Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Missão

Uma imagem bíblica muito usada por Jesus para expressar a missão no mundo é a pescaria. “Farei de vocês pescadores de homens” (Mc 1,17). “Avancem para águas mais profundas e lancem as redes para a pesca” (Lc 5,4).

Importa lembrar que, quando se trata de pescaria, é o peixe que define para o pescador onde pescar, o que usar na pesca (tipo de anzol, rede, tarrafa, isca...) e também como pescar (silêncio, paciência, espera, perseverança, horário, local...). Na verdade, o peixe acaba definindo até o tipo de pescador.

Algo semelhante acontece no caso da missão. É o tipo de povo, suas condições culturais, sua realidade, seus conflitos, sua situação sócio-econômica e suas lutas que vão definir a missão na busca da construção do Reino de Deus. As prioridades a serem assumidas, a linguagem a ser utilizada, o caminho a ser percorrido, a postura do missionário, tudo isso há de ser definido tendo em vista o povo com o qual se vai trabalhar em sua situação concreta.

Não há uma pescaria igual à outra, como também não há uma receita infalível para a garantia da pesca: cada missão é única e não há garantias de que o resultado obtido em um lugar vai se repetir em outro. Devemos “fazer tudo como se tudo dependesse de nós e esperar tudo como se tudo dependesse de Deus”. Devemos criar condições para que a presença de Deus, que já está lá, seja notada e seja celebrada para alimentar a esperança do povo.

Porém, mesmo com todo preparo, toda técnica e aparatos que venham a ser utilizados na missão, não há garantia de resultados. Nossas estratégias não substituem a ação primeira e fundamental de Deus.

Deve-se estar preparado para os contratempos e para os fracassos: “Mestre, tentamos a noite inteira e não pegamos nada...”. A persistência, porém, há de vencer nossos cansaços e decepções: “...mas em atenção à Sua Palavra, vou lançar as redes” (Lc 5,5).

Importa fazer o melhor da nossa parte e esperar a ação da graça de Deus. Somente a presença de Deus e, da nossa parte, a fiel atenção à sua Palavra, podem trazer êxito para a missão. Procurar estar junto do povo com um coração amigo, aberto e acolhedor, mas ser capaz também de identificar os sinais do anti-reino, os entraves que dificultam e sacrificam a vida do povo e, diante de tudo isso, perguntar sempre: O que Deus está nos dizendo diante de tudo isso?

Qual o caminho que o Espírito está nos apontando? Qual o melhor modo de responder aos desafios missionários que estão à nossa frente? Como o peixe define a pescaria, o povo, em sua realidade concreta, definirá a missão. Mas em tudo isso, que nossa preocupação não estacione no “fazer”, antes nossa presença, nosso modo de “ser” é que deverá “transpirar Deus”. A diferença em Jesus não estava tanto no que Ele fazia, mas no que Ele era junto do povo. Que o jeito de Jesus seja o nosso jeito na missão.

Em resumo, a atenção, a paciência, a perseverança, a dedicação e a esperança do pescador devem ser as atitudes de todos e de cada um dos missionários. E a nossa prece constante ao Pai: mostra-nos o caminho, a melhor maneira de caminhar, e dános força para não desanimar.

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