Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Pobres
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Realizou-se em Brasília, em junho passado, o Congresso Nacional dos Catadores de Papel, que reuniu catadores de papel e moradores de rua de todo o país. João Paulo II, em sua mais recente Carta apostólica, a Novo Millennio Ineunte, afirmou: É hora de uma nova fantasia da caridade, que se manifesta não só e nem sobretudo na eficácia dos socorros prestados, mas na capacidade de pensar em ser solidário com quem sofre, de tal modo que o gesto de ajuda seja sentido, não como esmola humilhante, mas como partilha fraterna. Devemos procurar que os pobres se sintam, em cada comunidade cristã, como em sua casa (NMI, 50). O Papa deixa bem evidente a necessidade de os cristãos e as comunidades trabalharem com os últimos da sociedade. Para falar mais concretamente sobre este trabalho, apresentamos algumas palavras de pessoas que trabalham diretamente com os catadores de materiais recicláveis:
O que é o Vicariato Episcopal do Povo da Rua?
Irmã Regina - É uma instituição que o cardeal dom Paulo Evaristo Arns criou para o trabalho com a população de rua e cujo coordenador é o Pe. Júlio Lancelotti. Trata-se de um espaço privilegiado da Igreja para o povo da rua. Não é um espaço territorial, mas ambiental. Quer dizer que o povo da rua não tem um espaço físico, além da própria rua? Irmã Regina - Tem. Há três anos foi construída, no Bairro da Luz, a Casa de Oração do Povo da Rua. É o lugar onde o povo encontra espaço religioso e ecumênico. A construção foi feita com o prêmio Nirvana, recebido pelo cardeal Arns dos budistas do Japão. É interessante que todo mobiliário da Casa de Oração foi feito por moradores da rua e com material reciclável. É verdade que o povo tem uma espiritualidade própria? Irmã Regina - Sim. É uma espiritualidade comunitária, constituída de elementos como: convivência, partilha, oração e entre-ajuda. O grande objetivo é formar comunidade. Por isso, no mesmo local da Casa de Oração está a Escola do Serviço do Senhor Roberto, sua história como catador de papel é recente? Como começou? Roberto - Começou em 1997, em Poá. Um grupo de desempregados, entre eles, eu, começou com uma carrocinha a coletar papel. Montamos um grupo de desempregados e deficientes físicos e fomos para a rua catar papel. Hoje fazemos parte da Cooperativa de Reciclagem Unidos pelo Meio Ambiente (CRUMA). Somos 46 pessoas. A CRUMA dá formação e ensina a gente a ter um novo sentido do trabalho, da vida e dignidade da pessoa. Passamos a discutir juntos os problemas, a realizar assembléias, novenas, inclusive a Novena da Campanha da Fraternidade. As pessoas chegam sem nenhuma perspectiva de vida. Hoje discutimos projetos de resgate da vida. O último Projeto foi com os jovens, filhos dos cooperadores. Com eles trabalhamos o preconceito de serem filhos de lixeiros. Hoje, eles participam criando na população a consciência da dignidade do trabalho. Eliane, há quanto tempo você é profissional como catadora de material reciclável? Eliane - Há dois anos que trabalho numa associação de reciclagem. Uma coisa é observar e outra é tirar o sustento do lixo. Em Porto Alegre temos 8 associações. O pessoal não só recolhe e separa o material, mas já construiu um barracão de beneficiamento de plástico. Fonte: CNBB |
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