Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Missão

O testemunho é a melhor forma de educação. Neste mês, vamos refletir sobre um personagem que vive muito distante de nós, no Paquistão. Estamos acostumados a ouvir notícias negativas deste país, sobretudo no que se refere ao conflito Índia-Paquistão. Mas, lá também existem coisas boas, como o extraordinário exemplo de Abdul Sattar Edhi.

OBRAS INCONTÁVEIS

Para contar a vida e a obra de Abdul Sattar Edhi, bastaria elencar os números das fundações que levam o seu nome. Em meio século de trabalho, construiu o maior sistema de assistência social do Terceiro Mundo. Calcula-se que tenha socorrido 10 milhões de pessoas, entre as quais mais de 20 mil recém-nascidos.

Mais de 500 ambulâncias, cinco helicópteros e cinco pequenos aviões atravessam o Paquistão para curar os doentes, levar socorro aos atingidos por terremotos e comida aos pobres.

Atualmente, 240 Centros Edhi ajudam os esquecidos e marginalizados a não se desesperarem. Ele ganhou o Prêmio Balzan para a humanidade, a paz e a fraternidade entre os povos. Mas isso não explica sua força de atuação.

Além disso, dois mil voluntários não conseguiram resistir ao fascínio de seu testemunho, e hoje o ajudam em suas obras.

RAZÃO DE VIDA: A SOLIDARIEDADE

Transferido para o Paquistão com a família, de religião muçulmana, depois da separação da Índia, ele fez da solidariedade sua razão de vida.

Ainda hoje, com 69 anos de idade, continua com estilo de vida simples e austera. Vive com a mulher numa pequena casa perto de Karachi e ocupa seus dias arrecadando ajudas, guiando ambulâncias, enterrando mortos e ajudando órfãos.

Sua aventura começou em 1951, quando decidiu investir suas poupanças para comprar uma loja, transformada depois em farmácia, na qual vendia remédios a um preço bem inferior às demais.
Na frente da farmácia colocou um letreiro: “Os que fazem caridade são abençoados, e também os que não a fazem”. A todos os doadores dava um recibo: se não ficassem satisfeitos com a maneira através da qual o dinheiro era gasto, poderiam se dirigir à Fundação para o reembolso. Mas isso nunca aconteceu em 50 anos.

A FAMÍLIA

Ele mesmo conta: “Quando menino, minha mãe me dava duas moedas e me dizia que pelo menos uma poderia doá-la a quem tivesse mais necessidade do que eu. Este gesto me infundiu, desde pequeno, o espírito de caridade e a capacidade de ajudar aos outros”.

A sensibilização para esta nobre missão surgiu na própria família: “A doença de minha mãe me fez entender a total falta de cura que havia com muitas outras pessoas nas mesmas condições. Decidi então investir minha poupança adquirindo um dispensário de remédios que teria vendido por um preço bem menor em Mithadar, um dos bairros mais populosos de Karachi.

Foi a tomada de consciência das péssimas condições de vida daquelas pessoas que me empenhou no setor da saúde, dedicando minha vida por quem sofre. E escolhi os últimos do Paquistão, os mais pobres dos pobres”.

A família de Abdul Sattar Edhi foi se formando naquele trabalho voluntário: “Conheci Bilquis quando ela fazia treinamento como enfermeira nos Centros de assistência para as mães solteiras. Ela se tornou minha mulher e, com quatro filhos, começou a desenvolver uma atividade na Fundação. Hoje coordena todos os serviços que dizem respeito às mulheres”.

A FORÇA DA GENEROSIDADE

Todos os recursos que Abdul Sattar Edhi consegue para manter este verdadeiro batalhão de voluntários e ajudar tantas pessoas vêm de doações espontâneas. Abdul sempre contou com o empenho social de muitas pessoas e organizações.

Muitas são as contribuições de roupa, comida, remédios. Diversas organizações contribuem até com o fornecimento de aparelhos para hospitais. O que é muito interessante é que os que usaram da assistência da Fundação nunca se esquecem disso e, quando podem, enviam suas ofertas.

