Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Vocação
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UM SONHO REALIZADO Sou Paulo Aparecido de Amorim, 34 anos, nascido na cidade de Rolândia (PR). Na véspera de minha ordenação sacerdotal, quero partilhar com vocês, amigos e amigas do Missão Jovem, um pouco da minha história. VOCÊ QUER SER PADRE? Bem, podemos dizer que a minha vocação é adulta. Embora o desejo de ser padre tivesse despertado aos 13 anos, foi com a participação no Grupo de Jovens JUCRIS (Jovem Unidos em Cristo) que este desejo foi amadurecendo e se consolidando ainda mais nos encontros vocacionais que o PIME (Pontifício Instituto das Missões Exteriores) me ofereceu, em Ibiporã (PR). Depois de alguns encontros, o pe. Lino me perguntou: Você quer mesmo ser padre? Confesso que fiquei muito indeciso, afinal, nem sabia qual era a diferença entre um padre diocesano e um do PIME, por exemplo. Mesmo assim, respondi que sim. Mas aí surgiram as dificuldades: tinha parado de estudar, minha família não tinha condições financeiras para me sustentar no Seminário, etc. O pe. Lino me consolou dizendo que se o desejo de ser padre era verdadeiro e sincero, as dificuldades não seriam problemas tão sérios assim. Com 16 anos, entrei no seminário menor do PIME, em Palhoça (SC). Foi aí que conheci o Pe. Paulo e toda a equipe do MJ da época. No seminário, a minha vida sofreu mudanças radicais que eu jamais imaginava: oração de manhã, ao meio dia e à noite, momentos de meditação, direção espiritual, etc. Não foi fácil também a passagem de uma vida familiar, muito simples, a uma vida de família-comunidade, composta de 13 colegas e de três irmãos maiores ou pais: pe. Claudio, pe. Jorge e pe. José). AS CRISES Os anos de seminário menor foram determinantes. Os momentos de vida comunitária e os ensinamentos dos formadores marcaram muito a minha vida. Recordo, como se fosse hoje, o pe. Jorge insistindo: - Paulo, esteja sempre preparado, pois nada se improvisa! Parecia que a base da minha vocação missionária já estava consolidada.
Ilusão! No quarto ano de seminário entrei em crise e pedi para sair. Hoje entendo melhor aquilo que diziam o diretor espiritual e o reitor: - Não tomar decisões apressadas ... Embora continuasse firme dentro de mim o desejo de me tornar padre e missionário, optei por ficar fora do seminário por quatro anos, trabalhando com minha família e levando uma vida de cristão pautada pela fé e pela participação nas atividades da comunidade. Com uma visão bem mais clara do que era ser um padre do PIME e um padre diocesano, tentei entrar no seminário da diocese, mas não deu certo, também nos Jesuítas não foi possível. Foi então que joguei no lixo o meu orgulho e a minha vergonha e me aconselhei com o pe. Paulo de Coppi. Conclusão: voltei ao PIME e continuei minha caminhada vocacional, desta vez no seminário de filosofia na cidade de Brusque (SC). Foram tempos difíceis, mas de muita alegria. NA ITÁLIA No ano de 97, concluído o curso de filosofia, mais um fato veio sacudir profundamente a minha vida: os formadores, depois de muito diálogo, me enviaram à Itália, mais precisamente na cidade de Monza, onde o PIME tem seu seminário de teologia internacional e que é conhecida no Brasil pela Fórmula 1. Deixar pátria, parentes, amigos? Fui aprendendo que tudo isso fazia parte da mística missionária. Mas... eis que chega outra crise forte e muitas dúvidas: devo mesmo sair do Brasil? Será que Deus está mesmo me chamando? Novamente lembrei-me daquilo que me disseram padre Jorge e padre Cláudio: - Não tomar decisões precipitadas! Desta vez a oração venceu e me lancei confiando naquele que me chama. Se é Ele quem me chama, certamente é porque me ama e me dará as forças necessárias para superar todas as dificuldades. E lá fui eu, rumo a Monza, onde completei fiz o curso de teologia. Tive que aprender o italiano e superar mais um grande desafio: minha família tinha se tornado internacional. Apesar de a língua comum ser o italiano, éramos 40 seminaristas de nações muito diferentes: Índia, Brasil, Birmânia, Filipinas, Bangladesh, Itália e Vietnã. Conviver com colegas de tão diferentes culturas, não foi fácil. Ainda bem que um grande ideal nos unia: servir o Reino como sacerdotes missionários! Foi isso que nos deu a força para superar as diferenças de cultura, costumes etc. Agora, às vésperas da ordenação, agradeço a Deus o dom da vocação sacerdotal missionária. Tenho muito para agradecer às pessoas que de um modo o outro estiveram sempre perto de mim, com orações e apoio, como também ao PIME, que me acolheu e me indicou o caminho para que pudesse dar meu SIM total e definitivo ao Senhor. O MEU FUTURO? Seguramente irei à missão além-fronteiras. Aonde? Bom, ainda não sei ao certo, mas há um desejo fortíssimo dentro de mim: andar pelas missões e lá ser instrumento nas mãos do Senhor para realizar seu projeto de amor. O meu grande e forte abraço a todos os meus co-irmãos e, de modo especial, a você, leitor e divulgador deste instrumento de comunicação missionária: o Jornal Missão Jovem. Paulo A. Amorim (Paulinho)
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