Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Missão

MISSÃO


Catedral de Guatemala

De 25 a 30 de Novembro, realizou-se, na Guatemala, o CAM 2 e COMLA 7, um dos maiores acontecimentos missionários da Igreja Católica.

O Pe. Paulo, diretor do nosso jornal, esteve lá. Portanto, nada melhor do que ouvir dele o que se deu neste Congresso que envolveu as forças vivas da Igreja da América, continente considerado “a esperança missionária do mundo”.

CRISTIAN: Pe. Paulo, o CAM 2 – COMLA 7 foi mais um dos grandes congressos missionários em que o senhor participou. Qual a novidade dessa nova experiência?

PE. PAULO: As novidades foram muitas e interessantes, a começar pelo impacto com a realidade guatemalteca. Você já ouviu, sem dúvida, falar dos antigos Maias, os primeiros donos de boa parte da América Central. Bom, muitos dos congressistas foram morar nas casas de famílias autenticamente Maias, como aconteceu comigo.

Posso lhe dizer que a bondade e as atenções que estas famílias nos dispensaram chocou a todos. Toda noite, ao voltar do congresso, a entrada até à casa era transformada num lindo tapete de flores das mais diferentes cores.


Oscar Rodrígues - Bispo de Tegucigalpa e Pe. Paulo de Coppi - Diretor do MJ

Logo começavam as visitas de parentes, sempre com suas crianças muito educadas e afetuosas, trazendo frutas, presentes. As lideranças das paróquias todos os dias mostraram uma incrível criatividade para nos servir e tornar a presença dos missionários a mais agradável possível.

CRISTIAN: Quais e quantos foram os participantes do Congresso Missionário Americano?

PE. PAULO: O CAM 2 conseguiu reunir as delegações das três grandes regiões do continente: a do Norte, a Central e a do Sul. Os participantes, num total de 3173, chegaram de todos os países, do Canadá ao Chile, trazendo uma enorme riqueza de culturas e de experiências humanas e eclesiais.

Os participantes eram assim distribuídos:

          • 1818 leigos e leigas
          • 734 padres
          • 403 religiosos/as
          • 71 seminaristas
          • 97 bispos
          • 31 diáconos
          • 11 arcebispos e 8 cardeais

Depois da Guatemala, os países com maior número de participantes foram os vizinhos:

          • El Salvador 263;
          • Nicarágua 235;
          • Honduras 229;
          • Costa Rica 174
          • Panamá 150

As dioceses destes países se prepararam através da celebração de um Ano Santo Missionário durante o qual foi estudado o tema: “A Missão a partir da pobreza, da pequenez e do martírio”.

Enquanto isso, realizava-se, de paróquia em paróquia, a peregrinação do Santo Cristo (negro) de Esquipulas, de Nossa Senhora de Guadalupe e do Santo Hermano Pedro, imagens altamente significativas para os povos da América Central.

CRISTIAN: A seu ver, o que foi que motivou a escolha desse tema para o Congresso?

PE. PAULO: Principalmente pelos seus conteúdos extremamente atuais a serem vividos, no dia-a-dia da prática missionária. Nesta escolha contribuiu também o fato de o Congresso ter sido realizado numa região profundamente marcada pelo martírio de muitos cristãos comprometidos com a justiça.

Pobreza, pequenez e martírio foram as palavras-chave que diariamente ecoaram desde o auditório João Paulo II até os debates nos grupos. Dom Oscar Rodríguez, cardeal de Tegucigalpa, Honduras, personalidade de grande destaque, mostrou como essas três características sempre pertenceram à missão de Cristo e da Igreja através dos tempos, inclusive na América Latina.

O cardeal concluiu: “Não temos nem ouro nem prata, mas com generosidade queremos compartilhar o que temos: o dom da fé e a certeza de que, em nome de Jesus de Nazaré, podemos ajudar para que muitos se levantem e possam caminhar, como semente de cristãos”.

CRISTIAN: Descendo mais ao prático, o senhor acredita que deste evento saiu algo de concreto para a vida das Igrejas da América Latina?

PE. PAULO: A pergunta tem sentido e não deixa de ser altamente questionadora. Já durante o desenrolar dos trabalhos, num clima de muito entusiasmo onde se ouvia gritar: “América, tua vida é missão”, sempre surgia a pergunta: Será que de tudo isso surgirá realmente algo novo? Sem dúvida, das palestras e dos trabalhos de grupos saíram muitas e propostas válidas para que as nossas igrejas particulares se tornem mais missionárias e avancem além de suas fronteiras.

O que se destacou foi o compromisso dos bispos da América Central de criar, na região, um centro de animação e formação missionária para os missionários e ad Gentes.

Com isso, os bispos daquela região mostraram a firme decisão de fortalecer uma pastoral mais evangelizadora e de lançar-se para a missão além fronteiras, convictos de que a América não pode guardar para si a sua fé.

Comprometeram-se também a desenvolver o serviço de Igrejas Irmãs, incluindo as da América do Norte, sobretudo com a troca de pessoal e deixando de vê-las apenas como apoio econômico, como tem sido até agora.

Acredita-se que os numerosos emigrantes que foram buscar uma vida melhor na América do Norte carecem de maior assistência humana e espiritual. O bispo canadense, Dom François Lapierre, a este propósito, deu um precioso testemunho: “Na minha diocese, a chegada dos emigrantes mexicanos e de outros paises latino americanos está reavivando a fé das comunidades locais”.

CRISTIAN: Pe. Paulo, o que mais o senhor gostaria de lembrar daqueles dias tão importantes?

PE. PAULO: Não poderia deixar de lembrar as lindas liturgias realizadas pelas diversas etnias indígenas do país. Usando um forte misticismo, elas nos ensinaram a rezar. Os jovens, as famílias missionárias e a pequena cubana da Infância Missionária que, chorando de comoção, deu um testemunho que arrebatou a simpatia e os aplausos dos congressistas serão inesquecíveis.

Foi marcante também a solene Eucaristia celebrada no estádio Mateo Flores de Guatemala. O cardeal Crescenzio Sepe, enviado especial do Papa, lançou um forte apelo a todo o continente para um maior comprometimento com a missão universal. “Igreja na América, não tenha medo de ser santa. Não duvide em sair de sua terra, com Cristo, para todos os povos e culturas!”.

No final da celebração, foi anunciado o país que irá sediar o CAM3-COMLA8, em 2007, o Equador. A delegação equatoriana exultou e deu umas voltas pelo estádio, antecipando suas boas vindas.

Que Nossa Sra. de Guadalupe e os Mártires de nosso continente intercedam para que as igrejas na América respondam com maior generosidade a seu compromisso missionário universal.” (Da Mensagem final do CAM 2)

PARA REFLETIR

1. Qual o sentido do tema do CAM 2: “A Missão a partir da pobreza, da pequenez e do martírio”?

2. Qual o sentido do lema: “América! Tua vida é missão”?

Visite as outras páginas

[P.I.M.E.] [MUNDO e MISSÃO] [MISSÃO JOVEM] [P.I.M.E. - Missio] [Noticias] [Seminários] [Animação] [Biblioteca] [Links]

Voltar