Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Missão
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Ide e Anunciai a Todas as Nações AS FONTES DA MISSÃO
O Pai, portanto, é a fonte da missão e, ao longo do tempo, realizou-a através de suas duas mãos: o Filho e o Espírito Santo. Falando de Jesus, o evangelista João afirma: Deus amou de tal maneira o mundo que lhe deu seu Filho único, para que todo que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3,16). Jesus, portanto, é o grande missionário do Pai! E a Igreja? Sua tarefa é continuar a missão iniciada por Jesus. Foi dele que, no dia da Ascensão, recebeu o mandato: A mim foi dado todo poder no céu e na terra. Ide, pois, e ensinai a todas as nações... (Mt 28, 18-20). O Espírito Santo acompanha a Igreja em sua atividade missionária, iluminando seus missionários e dando-lhes a força necessária. A IGREJA NASCEU DA MISSÃO A família humana sempre contou com pessoas que, disponíveis ao chamado de Deus, se doaram para que Deus realizasse seu plano de salvação. Ouvindo seu chamado, muitos deram sua resposta positiva:
Os missionários são o sinal mais claro de que Deus continua se preocupando com a humanidade, e que sua Igreja continua fiel à tarefa de anunciar que Jesus, Filho de Deus, é o Salvador de todos os povos. APÓS 2.000 ANOS... Qual é a situação atual da evangelização do mundo? O que dizem as estatísticas? João Paulo II afirma que as palavras de Tertuliano O Evangelho tinha sido anunciado em toda a terra e a todos os povos- ainda hoje estão muito distantes de ser realidade. Aliás, afirma o Papa, a missão ad gentes está ainda no começo (RMi - Redemptoris Missio - 40). No início do 3º milênio, constatamos que, dos mais de seis bilhões da população mundial, somente pouco mais de dois bilhões (33%) são cristãos e, destes, pouco mais de um bilhão (17,68%) são católicos, sendo já superados pelos muçulmanos. Na Ásia, o cristianismo quase não existe. Se excluirmos as Filipinas, a população cristã não passa de 2%. Nas grandes cidades orientais como Tóquio, Shangai, Calcutá..., Cristo é ainda um ilustre desconhecido. Falando dos 67% de não cristãos, o Papa afirma: O número dos que ainda não conhecem Cristo e que não fazem parte da Igreja, aumenta constantemente. Desde o final do Concílio quase duplicou. Para esta imensa humanidade, tão amada pelo Pai a ponto de enviar-lhe seu Filho, é evidente a urgência da missão (RMi 3). Qual é a contribuição do Brasil na evangelização do mundo? Ainda muito pobre e tímida, mas oferece esperanças! UMA NOVA EVANGELIZAÇÃO Tudo o que foi dito é, sem dúvida nenhuma, uma das preocupações prioritárias da Igreja. Contudo, nos últimos anos, o sentido da palavra missão tornou-se mais abrangente, perpassando o sentido tradicional do andar para as terras longínquas e aos não-cristãos para o primeiro anúncio. Hoje, pede-se de todos os cristãos um maior ardor missionário para que testemunhem sua fé aqui em casa, em todos os ambientes e circunstâncias. A França, que tinha uma forte tradição cristã, a ponto de ser chamada de filha predileta da Igreja, é considerada atualmente um país de missão. Em nosso país, embora seja marcante o envolvimento de cristãos nas pastorais e nos movimentos e cresça o número dos cristãos que buscam melhor formação, a Igreja parece perder as massas. Naturalmente, isso suscita uma preocupante questão: O que fazer, que tipo de pastoral usar para que os batizados recuperem a fé, o sentido de pertença à Igreja, o fervor e a capacidade de fazer missão? É unânime a convicção de que é urgente recolocar a Igreja em estado de missão. Karl Rahner, grande teólogo, afirmou o seguinte: Não vale se encolher e defender numa pequena grei; ela não é mais que um abrigo inútil de resíduos de uma época histórica que está desaparecendo irreversivelmente.
