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Mundo Missionário

Religião na família Coreana

Com certeza, conhecemos muita coisa sobre a Coréia do Sul durante a Copa do Mundo. No entanto, faltou enfocar uma questão muito importante desta cultura: como as famílias vivem a religião.

A religião ocupa um papel central numa família coreana tradicional. Desde os primeiros anos, a criança participa das cerimônias, celebrações e outras atividades relacionadas à fé de seus pais.

Na Coréia, filho de religioso, religioso será, não importa se budista, protestante, católico, confucionista ou uma mescla delas. Metade da população coreana diz ter alguma crença e freqüenta uma igreja pelo menos duas vezes por mês.

Não se pode dizer que a Coréia é um país budista, tal como são relacionados o Brasil e o catolicismo.

Há dois anos, o governo descobriu que entre os coreanos, com algum credo cristão, 45,7% são budistas; 38,8%, protestantismo e 13,2%, católicos.

“Ensinar o budismo aos nossos filhos não é tarefa difícil. Eles vivenciam a crença no lar e a aceitam felizes”, afirma a avó Kim Jeong-Ok, de 65 anos, que levava a nora e os dois netos ao Bulguksa, o mais conhecido templo budista da Coréia.

As universitárias Kim Ok-Hyun, de 23 anos, e Lee Hae-Ri, de 24, sempre que podem visitam o Bulguksa e o Sokkuram, uma admirável escultura de Buda sentado, feita de granito. Sentem-se honradas por possuírem em seu país esses dois patrimônios culturais da humanidade. Só que elas não são budistas, mas católicas. Estão ali para admirar as construções, já que estudam história da arte.

“Na minha família convivem católicos, evangélicos e budistas”, diz Ok-Hyun, cujo nome de batismo é Clara. “Em relação ao budismo, temos um respeito maior já que é a religião mais antiga do país.”

O budismo foi difundido por volta do ano 372 e, em 642, se expandiu para o Tibete. Hoje, na Coréia, é possível entrar numa universidade, a Kim Il-Sung, e nela estudar durante cinco anos para se tornar um monge budista.

POR QUE CATÓLICO?

Ana, amiga de Ok-Hyun, tornou-se católica por causa dos pais. A educação em sua casa ensinou-lhe a admirar o catolicismo e a gostar de freqüentar as missas nos domingos. Apesar de a maioria de seus amigos terem alguma religião, católica ou não, elas sabem que muitos jovens acabam se desviando da vida religiosa. “Na adolescência, é muito difícil se adaptar”, diz Ana.

Nos últimos anos é cada vez maior o número de pessoas que assumem sua religiosidade particular dentro de casa. São dados obtidos na pesquisa do governo e confirmados pelos próprios religiosos. “Não estamos procurando trazer novas pessoas para cá, mas tornar as que já temos mais fiéis”, resume o Padre Kwak Min-Jae, da catedral de Gyesan.

Em Daegu, há 12 mil fiéis cadastrados, mas só cerca de 3 mil participam mais ativamente das missas. Para enfrentar essa nova realidade, a Igreja mudou seu discurso. Acabaram com as lamentações sobre os mortos da guerra com o Japão e adotaram as canções mais novas, ao gosto da juventude.

Afirma Kwak: “com a chegada de padres mais jovens, está havendo a renovação de que precisamos”.

E não é por falta de santos, já que a Coréia possui nada menos que 103 deles. Em 1984, o Papa João Paulo II canonizou esse batalhão de mártires, o maior número da história. Só no mês de maio o Brasil, o maior país católico do mundo, passou a contar com uma santa: Madre Paulina.

DIFICULDADES E CONQUISTAS

As igrejas protestantes enfrentam a mesma situação. A maioria dos fiéis, da Igreja Presbiteriana Han Sun, é formada por idosos ou mulheres das classes média ou alta. Para expandir o protestan-tismo, missionários e pastores vêm sendo enviados para outras cidades. “Temos problemas com os jovens. Eles têm muita diversão fora da igreja”, admite Han Shin-Hee, coordenador de ensino religioso.

A Han Sun possui 2.400 fiéis, 350 deles são estudantes. Em todo o país, há cerca de 83 denominações protestantes. É a força religiosa que mais se expande na Coréia, tendo hoje mais de 9 milhões de fiéis.

No entanto, há poucos conflitos entre as religiões. Em determinadas ocasiões, fiéis de credos diferentes se uniram para ajudar o país em momentos difíceis, como na época da dominação japonesa.

Isso ajuda a entender o porquê da facilidade de algumas pessoas adotarem princípios de outras religiões como valores familiares. O confucionismo, que prega o amor benevolente e a retidão de caráter, faz parte da maioria dos lares da Coréia.

(www.catolicanet.com.br)

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