Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Missão

Uma lenda antiga conta que São Pedro, depois de ter chegado a Roma e de ter trabalhado muito na formação daquela comunidade cristã, decidiu fugir por causa das terríveis perseguições do imperador Nero contra os cristãos.

Ele estava caminhando às pressas, na noite escura, por uma estrada que levava para o interioe da cidade.

A certa altura, enxergou à sua frente a imagem de Cristo desfigurado, carregando a cruz. Pedro, muito admirado por aquela visão, perguntou: “Para onde vais, Jesus?” E Jesus respondeu: “Vou para Roma para ser crucificado mais uma vez”.E desapareceu.

Aí, Pedro lembrou-se do dia em que, em sua

fraqueza, havia negado três vezes o Senhor. Lembrou também a grande missão que lhe havia sido entregue: “Apascenta as minhas ovelhas…”

O apóstolo recuperou a coragem e voltou para Roma, onde enfrentou novamente a tremenda situação e pagou, com o martírio, a fidelidade a Cristo e à missão.

COMO SER FIEL?

A fidelidade missionária não é estabilidade rígida, imobilidade fria e nem repetição monótona. Às vezes, nos comportamos como aquele pescador que sempre lançava teimosamente as redes no mesmo lugar, embora o leito do rio fosse reduzido a um areal.

A fidelidade missionária é, ao contrário, uma resposta viva, criativa, dialógica e perseverante ao Cristo missionário.

Poderíamos dizer que a fidelidade missionária apóia-se em quatro colunas:

1 - na busca paciente e generosa dos caminhos e dos projetos do Senhor dentro da realidade humana;

2 - na acolhida e aceitação serena dos projetos de Deus, freqüentemente envolvidos de mistério e de surpresa. É a atitude de Maria que “conservava todas essas coisas, meditando-as em seu coração!” (Lc 2,19). É a atitude também de Abraão, a caminho de uma terra prometida, mais ainda desconhecida;

3 - na coerência. Isto é, anunciar pela vida e pela palavra, lembrando as famosas perguntas de Paulo VI: “Acreditais verdadeiramente naquilo que anunciais?”;

4 - na constância. A coerência não deve se reduzir às horas do entusiasmo, mas deve se prolongar nas horas da tentação, do desânimo e do aparente fracasso.

A HISTÓRIA DE YU GUNG

No norte da China vivia, há muito tempo, um homem idoso chamado Yu Gung. Duas altas montanhas obstruíam o caminho que levava à casa dele.

Yu Gung, depois de longa reflexão, decidiu derrubar as duas montanhas. Usando uma picareta e com a ajuda dos filhos, começou o trabalho com entusiasmo.

Todo mundo ria dele, achando absurdo e doido aquele tipo de trabalho que não iria dar em nada.

Yu Gung, apesar das zombarias, assim respondia a todos: “Quando eu morrer, os filhos continuarão o trabalho; depois os netos e os filhos dos netos, por muitas gerações, até a demolição completa das montanhas. O importante é não desanimar!”.

Muitos, informados do projeto de Yu Gung e comovidos por tanta coragem e boa vontade, decidiram intervir para ajudar no trabalho.

MORAL DA HISTÓRIA

A tarefa da construção do Reino é imensa, difícil, e encontra muitos obstáculos no caminho. O importante é, na coerência e na constância, nunca desanimar e dar, todo dia, um passo avante na busca e na aceitação dos desígnios de Deus. Afinal de contas, estamos segurados pelas palavras do Senhor que declarou: “Estarei com vocês até o fim dos tempos” (Mt 28,20).

Pe. Paulo De Coppi
Do livro: Caminhos da Missão

PARA REFLETIR

1 - Leiam e reflitam: Is 1,21; Mt 24,45-51; Mt 25,21; 1Cor 4,2; Ap 2,10.

2 - Por que tantos cristãos são infiéis aos compromissos do batismo?

3 - Além do martírio, em quais outras situações você enxerga sinais de grande fidelidade?

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