Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Missão

Ide e Anunciai a Todas as Nações

AS FONTES DA MISSÃO

A missão não vem de nós, ela é a resposta ao plano do Pai que, em seu imenso amor, deseja realizar a salvação da humanidade.

O Pai, portanto, é a fonte da missão e, ao longo do tempo, realizou-a através de suas duas “mãos”: o Filho e o Espírito Santo. Falando de Jesus, o evangelista João afirma: “Deus amou de tal maneira o mundo que lhe deu seu Filho único, para que todo que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). Jesus, portanto, é o grande missionário do Pai!

E a Igreja? Sua tarefa é continuar a missão iniciada por Jesus. Foi dele que, no dia da Ascensão, recebeu o mandato: “A mim foi dado todo poder no céu e na terra. Ide, pois, e ensinai a todas as nações...” (Mt 28, 18-20).

O Espírito Santo acompanha a Igreja em sua atividade missionária, iluminando seus missionários e dando-lhes a força necessária.

A IGREJA NASCEU DA “MISSÃO”

A família humana sempre contou com pessoas que, disponíveis ao chamado de Deus, se doaram para que Deus realizasse seu plano de salvação. Ouvindo seu chamado, muitos deram sua resposta positiva:

  • Abraão desenraiza-se de sua terra e vai para outra, onde dará origem ao Povo de Deus.
  • Moisés deixa o pastoreio das ovelhas e volta ao Egito para libertar o seu povo.
  • Pedro e os outros apóstolos de Jesus, deixando seus afazeres, foram anunciar a Boa Nova pelo mundo.
  • Milhares de Missionários seguiram o exemplo de Jesus e, após 2000 anos, não há país onde não tenha sido semeada a boa semente do Evangelho.

Os missionários são o sinal mais claro de que Deus continua se preocupando com a humanidade, e que sua Igreja continua fiel à tarefa de anunciar que Jesus, Filho de Deus, é o Salvador de todos os povos.

APÓS 2.000 ANOS...

Qual é a situação atual da evangelização do mundo? O que dizem as estatísticas?

João Paulo II afirma que as palavras de Tertuliano – “O Evangelho tinha sido anunciado em toda a terra e a todos os povos”- ainda hoje estão muito distantes de ser realidade. Aliás, afirma o Papa, a missão ad gentes está ainda no começo” (RMi - Redemptoris Missio - 40).

No início do 3º milênio, constatamos que, dos mais de seis bilhões da população mundial, somente pouco mais de dois bilhões (33%) são cristãos e, destes, pouco mais de um bilhão (17,68%) são católicos, sendo já superados pelos muçulmanos.

Na Ásia, o cristianismo quase não existe. Se excluirmos as Filipinas, a população cristã não passa de 2%. Nas grandes cidades orientais como Tóquio, Shangai, Calcutá..., Cristo é ainda um ilustre desconhecido.

Falando dos 67% de “não cristãos”, o Papa afirma: “O número dos que ainda não conhecem Cristo e que não fazem parte da Igreja, aumenta constantemente. Desde o final do Concílio quase duplicou. Para esta imensa humanidade, tão amada pelo Pai a ponto de enviar-lhe seu Filho, é evidente a urgência da missão” (RMi 3).

Qual é a contribuição do Brasil na evangelização do mundo? Ainda muito pobre e tímida, mas oferece esperanças!

UMA NOVA EVANGELIZAÇÃO

Tudo o que foi dito é, sem dúvida nenhuma, uma das preocupações prioritárias da Igreja. Contudo, nos últimos anos, o sentido da palavra “missão” tornou-se mais abrangente, perpassando o sentido tradicional do “andar” para as terras longínquas e aos não-cristãos para o primeiro anúncio.

Hoje, pede-se de todos os cristãos um maior ardor missionário para que testemunhem sua fé aqui em casa, em todos os ambientes e circunstâncias.

A França, que tinha uma forte tradição cristã, a ponto de ser chamada de “filha predileta da Igreja”, é considerada atualmente um “país de missão”.

Em nosso país, embora seja marcante o envolvimento de cristãos nas pastorais e nos movimentos e cresça o número dos cristãos que buscam melhor formação, a Igreja parece perder as massas. Naturalmente, isso suscita uma preocupante questão: O que fazer, que tipo de pastoral usar para que os batizados recuperem a fé, o sentido de pertença à Igreja, o fervor e a capacidade de fazer missão?

É unânime a convicção de que é urgente recolocar a Igreja em estado de missão.

Karl Rahner, grande teólogo, afirmou o seguinte: “Não vale se encolher e defender numa pequena grei; ela não é mais que um abrigo inútil de resíduos de uma época histórica que está desaparecendo irreversivelmente”.

O mesmo teólogo se pergunta: “O que deve fazer então a Igreja diante desta situação?” Ele mesmo responde: “Num ambiente não mais cristão, a Igreja deve usar uma estratégia missionária. E se as energias à disposição forem limitadas, seria melhor deixar a defesa e enviá-las ao ataque”.

Rahner indica o caminho que a Igreja deve enveredar, com nova coragem e ardor missionário, para os tais de areópagos, realidades novas e difíceis, onde as pessoas vivem, trabalham, geram cultura..., mas onde a Boa Nova parece ter perdido seu espaço.

Em vista disso, a Igreja deve capacitar os cristãos para saírem dos ambientes costumeiros, em que se sentem protegidos, para, como indicou João Paulo II, com novos métodos, novas estratégias e novo ardor, anunciarem e testemunharem o Evangelho em todos os ambientes.

Trata-se de aceitar o desafio, convictos da preciosidade da mensagem a ser anunciada e confiantes na assistência do Espírito Santo.

