Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Paz
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O ano 2001 foi proposto pela ONU como o Ano Internacional do diálogo entre as civilizações. No mundo, cheio de conflitos regionais, que ameaçam generalizar-se, cresce cada vez mais o desejo de paz. O sofrimento de muitos povos exige que se encontrem urgentemente soluções que sejam fruto do diálogo e do respeito entre as pessoas e os povos.
Neste serviço especial, ofereceremos um panorama de algumas das guerras que estão acontecendo pelo mundo e que, pelas sofisticadas armas usadas, superam, num certo sentido, as grandes guerras do século passado. Que o ano do diálogo entre as civilizações diminua este problema que mata, diariamente, muitas pessoas.
Somando conflitos em curso e pontos de tensão, o mundo, neste início de milênio, é um verdadeiro barril de pólvora. Nenhum continente escapa ao mapa mundial dos conflitos. Se em alguns casos é evidente um certo apaziguamento (como no estado mexicano de Chiapas e na Irlanda do Norte), um notável esforço de reconciliação (como entre as duas Coréias) ou mesmo um acordo de paz (como o da Etiópia e a Eritréia), a verdade é que muitos outros conflitos ou pontos de tensão parecem estar longe de uma solução, como são os casos de Angola, Congo, Colômbia, Afeganistão, Birmânia, Sri Lanka, País Basco ou Kosovo..., sem falar do Oriente Médio, onde o processo de paz está, no mínimo, moribundo.
Mais freqüentes e até mais violentas são as
ações de opressão de minorias étnicas e religiosas,
ou as revoltas dessas mesmas minorias, quando se sentem oprimidas. Não há dúvida, no entanto, que muitas vezes grandes interesses econômicos estão por trás dos ódios étnicos e religiosos, como é o caso da Angola, do Congo... Não é certamente por acaso que a maioria dos conflitos coincida com regiões onde existem grandes riquezas minerais ou que têm grande interesse estratégico político e geográfico.
As iniciativas de paz prosseguem, porém, um pouco dispersas. No Oriente Médio, multiplicam-se as visitas de líderes mundiais interessados em tentar salvar o processo de paz entre Israel e Palestina. Figuras de grande prestígio internacional, como o ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, são chamadas a servirem de mediadores. Pequenos países respeitados mundialmente, como a Noruega, tem uma tarefa importante no diálogo israelita-palestino e agora também no Sri Lanka, onde tentam sentar à mesma mesa inimigos de sempre. Organizações religiosas, como a Comunidade de Santo Egídio(Roma), esforçam-se para chamar à razão velhos inimigos, lançando bases para um entendimento. E mesmo a ONU, por vezes em dificuldade por ter que lidar com conflitos internos e não como mediadora entre Estados, está se empenhando na construção da paz.
Afeganistão - Os talibãs dominam 80% do país, mas continuam incapazes de conquistar o extremo-nordeste, reduto do comandante Ahmed Shah Massud e dos seus aliados. A guerra, que se arrasta desde 1979 e que não terminou com a retirada soviética de 1989, fez do Afeganistão um país paupérrimo. O envolvimento externo no conflito é notório: paquistaneses e sauditas financiam os talibãs (fundamentalistas islâmicos), e indianos, russos, tajiques, usbeques e turcomenos apoiam a resistência de Massud. Angola - Oito anos depois das únicas eleições livres da sua história, a Angola continua a viver sob ferro e fogo. O governo de Luanda prossegue a sua ação de cerco aos rebeldes da UNITA, liderados por Jonas Savimbi, mas sem êxito. Isolada internacionalmente, a UNITA utiliza os diamantes extraídos das zonas sob seu controle para comprar armamentos na Europa. No lado governamental, o esforço bélico é sustentado pelas receitas petrolíferas. Após 39 anos de guerras consecutivas, a população vive numa situação de extrema pobreza. Argélia - O presidente Abdeloziz Bouteflika ofereceu uma anistia aos membros dos grupos extremistas islâmicos, mas alguns continuam a atacar alvos militares e civis. Mesmo com um índice de violência muito inferior ao de anos anteriores, o último Mês de Ramadã voltou a ser marcado por dezenas de mortes. Ninguém acredita que os extremistas islâmicos consigam dominar o país, rico em gás natural e petróleo, mas Bouteflika e os militares argelinos também não conseguirão a pacificação. Myanmar - A Junta Militar continua ignorando as pressões internacionais para aceitar a democratização do país, mantendo estrito controle sobre a líder da oposição, a Nobel da Paz Aung San Suu Kyi. Contudo, o grande desafio ao regime deste país, são as guerrilhas das minorias étnicas. É um conflito marcado também pela utilização de soldados-crianças, tanto pela Junta Militar como pelas guerrilhas. Infelizmente, o conflito é quase que esquecido internacionalmente.
Bósnia - A ex-república iugoslava não conhece a guerra explícita desde 1995, mas continua dividida em duas entidades políticas rivais, a Federação Croato-Muçulmana e a República Srpska. Só uma forte presença militar estrangeira, representada pelas forças da Sfor, impede que croatas, muçulmanos e sérvios se sintam tentados a pegar novamente em armas e resolvam pela força os conflitos provocados por disputas territoriais.
