Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Missão

No último censo brasileiro, do ano 2000, revelou-se que em dez anos, isto é, de 1991 a 2000, o número de brasileiros que se declarou católico diminuiu em cerca de 10% ou, em números exatos, 9,4%. Em 1991, o número de brasileiros que se declararam católicos foi de 83,3% do total da população e em 2000, somente 73,9%.

PERPLEXIDADE

Essa informação deixou a nós, católicos, especialmente os bispos, bastante chocados, preocupados e perplexos. Perguntamo-nos o que está acontecendo com nossa Igreja Católica no Brasil.

A informação do censo é confirmada por um trabalho de pesquisa realizado pela PUC do Rio de Janeiro, publicada num livro recente intitulado “Atlas da Filiação Religiosa e Indicadores Sociais no Brasil”, deste ano 2003, lançado pelas Ed. PUC- Rio e Ed. Loyola, com apoio da CNBB.

Nas páginas 15 e 16 registram-se estatísticas complementares, afirmando que, hoje, a Igreja Católica apresenta uma forte redução do seu número de fiéis, particularmente em algumas das principais regiões metropolitanas do País: Rio de Janeiro, com 54% de católicos, Vitória, com 56%; Recife, com 62%; São Paulo, com 68%.

QUAL FUTURO?

Qual será o futuro do catolicismo, a médio e longo prazo, no Brasil? É a pergunta angustiante que paira no ar. Os bispos brasileiros, reunidos no início de maio, em Itaici (SP), receberam as informações acima, refletiram sobre elas e, preocupados, se perguntavam o que fazer e como fazer.

Creio que a resposta deverá começar pelo seguinte: aqueles que nós batizamos, os católicos, têm o direito de serem por nós evangelizados e nós temos o dever sagrado e irrenunciável de fazê-lo.

Não podemos omitir-nos nesse dever, e refugiar-nos em explicações e justificativas sobre por quê até agora não conseguimos evangelizar plenamente os que batizamos. Explicações e talvez até justificativas existem, mas não podem servir de refúgio ou de motivo para deixar as coisas como estão.

É PRECISO AGIR

Não podemos, em sã consciência, deixar essa situação se desenvolver, ficando apenas como meros espectadores perplexos. É preciso agir com serenidade, mas com lucidez e empenho decidido.

Sabemos que há diversas causas por detrás desde fenômeno do decréscimo do número de católicos no Brasil. Mas, sem dúvida, é uma medalha de duas faces. De um lado, a causa principal é o fato de que a maioria do povo católico foi pouco ou nada evangelizada. De outro lado, nós somos pouco ou nada missionários. Isso provém em grande parte do fato histórico de termos sido sempre um país católico. E ainda o somos, mas, até quando, se não agirmos?

URBANIZAÇÃO

A pesquisa da PUC do Rio de Janeiro mostra que a maior evasão de católicos ocorre nas periferias pobres das nossas cidades. Isso mostra mais uma causa da evasão de católicos para outras crenças, ou seja, a urbanização rápida do Brasil.

O povo católico veio do campo para a cidade, para uma nova cultura e novas condições de vida. Mas a Igreja não conseguiu acompanhar suficientemente a fé religiosa de seu povo nesta urbanização. Daí que nas periferias pobres é mais grave a evasão. Em alguns lugares os católicos já são menos da metade.

RETOMAR A EVANGELIZAÇÃO

Portanto, devemos urgentemente retomar a evangelização, tornando-nos todos missionários. Devemos retomar o contato com o povo da periferia, com as famílias, uma por uma, para ouvi-las, solidarizar-nos com elas em sua pobreza e abandono, levar-lhes o anúncio da pessoa de Jesus Cristo e seu Reino, rezar com elas, dar-lhes apoio espiritual e solidário em suas necessidades materiais.

MISSÃO PERMANENTE

É necessária a realização de uma missão popular com a preciosa colaboração de nossos agentes leigos/as. Muitas paróquias pelo Brasil afora já o fizeram, mas diria que deve ser uma MISSÃO PERMANENTE. Uma missão que não tem festa de encerramento depois de um mês de trabalho. A missão não pode ter encerramento: ela deve ser contínua, permanente.

É preciso que a Igreja Católica no Brasil se torne verdadeiramente missionária, não apenas no discurso, que é fácil, mas na prática. A missão permanente deve fazer parte da dinâmica cotidiana das comunidades.

Não será fácil, mas é necessário começar. Nem esperemos que a CNBB nos dê logo um modelo de como agir, pois não o fará. É preciso começar na base. Uma vez que muitas experiências na base se tornarem reais, a CNBB terá dados e critérios para elaborar um modelo.

Que o Espírito Santo renove sua Igreja e nos leve à missão!

Dom Cláudio Hummes
Arcebispo Metropolitano de São Paulo-PS

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Em algum lugar no FUTURO ... AMÉM! E eu te Batizo ... AMÉM Uma vez era assim. A missão acontece no dia-a-dia de nossas comunidades, sempre privilegiando os mais pobres. Entrem vocês também na onda da missão!