Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Vocação

o mês passado, abordamos o tema da decisão e vimos como é difícil tomar uma decisão séria e madura. Agora vamos refletir novamente sobre o tema, tentando trazer novos elementos.

OS INIMIGOS DA DECISÃO

Quais poderiam ser os empecilhos que atrapalham os jovens na fase em que são chamados a definir a própria vida?

A pressa é quase sempre determinada por uma avaliação emotiva da situação. Toma-se uma decisão mais levada pelas aparências do que por fatores autênticos e baseada em valores consistentes. Hoje, quando alcançamos o outro pólo da terra somente com um simples click do mouse, pode-se chegar a pensar que podemos fazer a mesma coisa com a própria vida.

A indecisão nasce quando o(a) jovem não está bem esclarecido(a) acerca dos valores que vai escolher, ou quando começa a se tornar calculista.

A incapacidade de escutar a Palavra de Deus. O relacionamento com Deus e o confronto com a sua Palavra é fundamental num processo de discernimento e de adesão ao seu plano.

A não perseverança leva os jovens a escolher o caminho “mais fácil”, perdendo o olhar sobre o que foi de antemão decidido. Esta inconstância pode ser observada a partir das pequenas responsabilidades confiadas à pessoa e das atitudes diante destas responsabilidades.

Lembremos a parábola de Jesus:

“Muito bem, servo bom e fiel! Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei” (Mt 25,21).

A excessiva ansiedade diante das mudanças e das novidades. Isso manifesta que o(a) jovem não está ainda maduro(a) para enfrentar uma vida que exigirá a capacidade de se adaptar às mudanças.

CARACTERÍSTICAS DE UMA DECISÃO MADURA

Uma decisão madura necessita de algumas características:

RENÚNCIA: Para realizar o que desejo, devo saber renunciar. Trata-se de renunciar não tanto as coisas externas, mas parte do próprio eu.

Afirmar isso significa colocar-se contra a maneira de pensar da sociedade atual, que afirma que a pessoa madura é aquela que não renuncia a nada, que faz todo tipo de experiência, que vive sem restrições ou reservas.

É o que os meios de comunicação divulgam hoje:

“Siga seus sentimentos, seja você mesmo, a repressão é um trauma...”.

Pais e educadores nunca tiveram tanta dificuldade em dizer um “não” aos seus filhos e educandos. O medo de traumatizar uma criança ou um adolescente, com um “não” bem declarado, pode favorecer uma fixação no estágio da “onipotência”, na qual aquela criança adorada e bajulada se achava “a dona do mundo”.

Os problemas verdadeiros começarão a aparecer sobretudo na fase da adolescência, quando se manifestará de forma prepotente o desejo de viver como “adulto”. Em seguida, porém, o adolescente se aperceberá que o mundo dos adultos não o satisfaz mais, como já aconteceu com o mundo das crianças. Tudo isso produzirá nele sentimentos de ansiedade e depressão, chegando à amarga conclusão de que “o homem não é onipotente” como lhe fizeram crer.

João e Victor são amigos há um bom tempo. Eles se conheceram num encontro vocacional. Sentindo o desejo forte de doar sua vidas pelos outros, há tempo pensam em entrar no seminário.

João, jovem de seu tempo, no fim de semana sai com os amigos para as danceterias. Afinal, depois de uma semana cansativa, ele acha que tem o direito de se divertir e se sente feliz quando encontra alguma menina que o convida para dançar. Ele não vê nada de mal nisso.

Victor, por sua vez, prefere passar os fins de semana na sua comunidade. Lá, um grupo de jovens se encontram todos os sábados, meditam a Bíblia e, no domingo, prestam um serviço de voluntariado visitando os aidéticos mais abandonados.

Duas maneiras para passar o fim de semana e também duas maneiras para viver os valores:

• Renunciar a divertir-se, como faz Victor, e doar um pouco de tempo para os doentes. Pode custar, mas, com certeza, o ajuda a se aproximar mais do ideal de ser um dia alguém que doa a própria vida.

• Diferente é a escolha de João, que ainda pensa que, para se sentir realizado, deve se divertir.

PREFERÊNCIA: Numa decisão é importante que haja algo que motive nossa preferência. Geralmente escolhemos uma possibilidade, não porque soa escolhe a vocação sacerdotal, não o faz porque acha que o matrimônio é algo negativo, mas porque foi mais atraída pelos valores ligados à vocação sacerdotal. A renúncia é uma prova concreta que se acredita na qualidade superior oferecida por aquilo que se escolhe.

VOLTANDO AOS DOIS AMIGOS ...

João dá a impressão de que ainda não entendeu e não sentiu atração para uma vida de serviço aos outros. Ele está ainda mais voltado para si e, portanto, para ele será mais difícil dizer “não” àquilo que o mundo lhe oferece.

Victor já fez uma escolha mais madura. Ele emprega seu tempo livre de preferência para fazer os outros felizes.

IRREVERSÍVEL

A escolha feita se torna o fundamento para todas as escolhas futuras a serem ainda pensadas. Uma vez que uma pessoa tomou uma decisão a respeito da própria vida, nunca mais deveria voltar atrás.

De fato, quanto mais uma pessoa vive em profundidade a sua escolha feita, mais deveria apreciar a beleza e se convencer da bondade e da certeza da escolha. Na realidade, às vezes isso não acontece, pois aumentam as possibilidades de escolhas alternativas.

Entra aqui o tema da fidelidade: é importante que a pessoa se dê conta que, uma vez feita uma escolha, todas as outras escolhas deverão ser canalizadas para a escolha principal, que se tornou o motivo do viver de cada um(a).

Pe. José Negri
Psicólogo e Sacerdote

DICAS PARA OS ENCONTROS DO MÊS

1.ª SEMANA:
ESTUDO DO TEMA
(Convidem um assessor)

Em grupos:

1. O que dificulta mais a tomada das grandes decisões como: Casar, ser sacerdote, missionário...?
2. Como verificar se a nossa escolha foi madura?

O plenário fica para o segundo encontro.

2.ª SEMANA:
ESPIRITUALIDADE

Plenário do debate já realizado na semana passada.

Reflexão pessoal escrita:

1.ª Minha escolha pessoal está amadurecendo? Quais os sinais?

2.ª Quais os meus medos em relação à escolha de vida?

Depoimentos, lidos ou espontâneos, intercalados por cantos.
Entrevistar, durante a semana, algum sacerdote, religiosa ou casal com as mesmas questões do primeiro encontro.

3.ª SEMANA:
COMPROMISSO

Relato das entrevistas e comentários das mesmas.
Em duplas, falar do assunto para grupos de adolescentes, crismandos...

Durante a semana, preparar uma encenação sobre o assunto.
Convidar os pais para o 4.º encontro/confraternização.

4.ª SEMANA:
VIDA DE GRUPO

Encenação e, a partir dela, debate com os pais.
Refletir sobre Lc 10, 25-37 e responder: Esta parábola tem algo a ver com aquilo que refletimos durante o mês? Confraternização.

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