Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Testemunhos de Vida Missionária
(Manuel Lopes) UMA GRANDE VIAGEM Responder ao chamado de Jesus é como começar uma longa viagem. Coisas a preparar, medos que surgem, dúvidas que esperam respostas, etc. A hora da partida se aproxima. A mochila ainda não está pronta. E as despedidas? A família, os amigos... Como vai ser? Não, acho que não sou capaz, não pode ser. É muita coisa que ficará para trás. Ainda não me sinto preparado, ainda é cedo! Mas tenho que dar uma resposta. Sim, eu e mais ninguém. Há viagens com programa bem definido, com bilhete de ida e volta. A vocação missionária, no entanto, não é um passeio. Quem embarca nela não sabe bem qual será o roteiro e aonde chegará. É uma viagem muito exigente: pode durar a vida toda. Nem todos, diante desse desafio, são capazes de arriscar-se nessa viagem. O próprio Jesus viu gente ficar pelo caminho, por falta de coragem, por comodismo, por ter outras prioridades na vida. Certo dia, “enquanto iam a caminho, disse-lhe alguém:” Seguir-te-ei para onde quer que fores”. Respondeu-lhe Jesus: “As raposas têm tocas e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça”. (Lc 9, 57). Seguir Jesus não significa encontrar um “ninho”, um refúgio, uma vida mais fácil. Hesitações, adiamentos, desculpas e mais desculpas. Entrar nessa viagem significa deixar coisas, amigos, um estilo de vida já enraizado. E entregar-se! Jesus não obriga ninguém a seguilo, mas, de quem o seguir, exige radicalidade: “Quem, depois de deitar a mão ao arado, olhar para trás, não é apto para o Reino de Deus”. O MISSIONÁRIO LEIGO Teorizar sobre a vida missionária não é tão difícil: a questão central é optar mesmo e partir em missão. Padres e irmãs ainda possuem toda uma estrutura de congregação, ou contam com estruturas diocesanas, paróquias ou outros organismos que oferecem-lhes auxílios para ir, permanecer na missão e retornar. E os leigos? Recebemos com freqüência cartas de pessoas desejosas de desenvolver um trabalho missionário como leigos.
Na visão do Papa, “o problema missionário está tomando tão extensas e sérias proporções na Igreja que somente um verdadeiro e renovado esforço por parte de todos os seus membros e comunidades, proporcionará uma resposta adequada” (CL 35). Um fenômeno novo e interessante está aparecendo no mundo e também aqui no Brasil: aposentados que decidem dedicar uns anos de sua vida à missão. A Igreja deve prestar atenção a esse fato. São pessoas que já possuem situação profissional e pessoal definida, têm boa saúde e até autonomia econômica, junto com uma rica experiência de vida e engajamento. Para melhor ilustrar o que estamos dizendo, apresentamos o testemunho da Célia Salvador, de Florianópolis-SC. SUPERAÇÃO E MISSÃO Depois de um longo discernimento, Célia Sartori decidiu “fazer as malas” e ir para a comunidade de Porto Murtinho-MS, para servir aquele povo sofrido que mora às margens do rio Paraguai. Célia tem uma história que testemunha a sua profunda fé em Deus, pois ela conseguiu superar um drama familiar que, aos olhos humanos, parecia impossível. Casada há 17 anos, vivia harmoniosamente com o esposo Ary e as filhas Aline e Paula, até o fatídico dia 20 de dezembro de 1997. Neste dia, num acidente automobilístico, perdeu os três maiores amores de sua vida. Forte pela sua fé em Deus e pelo apoio de parentes e amigos, Célia conseguiu superar a dor de tamanha perda e começou a se perguntar: o que vou fazer agora de minha vida? Estudar? Conseguir mais um título...? Nada disso a satisfazia! Mas uma luz clareou novamente sua vida e seu futuro: consagrar todo o amor que tinha pelo esposo e pelas filhas em prol dos mais necessitados, num serviço voluntário de evangelização e promoção humana em terras de missão. Com decisão, Célia recuperou forças e esperança para investir as muitas potencialidades recebidas de Deus. COMO REALIZAR O SONHO? Um dia Célia procurou o Pe. Paulo, Diretor do MJ, e, com os olhos brilhantes e com aquela humildade que sempre a caracteriza, revelou-lhe sua grande decisão: ser missionária! Mas, o que fazer para se preparar adequadamente para a missão? O Pe. Paulo indicou-lhe um curso de ciências religiosas. Célia poderia estudar enquanto chegasse a esperada aposentadoria. Era interessante também participar de outros encontros de formação missionária que a Pastoral Missionária da Arquidiocese de F.polis ia realizando. Neste período de preparação, Célia teve também a oportunidade de participar de uma missão popular em Pintadas-BA. E CHEGOU O DIA ... Já faz mais de dois meses que a amiga Célia partiu, deixando sua casa, a querida Florianópolis e os muitos amigos e amigas. Em sinal de comunhão e participação da sua paróquia, Célia foi acompanhada à sua nova missão, em Porto Murtinho-MS, pelo seu pároco, frei Daniel. A acolhida feita pelo pároco de Porto Murtinho, Pe. Giancarlo Vecchiato, e pela comunidade local mostrou que a nossa missionária leiga, aposentada, mas ainda em perfeitas condições, já é “da casa” e que a sua nova família chama-se “os pobres porto murtinhenses”.
“Felizes os pés dos que anunciam a Boa Nova!”. Célia foi em nome de todos nós que aqui ficamos com saudade, admiração e, por que não, com uma certa inveja. Que o testemunho dessa senhora não deixe indiferentes outras e outros aposentados, ainda jovens e com boa saúde, que muito têm ainda para dar aqui e nas missões. Pe. Nunes - PIME |
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