Muitas vezes nossa pastoral se preocupa excessivamente com a construção ou conservação dos templos e dos cristãos: uma pastoral de defesa e preocupada demais com a Igreja visível, com a instituição. Desta maneira, falta-lhe aquela força, vitalidade e entusiasmo que são as características de uma pastoral missionária envolvente e comprometedora.

Conseqüências: faltam as vocações, dificuldade na implantação dos ministérios, nascem fofocas e briguinhas entre pastorais e movimentos, cansaço e desânimo entre as lideranças etc.

Paulo VI já nos alertou: “Será que a asfixia espiritual, na qual se encontram tantos indivíduos e instituições católicas, não teria origem na prolongada ausência de autêntico espírito missionário?”.

Fazendo uma comparação com o corpo, poderíamos afirmar que a missão, além de ser o coração, é também o fígado da Igreja: quando este não funciona, torna amarelado o rosto. É isso que provavelmente está acontecendo em muitas de nossas comunidades ou grupos.

EDUCAR PARA O “ESPÍRITO DE MISSÃO”

O espírito missionário é o primeiro valor dos cristãos. A comunidade corre o risco de se afogar na enchente do materialismo e do indiferentismo. Estas pragas tem o poder de enfraquecer o espírito voluntário, a animação apostólica e a capacidade de dizer SIM a Deus, que espera um comprometimento das pessoas para a construção do Reino.

É bom lembrar a voz da trombeta que advertiu a Igreja de Éfeso: “Tenho uma queixa a fazer: não tendes mais o amor dos primeiros tempos!” (Ap 2,4).

Cristo, no início do Terceiro Milênio, nos repete o convite, que não deixa de ser um desafio: “Ide, pois, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28, 19). Precisamos animar o povo de Deus para que recupere o entusiasmo dos primeiros cristãos, para que a Igreja volte a ser missionária de fato.

Seduzidos pelo amor do Mestre e tendo o apóstolo Paulo como protagonista e modelo, os primeiros cristãos enfrentaram inúmeras dificuldades para inculturar o Evangelho, para responder aos desafios do mundo urbano e para realizar sua missão em comunhão, como Jesus havia recomendado, mas que nem sempre é fácil.

Recolocar a caminho o “povo de Deus” que, há séculos, em sua maioria, está estacionado, como que de férias, é o que mais deve preocupar a Igreja. É urgente que os batizados passem de uma posição passiva, da convicção que é suficiente participar de uma missa dominical, a uma tensão que leve ao comprometimento e ao protagonismo na vivência de sua fé.

Não podemos mais suportar o fato de termos igrejas cheias de praticantes e um pinguinho de comprometidos com a ação pastoral da comunidade e a quase ausência de missionários além fronteiras.

De quem é a culpa? Sem dúvida, faltou proporcionar uma maior preparação, valorização e espaço para que o povo de Deus deixasse de ser um povo de ouvintes e passasse a confessar e manifestar sua fé como povo maduro e protagonista.

Isso durou séculos! Agora, não vai ser tão fácil e nem tão rápido recuperar o tempo perdido para que os leigos reconquistem a auto-estima necessária para assumirem suas responsabilidades na comunidade cristã e no mundo.

Isso deve acontecer a partir da mais tenra idade. O trabalho maravilhoso que a Infância Missionária está fazendo é um ótimo exemplo.

A MISSÃO ALÉM FRONTEIRAS

Esta missão generalizada, que chamamos de Nova evangelização, é, sem dúvida, ótima se não prejudicar a missão além fronteiras, se os missionários aumentarem e se a Boa Nova se difundir mais rapidamente.

Não devemos esquecer que, embora exijam consideração e respeito por suas culturas e tradições religiosas, bilhões de não evangelizados não podem ser esquecidos, pois, embora inconscientemente, eles apelam para a responsabilidade da Igreja de lhes anunciar a Salvação.

Os bispos da América Latina, conscientes de suas responsabilidades missionárias para com os não evangelizados, afirmaram: “Finalmente chegou, para a América Latina, a hora de intensificar a ajuda mútua entre as Igrejas particulares e de se abrir para além de suas próprias fronteiras: ad gentes. É verdade que também nós precisamos de missionários, porém devemos dar de nossa pobreza” (Puebla, 368).

Esta declaração foi determi-nante para o crescimento da missionariedade no continente latino-americano. Trata-se de uma declaração corajosa e profética.

Mas os bispos do Brasil detectaram também uma tendência perigosa:“Há muitas vezes na Igreja tensões entre comunidade e missão. A comunidade é tentada a recolher-se em si mesma, renunciando à missão, à abertura aos outros, ou reduzindo-a a segundo plano” (Doc. 40, nº 21).

Isso é prejudicial: “Estaria condenando-se à esterilidade a Igreja que deixasse atrofiado seu espírito missionário, sob a alegação de que ainda não foram plenamente atendidas todas as necessidades locais” (Doc. 40, nº 119).

Sem dúvida, a abertura à universalidade se torna estímulo para o surgimento de novos agentes de evangelização, capazes de servir nas situações de fronteira e para fazer explodir um novo ardor missionário nos cristãos.

Termino este serviço especial com as palavras de João Paulo II: “Uma Igreja fechada em si mesma, sem abertura missionária, é uma Igreja incompleta ou uma Igreja doente” (RMi 62).

Pe. Paulo De Coppi - P.I.M.E.

PARA REFLETIR

  1. O que é “Ser Missionário”?
  2. É possível separar a evangelização local da evange-lização além-fronteiras?
  3. Nossa comunidade ou grupo se preocupa com o envio de missionários?

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