Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Religiões - Pentecostalismo
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O pentecostalismo é o movimento que mais influencia, hoje, as manifestações de religiosidade em muitas partes do mundo. O movimento surgiu praticamente dentro da Igreja metodista, cujo fundador é Jonh Wesley. Partindo da constatação de que os metodistas estavam se afastando dos ensinamentos de seu fundador, iniciou, no século XIX, o movimento chamado Holiness (santidade), que visava reavivar a fé de seus membros. Ensinava que, para a salvação, era necessária a conversão e, em seguida, uma nova e mais profunda experiência religiosa: o batismo no Espírito Santo.
O pastor Charles Pharam, nos Estados Unidos, foi quem mais aceitou as idéias do Holiness, e as ensinou na escola de estudos bíblicos em Topeka, Kansas. Os alunos, que concordavam com essas idéias, acreditavam ter recebido o Espírito Santo e sentiam-se guiados em suas vidas pelo mesmo Espírito. Segundo uma interpretação ao pé da letra de alguns trechos dos Atos dos Apóstolos (2, 1-12; 10, 44-48; 19,17), eles acreditavam que o sinal característico por ter recebido o Espírito Santo era o dom das línguas e, posteriormente, o dom da cura das doenças. Surgiram assim comunidades de pessoas que aspiravam a esses dons do Espírito e que, sem pretender fundar uma nova denominação religiosa, desejavam levar um pouco de renovação às comunidades metodistas e protestantes em geral.
No início, sua vida não foi fácil. Seu entusiasmo exagerado levantou suspeitas entre as comunidades batistas e metodistas, que acabaram se afastando do movimento. Sentindo-se rejeitadas pelas denominações tradicionais, as novas comunidades acabaram formando um movimento próprio, passando a serem chamadas pentecostais pelo fato do ponto central do movimento ser o batismo no Espírito, recebido como num segundo Pentecostes. Fundamentalmente, vemos nesse movimento, além do entusiasmo e da exaltação, o mesmo anseio que está na origem do protestantismo nos Estados Unidos: o desejo de liberdade, de não depender de uma Igreja institucionalizada, de formar comunidades mais livres, justamente o que fizeram os que, em 1620, fugiram da Inglaterra no navio Mayflower, pois se sentiam sufocados pela Igreja do Estado, a anglicana.
A breve história do movimento, que ainda não completou um século de vida, mostra que nenhuma denominação protestante está sujeita a divisões e subdivisões como os pentecostais.
Assembléia de Deus, Congregação Cristã do Brasil, Igreja do Evangelho Quadrangular, Deus é Amor, Igreja Universal do Reino de Deus, todas muito conhecidas no Brasil, são algumas das muitas denominações que surgiram tendo como base os princípios do pentecostalismo. Alguns aspectos, apesar dessa divisão, caracterizam o movimento pentecostal e estão presentes em muitas denominações que vieram em seguida:
Estatísticas recentes dizem que 70% dos protestantes do Brasil pertencem a denominações ligadas ao pentecostalismo e o número de seus adeptos continua crescendo. Calcula-se que os membros de todas as denominações pentecostais
do mundo chegam a 250 milhões, com maior incidência no Terceiro
Mundo. De ordem sociológica Vivemos numa época de transição, de uma sociedade agrária, tradicional e autoritária, para uma sociedade urbana e, portanto, industrial, moderna e democrática. Para alguns autores, a adesão a uma comunidade pentecostal representaria a recusa dessa urbanização forçada por parte de pessoas que acabam de deixar o campo e se sentem confusas. Elas optariam assim pela segurança que uma religião autoritária, como são as pentecostais em geral, lhes garante. Um gesto, portanto, de afirmação pessoal, uma escolha democrática contra um sistema tradicional imposto, rígido, como era o estilo de vida da cultura camponesa. Os dois motivos, que tentam explicar uma mesma situação, parecem contraditórios. Talvez o primeiro sirva para explicar a adesão ao pentecostalismo de algumas pessoas, o segundo, de outras. De ordem psicológica Sempre tendo como pano de fundo a urbanização e a vida
nas grandes metrópoles que massificam e despersonalizam, essas
novas religiões oferecem a possibilidade de viver em comunidades
menores, onde as pessoas se conhecem, onde é claro o papel de cada
um e onde o senso de pertença a um grupo é muito forte,
o que significa proteção contra o isolamento e as ameaças
da grande cidade. Toda pessoa humana precisa de uma comunidade que a escute, lhe dê calor humano e ofereça sustento, especialmente nos momentos de crise. De ordem pastoral As religiões pentecostais valorizam a dimensão religiosa da cultura popular, a sede de Deus que o povo tem. As práticas religiosas do pentecostalismo estão muito enraizadas na cultura popular e em sua maneira de expressar-se religiosamente. Usando uma linguagem popular, verbal como não-verbal, oferecem a todos a possibilidade de realizar uma experiência de Deus particularmente profunda, onde todos podem sentir-se sujeitos e não simples espectadores.
A Igreja católica não teria respondido a essa sede de Deus de muitos de seus membros. Isso por muitos motivos: pela escassez de clero e de agentes de pastoral suficientemente preparados, pela falta de um sentido comunitário na estrutura paroquial, pela frieza e pelo formalismo que se nota freqüentemente na liturgia, pelo pouco ardor missionário de seus membros, por uma formação bíblico-catequética, geralmente superficial, de muitos fiéis, por uma catequese muitas vezes teórica e desatenta à vida de todos os dias. O fenômeno é complexo e vários são os fatores que podem explicá-lo. Possivelmente, nenhuma das causas acima expostas, isoladamente, consiga explicá-lo de forma suficiente. Ao mesmo tempo, talvez nenhuma dessas mesmas causas seja totalmente alheia ao mesmo fenômeno. Poderíamos, portanto, dizer que, em proporção diferente e conforme os lugares, todas essas causas juntas oferecem a explicação mais completa sobre o fenômeno do vertiginoso crescimento das seitas pentecostais. Pe. Alberto Garuti - P.I.M.E. PARA REFLETIR 1.º) Concorda com esta visão do fenômeno pentecostal? 2.º) Quantas e quais são as expressões do pentecostalismo em sua cidade? 3.º) Elas tiveram sucesso? Quais as razões? 4.º) Que tipo de relacionamento deve-se instaurar com elas? |
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