Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Pobres

REDUZIR A POBREZA NO MUNDO

Sede da ONU, em Nova Iorque
Estados Unidos – A Cúpula do Milênio, maior reunião de chefes de Estado e de governo da história, realizada em setembro na cidade e Nova York, publicou um extensa declaração de princípios e metas para o próximo século.

RESOLUÇÕES PRÁTICAS

O documento, assinado por 147 chefes de Estado e de governo, estabelece algumas resoluções práticas:

- Diminuir pela metade, até o ano de 2015, a proporção da população mundial cuja renda diária é inferior a US$ 1 dólar por dia, a proporção de pessoas que sofrem de fome e também o número de pessoas que não têm acesso à água potável.

- Garantir, até a mesma data, que crianças de todo o mundo tenham a possibilidade de ter acesso à escola primária e que meninos e meninas tenham a mesma possibilidade de acesso a todos os níveis de educação.

- Reduzir em três quartos, até 2015, o número de mulheres que morrem dando à luz e também da mortalidade infantil.

- Encontrar a cura da Aids e da malária até 2015, ou melhorar a condição das pessoas que sofrem dos males que afligem a humanidade.

- Dar assistência especial às crianças órfãs portadoras de H.I.V.

- Garantir, até o ano 2020, uma melhoria significativa na vida de pelo menos 100 milhões de moradores de favelas.

VALORES FUNDAMENTAIS

Além disso, relaciona seis “valores fundamentais” para as relações internacionais no próximo século:

Liberdade: Homens e mulheres têm o direito de viver suas vidas e criar seus filhos com dignidade, livres da fome e do medo da violência, da opressão e da injustiça. Governos baseados na democracia e na participação são os que melhor asseguram esses direitos.

Igualdade: a nenhum indivíduo ou Estado pode ser negada a oportunidade de beneficiar-se do desenvolvimento. Devem ser assegurados direitos e oportunidades iguais para mulheres e homens.
Solidariedade: as mudanças globais devem ser administradas de tal maneira que seus custos sejam distribuídos de acordo com os princípios da eqüidade e da justiça social. Aqueles que sofrem, ou têm menor proveito dessas mudanças, merecem a ajuda dos mais beneficiados.

Tolerância: os seres humanos devem respeitar-se em sua diversidade de crenças, cultura e língua. Diferenças internas ou entre sociedades não devem ser temidas ou reprimidas, mas valorizadas como algo precioso. Deve ser efetivamente promovida uma cultura de paz e diálogo entre diferentes civilizações.

Respeito à natureza: a administração de todas as espécies vivas e dos recursos naturais deve ser feita com prudência, de acordo com os princípios do desenvolvimento sustentável.
Somente dessa forma as incomensuráveis riquezas providas a nós pela natureza podem ser preservadas e passadas aos nossos descendentes. Os atuais insustentáveis padrões de produção e consumo devem ser modificados, para o interesse de todos.

Kofi Annan, Secretário-geral da ONU

Responsabilidade compartilhada: a respon-sabilidade pela administração do desenvolvimento mundial social e econômico, assim como a garantia dos tratados de paz e segurança, deve ser compartilhada entre todas as nações do mundo. As Nações Unidas devem desempenhar um papel central para que isso ocorra.

Percebe-se que as intenções são muito boas, mas provocam muitas dúvidas. O motivo é muito simples: as conferências passadas não saíram do papel. Basta citar a conferência de Pequim, em 1995, onde os países presentes decidiram garantir às mulheres e meninas direitos humanos e liberdades fundamentais. O tráfico e a exploração de mulheres e adolescentes, no entanto, são duas das atividades ilícitas que mais crescem no mundo e poucos países adotaram medidas para combatê-las. Espera-se que desta vez seja diferente.

Folha de São Paulo

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