Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Missão

ocê já desejou trabalhar no “além fronteiras”, nos chamados territórios de missão, fora da sua comunidade? De onde veio este desejo? Já perguntou-se: como leigo, posso ser missionário?

A ação evangelizadora da Igreja, mais do que outrora, quer contar com a participação responsável dos fiéis leigos. É por isso que ela se caracteriza, cada vez mais, como Igreja Ministerial e Participativa, embora encontre ainda dificuldade em explicitar sua confiança na atuação dos leigos e leigas.

Leigos são pessoas que têm uma vida normal de estudo, trabalho, vida familiar, social..., mas não se contentam só com isso e por isso buscam um maior comprometimento na Igreja. Assim, existem hoje missionários leigos músicos, comunicadores, escritores, cineastas, artistas, comprometidos com dependentes de tóxicos e de álcool, catequistas, pregadores e tantos outros.

IDENTIDADE

Mas, o que diferencia o missionário leigo de um agente de pastoral, de um animador de comunidade?
A diferença está nisso: enquanto o animador atua na sua comunidade, o missionário leigo age também fora de sua comunidade e é enviado por ela para testemunhar a Boa Nova aos que, geralmente, nem professam a mesma religião. É lá que ele procura se inserir e dialogar com religiões e culturas diferentes. Com isso, a comunidade de origem não fica apenas no seu passado, pois o missionário leigo torna-se um referencial, pois ele encarna o verdadeiro sentido da Igreja, que é abrir-se, estar sempre atenta e sensível a todos os povos e a todas as situações, vivenciando, na prática, o dom da gratuidade.

FRUTO DE UMA COMUNIDADE


Junto com representantes de 13 países, Mailiz esteve presente no III Encontro dos Leigos Missionários das Américas, no Panamá, de 26 a 31/01

O missionário leigo surge no cotidiano e tem como base a própria realidade, hoje globalizada e fragilizada pela crise dos valores, pelo aumento das pessoas excluídas, pelas crises políticas e econômicas, pela concentração das riquezas e pela desvalorização da vida no campo e conseqüente inchaço dos grandes centros urbanos.

Neste contexto, é natural que surjam pessoas, já com uma forte experiência de engajamento em sua comunidade, mas que cultivam uma espiritualidade aberta aos problemas mundiais que sentem um forte impulso, melhor ainda, um verdadeiro chamado a realizar uma experiência de serviço missionário no alémfronteira, em realidades ainda mais sacrificadas, sobretudo no terceiro mundo, onde os problemas que atingem aqueles povos são bem mais graves. Os missionários leigos, a partir disso, alimentam sua fé através do compromisso cristão de comunhão universal e de profecia, baseada na esperança e na luta teimosa por uma sociedade fraterna e com justiça social.

FORMAÇÃO

O “sim missionário” é fruto de uma opção pessoal, no entanto, sua realização depende também de um processo de amadurecimento da missão, baseado na pedagogia que Jesus utilizava com seus primeiros discípulos:

1. VOCAÇÃO: é Deus quem nos chama, não somos nós a tomar a iniciativa. Se não houver este chamado, dificilmente o leigo missionário resistirá numa missão tão desafiadora.

2. FORMAÇÃO: é Jesus quem nos forma e fortalece, nos ensina e está conosco. A figura do Bom Pastor é sempre o modelo para todo missionário. O missionário leigo é um cristão que amadurece na oração, no estudo e na vida comunitária.

3. MISSÃO: é Ele quem nos envia: “Ide...”. O envio, realizado pela Igreja, lhe dá a certeza e a segurança de estar nele e com Ele.

DIFICULDADES

Este caminho não é livre de dificuldades, pelo contrário, o leigo é desafiado várias vezes a responder, com palavras ou ações concretas, aos questionamentos vindos de sua própria família, comunidades cristãs e da sociedade capitalista. O “Vamos à outra margem” (Mc 4,35) é o forte convite para ir onde não está meu mundo, cultura e família.

Outra dificuldade para a qual deve estar consciente e preparado diz respeito ao processo de formação e acompanhamento na pré-missão, na missão e na pós-missão. Ainda são poucos os centros de formação e animação missionária para leigos. Como conseqüência, a formação acaba sendo geralmente ligada a congregações religiosas, ficando assim mais institucionalizada e menos ministerial, segundo o carisma laical.

Um grande caminho está sendo realizado pela Igreja para que os leigos, aqui e no além-fronteiras, possam explicitar sua vocação específica. A eles, a Igreja latino-americana faz um convite para que abracem a sua vocação ministerial leiga, tendo como exemplo os mártires latino-americanos que viveram com coerência a entrega da vida para quem dela precisasse.“Ninguém ama mais do que aqueles que dão a vida pelos irmãos”.

É o que Ele fez! Trata-se de um desafio que muitos leigos no passado e também hoje estão assumindo, dando provas de uma doação impressionante.

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