Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Religião - Geral
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O século que acabamos der encerrar iniciou com a filosofia da morte de Deus. Mas a pirâmide opressora do processo de secularização desmoronou de forma inesperada diante do surgir de inúmeros novos grupos e seitas religiosas que ostentam uma grande vitalidade. Se quisermos viver de maneira atenta e consciente as mudanças que estão acontecendo sob os nossos olhos estupefatos, é impossível deixar de fazer perguntas como estas:
UM SURTO RELIGIOSO Está aí um novo sagrado, um pluralismo religioso com tendências mágicas, mercantilistas, orientalistas, satanistas..., sem falar da salada religiosa feita pela New Age (Nova Era).Trata-se, sem dúvida, de um verdadeiro surto religioso.
Há religiões que crescem porque respondem ao medo das pessoas, oferecendo curas, milagres, consolações. O sucesso de outras religiões está na insegurança do povo. Religião virou remédio para as inseguranças do desemprego, da falência matrimonial, das crises emocionais, da ameaça ecológica. Medo e insegurança dão ibope religioso. O individualismo moderno, além disso, tem colaborado muito com aquelas religiões que fazem os gostos do indivíduo, respondem às suas expectativas e carências, sem exigir compromisso ético e comunitário. CARACTERÍSTICAS ATUAIS Segundo Dom Orlando Brandes, bispo de Joinville-SC, neste festival religioso, acontece de tudo:
TRÊS FENÔMENOS Disso tudo, resultam três fenômenos curiosos:
As pessoas admiram e aplaudem Jesus, o Evangelho, mas criticam, detestam e se afastam da Igreja, dos compromissos comunitários, da pertença e identidade eclesial. Dividem Jesus e a Igreja. Separam cabeça e corpo. Querem Jesus, mas não querem a Igreja de Jesus, que Ele fundou e quis.
As pessoas preferem um Deus energia, ser superior, bem supremo e cósmico, mas rejeitam Jesus e o Evangelho. Não acreditam em Jesus, filho de Deus. Preferem reduzi-lo a um mero fundador de religião, a um espírito reencarnado. É mais conveniente ter Deus, mas sem vínculo com Jesus, o profeta do Reino, e as conseqüências até martiriais do seguimento de Jesus. É preferível uma religiosidade light, naturalista. É o sucesso de Deus e o abandono de Jesus.
Neste nível, as pessoas se servem do mercado religioso, observam ritos e tradições, brigam pela religião e religiosidade (tradições, leis, costumes, igrejas), mas sem preocupação com a manipulação que fazem de Deus. Aqui as religiões olham mais para a prosperidade pessoal do que para Deus. O centro de suas preocupações não é o conhecimento do Deus vivo e verdadeiro, mas a defesa de sua Igreja e religião. Daí as guerras religiosas, o mercantilismo e charlatanismo em nome de Deus, verdadeiras aberrações religiosas, mas sem perceber ou sem querer perceber o jogo que se faz com Deus. O que importa é o sucesso da religião (igreja), não a glória e a vontade de Deus. O CAMINHO DA SUPERAÇÃO Estas características, que estão se difundindo em nossa cultura, produziram um verdadeiro vácuo de valores. Se analisarmos mais atentamente, observaremos que tudo isso se apresenta como uma grande revolução individualista, que abarca todos os âmbitos. Dá-se relevância à dimensão individual da religiosidade, pelas sensações que se experimentam, etc. Esta tendência é a ponta do iceberg, que desmascara a tal religião de si mesmo.
O sincretismo relativístico, além disso, que deriva destas características pode se configurar como religião fast-food, ou seja, um verdadeiro supermercado do sagrado: isto serve, aquilo não, isto eu levo, daquilo usarei apenas um pouco, etc. O aspecto positivo desta tendência está no fato de que ela frisa a necessidade de novas exigências de espiritualidade e formação para o ser humano deste século. Só com o discernimento, a teologia e a prática do ecumenismo é que poderemos distinguir o que é religião, seita, Igreja, fé e verdade. A ação pastoral da Igreja deve ter em conta as características de comportamentos que as pessoas assumem diante deste mundo. E para responder a este desafio, a Igreja precisa esclarecer o que é de fato pluralismo religioso, para que não acabe em indiferentismo, mas motive os cristãos a manter viva a capacidade de um diálogo autêntico. Precisamos conhecer a nossa religião e as outras, para defender e preservar a nossa fé. Precisamos sair da posição de ignorância, de admiração mística, sob a alegação de que todas as religiões são boas, para aprofundarmos mais o nosso cristianismo. Para que devemos conhecer a nossa religião? Para melhor conhecer Deus. E para que conhecer Deus? Para amá-lo ainda mais! Não devemos esquecer que o mundo, no qual se originou o Cristianismo, não era menos complexo e cheio de movimentos religiosos dos mais variados tipos. Mauri Heerdt
2.º Qual a essência da sua religião? 3.º O que diferencia sua religião destes movimentos religiosos? 4.º O que significa viver a religião de forma individualista? 5.º É possível entender religião sem comunidade? |
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