Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Mulher

Eu ... Matar meu filho?
Nunca!

m recente visita à terra de Santa Paulina, encontrei um personagem muito simpático que me contou uma história comovente e motivadora de uma reflexão sobre o valor de cada vida gerada.

Este personagem, Pe. Lino Londero, mora em Vígolo - Paróquia de Nova Trento, e é Capelão do Santuário de Madre Paulina. Pe. Lino, completando 50 anos de sacerdócio no dia 08 de dezembro, nos presenteia com uma bela reflexão sobre o valor e o testemunho de uma mulher em favor da vida.

Natal é justamente isso: Deus que se faz vivo em nosso meio, encarnando-se numa incontestável prova de amor para com toda humanidade.

Pe. Cláudio Cordovil
pe.claudio@missaojovem.com.br

Certa vez, li numa das edições da revista Veja a estarrecedora declaração de algumas dezenas de vedetes: eu fiz aborto!

Senti-me interpelado e, numa homilia dominical, pareceu-me oportuno comentar o fato. Fiz lembrando que, graças a Deus, muitas outras mães concordavam e agiam como mamãe Fortunata Cargnin que um dia declarou: Eu... matar meu filho? Nunca!

ACONTECEU QUE...

Mamãe Fortunata, residente na Linha Sete, interior do município de Nova Palma - RS, como sempre fazia, estava enfiando cana-de-açúcar num rústico engenho. Num momento de descuido, sua mão esquerda ficou presa entre os rolos que moíam a cana. Até pararem os bois que moviam o engenho, toda a mão e parte do antebraço estavam moídas.

Acomodada numa carroça puxada por bois, viajou por estradas muito precárias e, só dez horas mais tarde, no Hospital de Dona Francisca, Fortunata era atendida por um médico que logo constatou: É preciso amputar a parte acidentada com anestesia geral - naquele tempo por inalação de éter.

Fortunata encontrava-se no terceiro mês de gravidez. Nesta situação, não suportaria a anestesia. Precisa abortar, declara o médico. Eu... matar meu filho?... Nunca! Antes morro eu! Alguém cuidará de meus filhos. Corte meu braço sem anestesia: foi a decisão absoluta de mãe Fortunata.

Muitos anos mais tarde, ela revelaria à sua filha Santina: “Sofri muito, mas Nossa Senhora me ajudou”. Seis meses mais tarde, no dia 7 de fevereiro de 1939, mãe Fortunata dava à luz e ... não era um, eram dois belos pimpolhos que hoje se chamam Pe. Daniel e Pe. Abraão!

Enquanto eu seguia com a homilia, alguém da assembléia não se conteve, cutucou sua vizinha e sussurrou-lhe: “Era minha mãe!” Foi Irmã Santina, uma das quatro religiosas, também filhas de Fortunata.

Fim da Santa Missa. Irmã Santina, apresentou-se na sacristia e completou as informações sobre o ocorrido. Mãe Fortunata, quando perguntada a respeito, costumava responder que bastava a convicção de que tudo era conhecido por Deus.

Fortunata Cargnin não era sozinha a testemunhar a fé no lar. Um episódio pitoresco manifestou também o espírito religioso de Sebastião, seu marido. Certa ocasião, o pároco avisou que não daria mais a Santa Eucaristia a quem se apresentasse com bigode muito crescido. Enquanto um dos colonos, revoltado com a exigência, não compareceu mais à igreja, Sebastião decidiu: Entre Cristo e meu bigode... prefiro ficar com Cristo! E raspou o bigode!

Fé profunda, silenciosa e forte foi o precioso legado de Fortunata e Sebastião Cargnin a seus filhos. De minha parte, embora até o presente nada se tenha feito para um possível processo de beatificação de mãe Fortunata, não tenho dúvidas de sua presença junto a Deus e de sua mãe Maria Santíssima, em quem ela tanto confiou.

Sinto-me plenamente tranqüilo ao recomendá-la como poderosa intercessora, especialmente para mães e futuras mães que necessitem de graças particulares para seus filhos.

REFLITA COMIGO

1. De imediato, qual suas impressões sobre o testemunho apresentado?

2. Como a sociedade moderna reage diante de um testemunho desse?

3. “Eu sinto que o maior destruidor da paz hoje é o aborto”.
O que você acha dessa afirmação de Madre Teresa?

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