Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Religiões - Islamismo
|
ENTRE A FÉ E O FANATISMO
"SUBMISSÃO A DEUS" Fundada pelo profeta Maomé (578-632 d.C.), em Meca, na atual Arábia Saudita, no ano de 622, a religião islâmica tem como base os preceitos do Alcorão, cujo conteúdo teria sido revelado por Deus (Alá) a Maomé. O termo islam vem de aslama (submeter), enquanto a palavra muslin (daí deriva muçulmano) quer dizer submisso. Assim, quem segue o islamismo é chamado de muçulmano. Mas nem todo árabe, como freqüentemente se pensa, é muçulmano e nem todo muçulmano é árabe. Os muçulmanos consideram Maomé o último e o mais importante de uma série de profetas (Adão, Abraão, Moisés, Jesus, etc.). Afirmam também que somente a mensagem a ele transmitida por Deus se conserva intacta, sem deteriorações e mutilações, como aconteceu com outros livros sagrados. O preceito Alá é o único Deus e Maomé é seu profeta é um dos cinco pilares do islamismo, ao lado da oração, da esmola, do jejum e da peregrinação à Meca. E como todas as grandes religiões do mundo, também o islamismo prega a paz e o amor ao próximo. HISTÓRIA Surgido no século 7º, como a última das três religiões monoteístas, o islamismo viveu um período de expansão que durou 800 anos, ultrapassando as fronteiras da península Arábica.
Refugiado na cidade de Medina, Maomé organizou seus seguidores num exército que no ano de sua morte, 632, já dominava a maior parte da península Arábica. Os califas que o sucederam continuaram a conquista, aproveitando-se do enfraquecimento, a oeste, do Império Romano e, a leste, do Império Persa. No ano 711, os chefes muçulmanos atravessaram o estreito de Gibraltar e dominaram boa parte da Espanha. No Oriente, ao lado da atuação de guerreiros e missionários, a atividade de comerciantes muçulmanos ajudou a propagar o islamismo na Índia e até as regiões das atuais Indonésia e Malásia. Atualmente, dos 6 bilhões de habitantes do planeta, cerca de 1,3 bilhão são muçulmanos, divididos em diversas correntes e presentes em quase todos os países. No Brasil, há mais de um milhão de muçulmanos. 20 milhões estão na Europa. A maioria, porém, se encontra na Ásia e no Oriente Médio. A Indonésia é o país com o maior número de muçulmanos: cerca de 200 milhões. Segundo estimativas, um em cada quatro habitantes do planeta será muçulmano por volta de 2020. PACÍFICOS E EXTREMISTAS Embora a religião esteja historicamente ligada aos árabes, a maioria dos muçulmanos é de povos não-árabes. Donos das maiores reservas de petróleo do planeta, os árabes também são, em sua maioria, moderados, embora estejam concentrados no Oriente Médio, onde o radicalismo religioso tem seu braço mais forte e tem Israel o maior ponto de conflito. Cercado por estados islâmicos, Israel vem recebendo apoio militar e econômico dos EUA desde sua fundação e é considerado, pelos vizinhos, um país hostil e invasor. As diferenças internas, aliadas à miséria e à carência de educação, contribuíram para o surgimento de grupos fundamentalistas religiosos no seio do islamismo. Movidos pelo fanatismo e interpretação ao pé da letra de textos sagrados, eles vêem Israel e o Ocidente como o grande satã. Dentro desta minoria radical, uma outra minoria estaria disposta até a matar e morrer, convicta de que um fiel suicida garante um lugar de honra no paraíso. CHOQUE COM O OCIDENTE Depois dos embates das Cruzadas, o segundo choque dos muçulmanos com a Europa veio com a expansão colonial sobre a África, a Ásia e o Oriente Médio. A força militar, econômica e cultural das potências européias lançou os países, de maioria islâmica, numa onda de choque. Hoje, também, é em relação ao Ocidente que se definem muitos governos e movimentos islâmicos. Recentemente, o ensaísta de origem palestina Edward Said, professor da Universidade de Columbia (EUA), fez uma crítica dura às nações árabes, berço do islamismo, afirmando: Há uma ausência de democracia. A cultura está regredindo para uma espécie de nacionalismo ou fundamentalismo religioso. Diria que somos o único grupo importante que não passou, nos últimos anos, por uma renovação. No entanto, não é possível falar em um só mundo islâmico, assim como não existe um mundo cristão homogêneo. Associar os supostos autores dos atentados ao World Trade Center a todos os muçulmanos é o mesmo que relacionar radicais protestantes que atacam crianças na Irlanda do Norte a todo o cristianismo. JIHAD: GUERRA SANTA? A palavra árabe Jihad é traduzida freqüentemente como guerra santa, mas a tradução mais literal seria lutar ou esforçar-se pelo benefício da comunidade ou para evitar os pecados pessoais. A Jihad é uma obrigação religiosa. Se a Jihad é convocada para proteger a fé contra terceiros, podem-se usar meios legais, diplomáticos, econômicos ou políticos. Se a alternativa pacífica não for possível, o islamismo permite o uso da força, mas há regras rígidas: inocentes, como mulheres, crianças ou inválidos, não devem ser feridos e qualquer iniciativa de paz do inimigo deve ser aceita. Dessa forma, a ação militar é apenas um dos modos de levar adiante a Jihad, e é o modo mais raro de fazê-lo. O conceito de Jihad foi desvirtuado por grupos políticos e religiosos ao longo da história a fim de justificar várias formas de violência. A Jihad não é um termo que remete à violência ou declaração de guerra contra outras religiões. Vale notar que o Alcorão refere-se especificamente a judeus e a cristãos como pessoas do livro e que adoram o mesmo Deus. Portanto, eles devem ser protegidos e respeitados. |
Visite as outras páginas
[P.I.M.E.] [MUNDO e MISSÃO] [MISSÃO JOVEM] [P.I.M.E. - Missio] [Noticias] [Seminários] [Animação] [Biblioteca] [Links]