Rahner indica o caminho que a Igreja deve enveredar, com nova coragem e ardor missionário, para os tais de areópagos, realidades novas e difíceis, onde as pessoas vivem, trabalham, geram cultura..., mas onde a Boa Nova parece ter perdido seu espaço. Em vista disso, a Igreja deve capacitar os cristãos para saírem dos ambientes costumeiros, em que se sentem protegidos, para, como indicou João Paulo II, com novos métodos, novas estratégias e novo ardor, anunciarem e testemunharem o Evangelho em todos os ambientes. Trata-se de aceitar o desafio, convictos da preciosidade da mensagem a ser anunciada e confiantes na assistência do Espírito Santo. Muitas vezes nossa pastoral se preocupa excessivamente com a construção ou conservação dos templos e dos cristãos: uma pastoral de defesa e preocupada demais com a Igreja visível, com a instituição. Desta maneira, falta-lhe aquela força, vitalidade e entusiasmo que são as características de uma pastoral missionária envolvente e comprometedora. Conseqüências: faltam as vocações, dificuldade na implantação dos ministérios, nascem fofocas e briguinhas entre pastorais e movimentos, cansaço e desânimo entre as lideranças etc. Paulo VI já nos alertou: Será que a asfixia espiritual, na qual se encontram tantos indivíduos e instituições católicas, não teria origem na prolongada ausência de autêntico espírito missionário?. Fazendo uma comparação com o corpo, poderíamos afirmar que a missão, além de ser o coração, é também o fígado da Igreja: quando este não funciona, torna amarelado o rosto. É isso que provavelmente está acontecendo em muitas de nossas comunidades ou grupos. EDUCAR PARA O ESPÍRITO DE MISSÃO O espírito missionário é o primeiro valor dos cristãos. A comunidade corre o risco de se afogar na enchente do materialismo e do indiferentismo. Estas pragas tem o poder de enfraquecer o espírito voluntário, a animação apostólica e a capacidade de dizer SIM a Deus, que espera um comprometimento das pessoas para a construção do Reino. É bom lembrar a voz da trombeta que advertiu a Igreja de Éfeso: Tenho uma queixa a fazer: não tendes mais o amor dos primeiros tempos! (Ap 2,4). Cristo, no início do Terceiro Milênio, nos repete o convite, que não deixa de ser um desafio: Ide, pois, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo (Mt 28, 19). Precisamos animar o povo de Deus para que recupere o entusiasmo dos primeiros cristãos, para que a Igreja volte a ser missionária de fato. Seduzidos pelo amor do Mestre e tendo o apóstolo Paulo como protagonista e modelo, os primeiros cristãos enfrentaram inúmeras dificuldades para inculturar o Evangelho, para responder aos desafios do mundo urbano e para realizar sua missão em comunhão, como Jesus havia recomendado, mas que nem sempre é fácil. Recolocar a caminho o povo de Deus que, há séculos, em sua maioria, está estacionado, como que de férias, é o que mais deve preocupar a Igreja. É urgente que os batizados passem de uma posição passiva, da convicção que é suficiente participar de uma missa dominical, a uma tensão que leve ao comprometimento e ao protagonismo na vivência de sua fé. Não podemos mais suportar o fato de termos igrejas cheias de praticantes e um pinguinho de comprometidos com a ação pastoral da comunidade e a quase ausência de missionários além fronteiras. De quem é a culpa? Sem dúvida, faltou proporcionar uma maior preparação, valorização e espaço para que o povo de Deus deixasse de ser um povo de ouvintes e passasse a confessar e manifestar sua fé como povo maduro e protagonista. Isso durou séculos! Agora, não vai ser tão fácil e nem tão rápido recuperar o tempo perdido para que os leigos reconquistem a auto-estima necessária para assumirem suas responsabilidades na comunidade cristã e no mundo. Isso deve acontecer a partir da mais tenra idade. O trabalho maravilhoso que a Infância Missionária está fazendo é um ótimo exemplo. A MISSÃO ALÉM FRONTEIRAS Esta missão generalizada, que chamamos de Nova evangelização, é, sem dúvida, ótima se não prejudicar a missão além fronteiras, se os missionários aumentarem e se a Boa Nova se difundir mais rapidamente. Não devemos esquecer que, embora exijam consideração e respeito por suas culturas e tradições religiosas, bilhões de não evangelizados não podem ser esquecidos, pois, embora inconscientemente, eles apelam para a responsabilidade da Igreja de lhes anunciar a Salvação. Os bispos da América Latina, conscientes de suas responsabilidades missionárias para com os não evangelizados, afirmaram: Finalmente chegou, para a América Latina, a hora de intensificar a ajuda mútua entre as Igrejas particulares e de se abrir para além de suas próprias fronteiras: ad gentes. É verdade que também nós precisamos de missionários, porém devemos dar de nossa pobreza (Puebla, 368). Esta declaração foi determi-nante para o crescimento da missionariedade no continente latino-americano. Trata-se de uma declaração corajosa e profética. Mas os bispos do Brasil detectaram também uma tendência perigosa:Há muitas vezes na Igreja tensões entre comunidade e missão. A comunidade é tentada a recolher-se em si mesma, renunciando à missão, à abertura aos outros, ou reduzindo-a a segundo plano (Doc. 40, nº 21). Isso é prejudicial: Estaria condenando-se à esterilidade a Igreja que deixasse atrofiado seu espírito missionário, sob a alegação de que ainda não foram plenamente atendidas todas as necessidades locais (Doc. 40, nº 119). Sem dúvida, a abertura à universalidade se torna estímulo para o surgimento de novos agentes de evangelização, capazes de servir nas situações de fronteira e para fazer explodir um novo ardor missionário nos cristãos. Termino este serviço especial com as palavras de João Paulo II: Uma Igreja fechada em si mesma, sem abertura missionária, é uma Igreja incompleta ou uma Igreja doente (RMi 62). Pe. Paulo De Coppi - P.I.M.E. PARA REFLETIR
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