e se enraíza na cultura africana. Estes animadores/catequistas são indispensáveis para reavivar constantemente a fé e levá-la até os pequenos grupos de famílias perdidos no meio do mato, longe das estradas e dos centros populacionais.

No dia seguinte, celebrou-se o enterro do Jaime. A enorme participação foi o sinal mais evidente de que ele era uma pessoa importante, amada e respeitada. Celebrou-se a missa de corpo presente junto à sua cabana e, depois, o cortejo seguiu silencioso até à árvore dos antepas-sados. Como dita a cultura do lugar, também o Jaime foi sepultado com a cabeça virada na direção do pôr-do-sol. Seguiu o ritual da entrega do corpo aos antepassados e à terra que purifica.

Foi assim que foi sepultado o catequista Jaime, um verdadeiro cristão e animador de comunidades que, incansavelmente, dedicou todas as suas forças para fazer nascer e fortificar dezenas de comunidades que hoje o tem como um verdadeiro pai na fé.

Seu exemplo é de grande valia também para os catequistas e animadores de grupos que trabalham nas comunidades cristãs de antiga data, freqüentemente tentados a desanimar diante das múltiplas dificuldades que o nosso mundo apresenta.

Ricardo Santos

 

Capital: Maputo
Idioma oficial: Português
População: 18,6 milhões
Religião principal: crenças tradicionais (50,4%), Cristianismo (38,4% - católicos: 15,8%), islamismo (10,5%)
Expectativa de vida: 37,3 (homens) - 38,6 (mulheres)
Analfabetismo: 56,2%
Moeda: metical
Renda per capita: US$ 220

A grande quantidade de marfim e, mais tarde, o lucrativo comércio de escravos foram alguns dos elementos que transformaram Moçambique em alvo de conquistas de vários países que, ao longo dos séculos, configuraram o caráter da nação.

O país foi descoberto por Vasco da Gama em 1498. Os portugueses ocuparam a costa em 1505 e lá ficaram por mais de quatro séculos.

A grande maioria da população é constituída de negros bantos.

No norte encontramos os iaôs, geralmente muçulmanos. Foi esse povo que intermediou o comércio dos escravos entre os árabes e as tribos do interior.

No sul encontramos os tsongas, grupo que compõe a maior parte da força de trabalho de Moçambique.

Embora o português seja a língua oficial, seu uso se limita praticamente às áreas urbanas. As línguas mais difundidas são o macua, o tsonga e o chona.

As populações tribais mantêm sua tradição animista, mas numerosos são também os adeptos do islamismo e do cristianismo.

Responsável por 40% do PIB do país, a agricultura emprega 80% da força de trabalho moçambicana. Cultiva-se algodão, sisal, cana-de-açúcar, arroz, além de milho, trigo, mandioca, chá, café, fumo e frutas tropicais.

Devido ao êxodo da maioria da mão-de-obra especializada e da classe empresarial após a independência, a produção industrial caiu muito. Ela foi se recuperando a partir da década de 1980 e sobretudo agora que Moçambique goza de uma paz mais estável.

A ampla diversidade cultural de Moçambique se manifesta sobretudo nas relações sociais, tradições artísticas, no vestuário e padrões de ornamentação, como também na música, na poesia, na dança e no teatro.

Os anos de guerra civil deixaram a herança de cerca de 2 milhões de minas terrestres. 123 dos 128 municípios no país estão minados, tornando perigoso andar em lavouras, imediações de fontes de água, praias e rodovias. As minas obstruem a reconstrução do país.

O custo da limpeza é elevado: uma mina pode custar apenas 3 dólares, mas sua retirada exige, no mínimo, 300 dólares em equipamento e pessoal treinado.

Em se falando do continente africano, estima-se que existam nele 30  milhões de minas terrestres. Os mais atingidos são Angola, Moçambique, Somália, Chade e Sudão.

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