Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Testemunhos de Vida Missionária
TRÊS VIDAS PARA
A MISSÃO
“Muitos rostos, um só coração”. Com esse lema as cinco congregações missionárias fundadas por Daniel Comboni (1831-1881) e Arnaldo Janssen (1837-1909) celebraram, no dia 5 de outubro, a canonização dos seus fundadores. Na mesma data foi canonizado também o Bem-Aventurado José Freinademetz, verbita, missionário na China. Daniel Comboni nasceu no dia 15 de março de 1831 em Limone, povoado do norte da Itália, às margens do lago de Garda. Aos 15 anos, Daniel se empolga com a leitura da história dos mártires do Japão, crucificados em Nagasaki em 1597. Três anos mais tarde, Daniel toma conhecimento do relato das atividades do missionário padre Ângelo Vinco, e a África se torna o centro de seus sonhos. Rostos sofridos de lugares nunca vistos conquistam o seu coração. Uma paixão que tinha vindo para ficar. Mas o fracasso constante das missões na África, por força da morte de religiosos acometidos de doenças, fez com que até Roma dificultasse a ida de missionários para lá. Contudo, aos 26 anos, dois anos após sua ordenação, Pe. Daniel pede para integrar um grupo de seis missionários destinados à África.
Tratava-se de uma derradeira tentativa. Na ocasião escrevia: “Há tanto tempo suspirei para este instante em que parto para as missões, com um ardor maior que o dos namorados quando suspiram pelo momento do casamento”. O chefe da expedição, logo na chegada, apela a um juramento sagrado: “Não larguem a obra iniciada. Mesmo que tenha que ficar um só de vocês, não desanimem”. E Daniel jura, de fato, a si mesmo, à Igreja e à África, que será fiel até à morte, selando seu compromisso com um lema: “África ou morte!”. Pe. Daniel, que chegou a identificar-se plenamente com os nativos, chegou a afirmar: “Nunca paixão alguma criou raízes em meu coração a não ser o amor pelos africanos. Foi o primeiro amor da minha juventude”. INTUIÇÃO PROFÉTICA Em setembro de 1864, rezando junto ao túmulo de São Pedro em Roma, tem uma sublime inspiração: salvar a África com os próprios africanos. Intuição altamente profética para a época. Estava já presente a preocupação com as culturas, um assunto hoje prioritário na reflexão sobre a atividade missionária da Igreja. Os africanos, para Daniel, não devem ser só objeto de evangelização, mas sim sujeitos da mesma. Seguindo as diretrizes de seu plano, Daniel abriu colégios para homens e mulheres, os futuros apóstolos de sua própria gente. A maior alegria foi poder ordenar um padre africano. Em 1877, reconhecendo as capacidades missionárias de Daniel Comboni, o Papa Pio IX o nomeia bispo de toda a África Central. NUNCA ESMORECEU Comboni, apesar das incontáveis dificuldades, nunca esmoreceu. Sempre teve a coragem e a sabedoria de recomeçar. Um dia escreveu: “No decurso de minha árdua e laboriosa missão, mais de vinte vezes me senti abandonado por Deus, pelo Papa, pelos superiores, por todos os homens. E ao sentir-me tão só e abandonado, tive forte tentação de deixar tudo, renunciar a tudo. Pois bem, quando meus institutos vagavam à deriva e, na África, os meus missionários morriam sem qualquer perspectiva de luz e eu ardia em febre em Cartum, o que me levou a ficar firme até à morte foi a convicção e a certeza da minha vocação missionária.” Certa vez, escrevendo para a mãe, Comboni dizia: “Querida mãe: se você visse a miséria que existe nestas regiões, você teria dado cem filhos, se os tivesse tido, para que viessem trazer alívio a esta gente”. E mais adiante: “Embora destroçado no corpo, o meu espírito permanece firme e vigoroso pela graça do Coração de Jesus”.
Dom Daniel morreu, depois de muitos sacrifícios e trabalhos, com apenas 50 anos, no dia 10/10/1881. No leito de morte, assegurou aos seus missionários: “Não temais. Eu morro, mas a minha obra não morrerá. Tereis que sofrer, mas vereis o triunfo da nossa missão.” O seu ideal continua vivo nos milhares de sacerdotes, religiosas e leigas combonianas espalhados pelos quatro cantos do mundo. A Igreja teve sempre em Comboni um filho leal e fiel, mas constantemente disposto a desafiá-la e a mudar de atitude em relação à evangelização da África. Ele chegou a dizer: “Se o papa e todos os bispos do mundo estivessem contra mim, baixaria a cabeça por um ano e, logo a seguir, apresentaria um novo plano; mas esquecer-me de pensar na África, isso nunca!” SANTIDADE MISSIONÁRIA Com a sua canonização, realizada no dia 5 de Outubro, a Igreja reconheceu o grande apóstolo da África moderna como modelo de santidade missionária. Santidade que não consistia em belas palavras e boas intenções, mas em gestos concretos: empenho, sacrifício, canseiras, noites sem dormir, suores, febres, dores, riscos, desistência e morte de colegas e colaboradores. Comboni não se fecha na esfera intimista do estritamente religioso, sua santidade é enraizada na história. Pela África sacrifica tudo, como afirma na homilia no dia da sua entronização episcopal em Cartum: “Deixando tudo o que me era mais querido no mundo, vim a estas terras para aliviar as suas seculares desgraças.” Comboni conhece profundamente as desventuras dos africanos e assume a sua causa: “Quero partilhar a vossa sorte e o dia mais feliz da minha existência será aquele em que eu puder dar a vida por vós”. Comboni anda sempre à procura de colaboradores que, nesta “árdua e laboriosa missão”, consideram mais importantes do que as ajudas monetárias. Nunca foi um homem só ou solitário.
Pe. Paulo De Coppi PARA REFLETIR 1. Comboni, sem dúvida, é considerado um dos missionários
mais significativos 2. Em quais aspectos da missão se destacam Arnaldo Janssen e José Freinademetz?
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