Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Testemunhos de Vida Missionária
Emanuela: Pe. Xavier, considero uma grande honra poder entrevistar um sacerdote missionário da grande nação indiana. E para iniciar nossa conversa, gostaria que me dissesse algo sobre sua vida e sua vocação missionária. Pe. Xavier: Eu nasci na cidade de Kazipet. A Paróquia daquela cidade é uma das mais antigas fundadas pelo PIME. A minha família sempre foi cristã e meus pais são muito engajados nas atividades da comunidade. Entre os padres que conheci, o Pe. Antonello foi aquele com quem construí uma amizade mais profunda durante a minha adolescência. Ele contribuiu muito para o crescimento de minha fé. O Pe. Antonello era de uma doação impressionante. Ele vivia diariamente nas pequenas comunidades do interior, a ponto dos cristãos da cidade se queixarem por ele estar raramente com eles.
A mim, porém, isso impressionava muito e, quando entrei no seminário do PIME, seu testemunho foi fundamental para que eu entendesse melhor o carisma missionário. Observando a trajetória percorrida, verifico como a minha escolha pela vida missionária não foi nada fácil. Com 19 anos me matriculei na faculdade de biologia, mas, na medida em que o tempo passava, cada vez mais sentia forte o desejo de fazer algo mais e diferente em minha vida. Felizmente encontrei diversas pessoas amigas e comprometidas que muito me ajudaram para que eu chegasse à escolha da vida sacerdotal e missionária. Emanuela: Pe Xavier, como foi a sua caminhada formativa realizada inicialmente em seu país, na Índia? Pe. Xavier: Como já deve ter percebido, eu entrei no seminário já com uma certa idade e formação cultural que me dispensou dos estudos iniciais exigidos no currículo do semi-nário. O caminho formativo no PIME, no ponto em que eu estava, previa um ano de espiritualidade que, na Índia, realiza-se em um ashram cristão, onde se procura crescer na fé e na vivência cristã em harmonia com a cultura local. Emanuela: Como era a vida que vocês levavam no ashram? Pe. Xavier: No ashram, a gente levantava cedo, fazia yoga e meditação. Nossa alimentação era vegetariana. Diariamente participávamos da Santa Missa e sempre havia um colóquio com o mestre que nos orientava. O resto do dia era dedicado ao trabalho manual. Era, sem dúvida nenhuma, uma vida interessante e toda dedicada à busca e vivência da fé. Para mim, o tempo passado no ashram foi uma ótima experiência, um ano bem aproveitado e feliz, um verdadeiro dom de Deus, pois me acostumei à meditação, exercício que sempre enriquece e nos transmite paz e força para sempre recomeçar. Emanuela: Pe. Xavier, entre tantas coisas interessantes que aconteceram em sua vida, algo lhe marcou particularmente e lhe ajudou em sua escolha missionária? Pe. Xavier: Sem dúvida. Duas experiências, sobretudo, chegaram a marcar profundamente à decisão de prosseguir minha caminhada rumo à vida missionária. Sendo que, após os primeiros três anos de seminário, estava previsto um ano de atividade pastoral e caritativa, decidi passar este ano envolvendo-me com os meninos de rua na cidade de Bangalore. Nesta experiência fui percebendo a importância do afeto familiar que eu havia desfrutado em minha família e que faltava àquelas crianças. Esta realidade calou profundamente em minha vida e deu um forte impulso à decisão de me tornar missionário. Mas aconteceu outra experiência, ou melhor, uma prova difícil que apareceu em minha vida: uma doença. Pouco depois de ter chegado ao seminário teológico do PIME, em Monza-Itália, onde completei minha formação, deparei-me com uma doença muito séria: - uma inflamação na coluna vertebral que me obrigou a ficar de cama por dois meses seguidos e precisando de assistência contínua. Isso ameaçou acabar com as minhas certezas, talvez baseadas no meu orgulho de vencer e de ser alguém na vida. No entanto, aquela experiência dolorosa foi mais um toque de Deus que me fez experimentar seu amor de Pai. Isso aconteceu particularmente através das atenções de meus colegas e do reitor do seminário. Aquela experiência dolorosa me fez refletir muito. Foi crescendo em mim uma atitude de fé e de total abandono em Deus. Mais uma vez Deus havia mostrado que age direito por vias tortas, realizando em mim uma grande mudança, para melhor. Agora, graças a Deus e à bondade dos irmãos do seminário, estou bem de saúde e bem disposto para o trabalho apostólico. Emanuela: E agora já sacerdote e missionário do PIME, como está se desenrolando sua vida? Pe. Xavier: De fato, desde 2003 sou missionário-sacerdote e, pouco tempo depois, foi-me dada a responsabilidade de ser reitor do seminário missionário de Chennai - Índia. Em pouco tempo, de formando passei a ser formador. Não se trata de uma missão fácil, mas me sinto feliz, seja pelo trabalho que estou realizando, como também pela confiança que os superiores depositaram em mim. Espero não decepcioná-los. Pelo grande amor que tenho pela Igreja e pelo PIME, darei tudo de mim para que estes jovens, que me foram confiados, também se tornem sacerdotes e experimentem a profunda alegria que Deus sempre reparte generosamente com seus missionários. Emanuela Citterio |
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