A força da Fundação está na generosidade das pessoas: “AFundação trabalha em prol de pessoas comuns, e das pessoas comuns ganha sua força. Se aceitássemos financiamentos do Governo ou outras instituições estrangeiras, poderíamos ter interferências em nossas atividades.

Por isso, ainda hoje, lançamos apelos pela coleta de fundos nas encruzilhadas das estradas. Eu mesmo vou pedindo com o chapéu nas mãos para angariar fundos para os doentes”, afirma Edhi.

UMA INSPIRADORA

Quando perguntado sobre sua religião, Abdul Sattar Edhi deixa evidente: “Minha religião é a solidariedade, um elemento que está na base de todas as religiões. Trabalhamos sem barreiras: as calamidades naturais, a pobreza e a doença atingem todos, indiferentemente de raça, religião ou sexo...”.

Sobre exemplos que devem ser seguidos, Edhi não esconde que tem um símbolo especial e uma inspiradora: “Madre Teresa, que dedicou sua vida no serviço às pessoas pobres. Ela é símbolo de empenho para com os pobres”.

O povo em geral chama Edhi de Moulana, que quer dizer líder religioso. Mas, os meninos e meninas dos orfanatos o chamam de Naná, avô. Pessoalmente, prefere considerar-se um humilde trabalhador social que aceitou um desafio.

1.º Quais as características do testemunho de Abdul Sattar Edhi que mais lhe chamaram a atenção?

2.º Você já conheceu testemunhos como o de Abdul Sattar?

3.º Você já praticou atos de solidariedade? O que poderia fazer neste Ano Internacional do Voluntariado?

Visite as outras paginas

[Catequese "MISSÃO JOVEM"][P.I.M.E.][Revista "MUNDO e MISSÃO"][P.I.M.E.-Missio][Biblioteca][Noticias][Links]

O Paquistão

Desmembrado do território indiano dois anos após a segunda guerra mundial, o Paquistão nasceu do desejo de autonomia por parte da comunidade muçulmana sempre em choque com os hindus. Contudo, o país continuava a manter, no fim do século XX, divergências ásperas com Nova Delhi sobre as regiões fronteiriças.

Em 1947, depois que Índia e o Paquistão se tornaram ndependentes do Reino Unido, ocorreu forte movimento de intercâmbio migratório. Milhões de muçulmanos abandonaram a Índia para instalar-se no Paquistão, que passou a ser o maior país de população islâmica do mundo. Por sua vez, os hindus que viviam em seu território tomaram o destino oposto.

A capital é Islamabad, e as cidades principais são Karachi, Lahore, Faisalabad, Rawalpindi e Quetta.

A população paquistanesa apresenta uma das maiores taxas de crescimento no mundo. Cerca de metade da população ativa dedica-se à agricultura e à pesca. Na indústria destacam-se a fabricação de produtos químicos, fertilizantes e bens de consumo.

Praticamente todos os paquistaneses professam a religião muçulmana, e a maioria pertence ao ramo sunita. Também existem grupos xiitas e seitas menores.

Depois da independência, milhões de hindus abandonaram o país e se estabeleceram na Índia. As comunidades hindu, sikh e cristã são reduzidas.

O Paquistão conta com zonas razoavelmente desenvolvidas e outras muito pobres. Embora o número de escolas primárias e secundárias tenha alcançado expressivo aumento a partir de 1947, o analfabetismo ainda atingia três quartos da população adulta no início da década de 1990.

São tradicionais os recitais poéticos, onde a manifestação cultural mais importante é a literatura e, em particular, a poesia.

Visite as outras páginas

[P.I.M.E.] [MUNDO e MISSÃO] [MISSÃO JOVEM] [P.I.M.E. - Missio] [Noticias] [Seminários] [Animação] [Biblioteca] [Links]

Voltar