Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Testemunhos de Vida Missionária
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Será um pastor de cabras? - Perguntávamos nós, enquanto nos aproximávamos da porta que dá para a rua. Ou será um pastor de uma igreja protestante ou de uma das seitas locais? Afinal, acontecimentos desses não eram mais novidade: a missão é sempre o lugar, o pouso seguro para quem está em dificuldade ou mesmo esperando a morte. Mal nos aproximamos do carro e vimos um catequista católico de Mavanza que, mal refeito da triste notícia, dizia: - O Jaime Taela morreu, há poucos instantes, aqui no centro de saúde. E apontava para o carro onde outro catequista segurava o Jaime nos braços, acarinhando-o como quem ainda queria reanimá-lo.
Jaime Taela era um dos melhores e dos mais competentes catequistas de nossa paróquia. Ele pertencia à turma daqueles que, depois de um período de formação cristã com os primeiros missionários, abraçaram a fé com grande entusiasmo.
Nesse fim de semana, como era seu hábito, saiu de casa para fazer a celebração dominical. Jaime percorreu cerca de 20 quilômetros para chegar a Machanissa onde, semanalmente, se reunia a comunidade cristã. Aconteceu que, nesse dia, Jaime não voltou para casa. Lá ele cumpriu seu trabalho de pastor até ao fim, morrendo, como Cristo, pelo povo que tanto amava.
E a missão perdeu um dos pilares desta comunidade cristã ainda jovem que cada vez mais se funda na participação dos leigos e se enraíza na cultura africana. Estes animadores/catequistas são indispensáveis para reavivar constantemente a fé e levá-la até os pequenos grupos de famílias perdidos no meio do mato, longe das estradas e dos centros populacionais. No dia seguinte, celebrou-se o enterro do Jaime. A enorme participação
foi o sinal mais evidente de que ele era uma pessoa importante, amada
e respeitada. Celebrou-se a missa de corpo presente junto à sua
cabana e, Foi assim que foi sepultado o catequista Jaime, um verdadeiro cristão e animador de comunidades que, incansavelmente, dedicou todas as suas forças para fazer nascer e fortificar dezenas de comunidades que hoje o tem como um verdadeiro pai na fé. Seu exemplo é de grande valia também para os catequistas e animadores de grupos que trabalham nas comunidades cristãs de antiga data, freqüentemente tentados a desanimar diante das múltiplas dificuldades que o nosso mundo apresenta. Ricardo Santos |
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