Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Vocação
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O primeiro impacto com essa nova realidade foi positivo. Fascinante é estudar uma língua tão diferente e descobrir uma cultura que nem se parece com a minha. O fascínio, porém, não é sem sacrifício, pelo contrário. Há alguns dias acompanhei um missionário francês em visita a uma vila rural. Encontramos lá somente 12 cristãos e com eles celebramos a Eucaristia. Como podem entender, não são os números que me fazem permanecer aqui. O que me faz permanecer na Camboja é que o verbo de Deus se fez carne e pôs a sua tenda no meio de nós. Em dezembro celebrei a Santa Missa numa capelinha de um bairro da periferia de Phnom Penh. Poucos dias depois, para forçar as pessoas que ali viviam a saírem, homens interessados naquelas terras provocaram um incêndio. Cerca de duas mil famílias ficaram sem abrigo e a própria capelinha foi destruída. Alguns dias depois do incêndio, falando àquelas pessoas, animei-as dizendo que Deus continua conosco, perto de nós e nos ajuda. É fácil imaginar o que aconteceu a estas pessoas quando o fogo destruiu tudo que tinham. A pergunta que vem em mente não foi: Por quê, Senhor?, mas nasceu espontânea a súplica: Vem, Senhor Jesus!. Vem, não tardes!. Meus dois professores são fantásticos. Às vezes faço a mesma pergunta aos dois para analisar e confrontar as respostas, tendo assim uma idéia mais clara da língua. No fim da consagração dizemos: fazei isto em memória de mim. Curioso, perguntei aos meus professores o significado da palavra em khmer usada para traduzir o verbo recordar - fazer memória. Um deles me confirmou o significado que nós temos, ou seja, recordar. Mas o outro, inesperadamente, alargou o horizonte interpretativo, dizendo que aquela palavra khmer significava também faltar, como quando dizemos sinto falta da minha família. Juntei os dois significados e descobri que a expressão de Jesus Fazei isto em memória de mim expressa uma grande realidade: nós cristãos sentimos falta de Jesus. Vamos, portanto, para a missa, rezamos... porque sentimos falta de Jesus de maneira tal que temos que fazer memória dele todos os dias. E que Maria continue nos trazendo a Graça, que é Cristo. Pe. Alberto Caccaro |
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