Caxemira - Índia e Paquistão travaram três guerras em meio século, duas delas devido à disputa sobre Caxemira. Desde 1989, a Caxemira indiana vive uma revolta separatista muçulmana. Do lado indiano, ninguém admite a separação do único estado de maioria muçulmana. Os massacres de muçulmanos e hindus são comuns na região, assim como as trocas de artilharia ao longo da linha de controle que serve de fronteira. A tensão indo-paquistanesa é agravada pelo fato de os dois países possuírem armas nucleares e terem uma tradição de confronto entre si que vem da trágica divisão das Índias Britânicas em Agosto de 1947, dando origem aos irmãos-inimigos Índia e Paquistão. Chechênia - A Rússia usou toda a sua força para esmagar a rebelião que visava tornar independente a Chechênia. Embora derrotados, os guerrilheiros chechenos continuam provocando baixas nas forças russas e mantém Moscou em estado de alerta contra a possibilidade de atentados terroristas. É um conflito que pode reacender-se a qualquer momento. Colômbia - Guerrilhas e grupos paramilitares incendeiam a Colômbia desde a década de 60. O número de mortos deste conflito supera 40 mil. O governo colombiano tem tentado negociar com a guerrilha, mas os sucessivos acordos de cessar-fogo não impedem que a violência prossiga. O envolvimento dos cartéis de narcotraficantes dificulta as ações de paz. Também os Estados Unidos aprovaram uma substancial ajuda militar ao exército colombiano, empenhado no combate aos narcotraficantes. Curdistão - As atividades militares dos Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) reduziram-se depois da captura do seu líder, Abdulah Ocalan, pelas autoridades turcas, mas o problema da violência no Curdistão prossegue, pois mais de 30 milhões de pessoas, espalhadas por vários países (Turquia, Iraque, Irã, Síria, Armênia e Azerbaijão) continuam a sentir-se oprimidas. Na Turquia, por exemplo, onde vivem cerca de 15 milhões de curdos, prossegue a luta pelo reconhecimento oficial da sua língua e cultura. Indonésia - Consumada a independência de Timor Leste, a Indonésia enfrenta agora novos problemas separatistas e conflitos inter-religiosos. Em Aceh e Iriam Jaya existem fortes movimentos pró-independência, enquanto que, nas Molucas, cristãos e muçulmanos têm-se massacrado mutuamente perante a impotência das forças militares indonésias. Grandes Lagos - Depois de derrotar Mobutu Sese Seko e apoderar-se do governo da República Democrática do Congo (ex-Zaire), Laurent Desiré Kabila estava enfrentando uma revolta do mesmo gênero, com grupos de guerrilha congolesas dominando o Leste deste grande país africano. Agora, com o assassinato de Kabila, a primeira impressão é que seu filho, que assumiu o poder e que conta com a ajuda dos militares, governará com menos conflitos. Trata-se de um conflito internacional, mas que deixou de merecer grande destaque na imprensa internacional, embora continue matando pessoas. Os acordos de cessar-fogo têm sido até agora ineficazes. Kosovo - Depois dos conflitos de 1999, a esmagadora maioria dos refugiados de etnia albanesa regressou, mas a coexistência étnica permanece difícil. Grande parte da comunidade sérvia abandonou Kosovo e os que decidiram ficar vivem separados dos albaneses. As mortes motivadas pelo ódio étnico prosseguem e os sérvios
passaram a ser as principais vítimas. Aumenta sempre mais a incerteza
sobre o futuro político de Kosovo. Formalmente é parte da
Iugoslávia, na realidade é um protetorado da ONU e, segundo
a maioria albanesa, no futuro será um estado independente. País basco - Os separatistas bascos do ETA romperam as tréguas declaradas unilateralmente e reiniciaram a guerra contra o estado espanhol, fazendo, em poucos meses, 22 mortos. Nos últimos meses, o ETA atacou vários pontos da Espanha, matando não somente militares, mas também governantes locais, jornalistas e estudantes. Um conflito de resolução extremamente difícil, pois a Espanha não está disposta a conceder a independência exigida pelos revolucionários. Os dois maiores partidos espanhóis assinaram recentemente um tratado anti-ETA. Sri Lanka - Os separatistas tâmiles e o governo de Colombo admitem iniciar um diálogo patrocinado pela Noruega para pôr fim ao conflito que, nos últimos 20 anos, provocou a morte de cerca de 60 mil pessoas no Sri Lanka. Mas os combates entre a guerrilha dos tâmiles e o exército cingalês prosseguem, assim como os tradicionais atentados suicidas dos separatistas. De religião hindu, descendentes de trabalhadores agrícolas trazidos da Índia durante a colonização britânica, os tâmiles lutam por um estado independente no norte da ilha, projeto a que se opõe a maioria cingaleza, esmagadoramente budista. Sudão - A maioria árabe-muçulmana, que controla o governo, enfrenta uma revolta no sul do país, onde os cristãos e os animistas são mais numerosos. É mais um conflito esquecido, onde são comuns as atrocidades, a captura de escravos e a utilização de crianças como soldados. Leonídio Ferreira 1) Quais são as motivações mais freqüentes e profundas das tantas guerras que ainda existem no mundo? 2) Ao seu ver, qual o caminho mais eficaz para a resolução dos conflitos? 3) Parece que no Brasil não há guerras. Você concorda com isso, ou...? |
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